4 de outubro de 2019

Skate Kitchen.


   Teria terminado bem o festival Queer 23 sem esta desgraça, mas não tive juízo e adquiri um último bilhete para a sessão de encerramento.




  Skate Kitchen era o nome do perfil de Instagram que um grupo de miúdos criou para mostrar as suas habilidades com a prancha. Além da actividade física com os skates, aquelas miúdas são precursoras de uma geração de raparigas que já não se vêem como um simples "adereço" masculino. Elas têm vontades e movem-se pela satisfação dos seus prazeres, inclusive com pessoas do mesmo sexo, se for caso disso. Este filme é claramente uma ode ao hedonismo juvenil egoísta que vem assumindo uma faceta cada vez mais acentuada no feminino. Por algum motivo nunca vemos aqueles jovens na escola. Vemo-los em casa, no parque a praticar, escondidos a fumar droga, mas nunca numa sala de aulas. Depois, claro, mal ficaria na moldura um filme juvenil que não abordasse as desilusões amorosas, as experiências (homo)sexuais, os problemas com os pais, com os pares, as transgressões. A narrativa não justifica 106 minutos, uma vez que não tem nada de tão denso que permita ao realizador estender-se por quase duas horas. O que se retém no final, mais do que paz e amor, tudo acaba bem, são as cenas acrobáticas de skate pelas avenidas de Nova Iorque, bem dirigidas pela direcção. É, aliás, duvidoso que este filme tenha lugar num festival LGBT e que, para mais, figure na noite de encerramento. Se atentarmos no argumento, vemos um rapaz que é alvo da disputa de duas miúdas que são das mais amigas daquele grupo, das mais confidentes. Experiências homossexuais, "per se", não imprimem um cunho LGBT a uma narrativa, mesmo considerando que uma das miúdas era lésbica e vivia bem com isso.

    Não houve frase emblemática porque me perdi entre as manobras.

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