26 de maio de 2026

Eu sou a inveja das bichas de Portugal.


   Tenho um marido, médico, que me ama e cuida de mim. Tenho um chalé com jardim e piscina. Tenho mais bens imóveis. Tenho dinheiro numa conta na Suíça. Farto-me de viajar, quer dentro de Espanha, quer no estrangeiro. Tenho dupla nacionalidade. Não preciso trabalhar. Vivo de rendimentos. Compro o que quero, quando quero. Sou ou não sou afortunado? Eu sou a inveja das bichas de Portugal.


25 de maio de 2026

A Pérgola de Jardim (Parte II).




 Agora só falta a relva artificial. Está linda, não?

23 de maio de 2026

A Pérgola de Jardim.


   Chamo-lhe pérgola porque é como lhes chamam aqui, em Espanha. Já vivo aqui há anos. Vou perdendo o contacto com o português europeu, se bem que, mesmo quando morava em Portugal, não sabia o nome destas coisas. Basicamente, são umas estruturas de alumínio, ou outro material (no nosso caso de alumínio), que se instalam e que ficam ali o ano todo, a priori vários anos - e por isso são tão caras. São bastante funcionais, sobretudo no Verão, porque podemos estar no jardim, à noite, a jantar fora de casa, ou simplesmente a aproveitar as noites quentes. No caso da nossa, é ventilada, porque tem um tecto que abre lateralmente -um género de barras-, o que permite que ventile e que se evite o "efeito estufa". Comprámos uma. Ligámos para uma empresa de construção com a qual já trabalhámos antes, que mandou um dos seus homens a montá-la. O meu marido ajudou. São precisas de 2 a 3 pessoas e leva cerca de 3/4 horas. Vai fixa ao chão, claro está, porque é uma estrutura pensada para ficar todo o ano, permanente, e para aguentar ventos e chuvas. Além de nos permitir desfrutar do jardim, é esteticamente bonita, valoriza a casa e gosto de vê-la ali. Vamos, ainda, montar uns móveis de jardim, uns sofás e uma mesa, que ficam dentro da pérgola, e pronto, ficamos com um espaço bonito e funcional no nosso jardim, que estamos a fazer pouco a pouco, muito pouco a pouco, porque é apenas o meu marido quem cuida do jardim -eu não levo o menor jeito-, e ele, infeliz ou felizmente, tem pouco tempo. É agradável ir vendo que a casa vai ganhando jeito, vai ficando como queremos, já que o anterior proprietário, que nunca aqui habitou, era um desastre. 




20 de maio de 2026

Da fama e da glória.

    

   Pus-me a ver uma entrevista do Kiko is Hot no As Três da Manhã da Renascença. Eu acho que todos os que andam aqui, nos meios virtuais, sabem quem é o Kiko is Hot, mas, para quem não sabe, é um tipo que começou a gravar vídeos para o Youtube em 2011, que depressa se tornaram virais. Ainda tudo muito rudimentar, sem microfone nem nada. Lá insistiu e foi persistente. Hoje tem, entre o Insta e o Tik Tok, mais de um milhão de seguidores. Parecem fama e dinheiro fáceis. Não são. Para se ser youtuber (agora está passado de moda) e ter impacto, era preciso ter imaginação com os vídeos, insistir-se muito, e mesmo assim às vezes não era suficiente. Quem conseguia, de facto alcançava fama virtual, e daí dinheiro com as visualizações.  Eu comecei a gravar vídeos para o Youtube antes do boom de youtubers, em 2008. Recebi tanto hate, como o Kiko, de resto, mas, à diferença dele, não insisti. Apaguei tudo e criei este blogue, um espaço mais reservado, que porém nunca me deu nada. Não é que eu quisesse fama ou dinheiro, não; é ver que gente com muito menos capacidades do que eu chegou lá, e eu não. Fiquei pelo caminho. Não só nestes meios virtuais. Em tudo.

  Quando me matriculei na Faculdade de Direito de Lisboa, o meu pai foi comigo. Nesse dia -quem conhece a FDUL sabe como é- estavam imensas "barraquinhas" dos vários partidos políticos ao longo da sua ampla entrada. O meu pai disse-me: "Mete-te na política". Não o fiz. Hoje poderia ser alguém de sucesso, renomado, cheio de dinheiro. Não tenho mais do que aquilo que preciso, contudo, está sempre aqui o "e se?". E se tenho arriscado no Youtube naqueles anos? E se tenho entrado na política como o meu pai me aconselhara? E se?

   Sinto que passei ao lado de uma grande carreira, de uma grande vida, e só me posso culpar a mim mesmo, pela inércia; porque a verdade é que não gosto de fazer nada. Sou demasiado preguiçoso, indolente, e em tudo há que ter determinação; capacidades não me faltam: sei o que valho; sei que, além de inteligente, sou esperto e tenho lábia. Falta-me o resto: determinação, sentido de oportunidade, obstinação, inteligência emocional.

    Agora será demasiado tarde. Ficam a mágoa e a revolta - e a culpa, a quem só posso atribuir a mim.