7 de maio de 2026

Ter um gato, neste caso, uma gata.


    Em 2022, o meu marido trouxe-nos uma gatinha para casa. Andava perdida por um dos centros de saúde onde ele vai de vez em quando passar a consulta. Uma gatinha já adulta, talvez com um ou dois anos. É a minha Mia - a minha gata. A minha gata é a melhor gata do mundo. 

     A Mia é um anjo, e foi uma bênção na minha vida. Não pula para cima de nada, nunca me estragou nada, e temos aquela ideia dos gatos que destroem tudo numa casa. Nem às plantas se chega. Ela não sai. Está sempre dentro de casa. Jamais me arranhou, ou mordeu. Nem quando lhe dou banho, esporadicamente, porque os gatos não precisam tomar banho com frequência. 




     Ter um gato é muito mais do que lhe dar de comida e água - e a Mia tem o seu bebedouro eléctrico, uma fonte. É dar-lhe amor continuamente - e ela não me deixa um minuto; sempre está comigo. É escovar-lhe o pêlo todos os dias - e por isso há donos de felinos que se queixam da muda do pêlo, porque não sabem cuidar do pêlo dos seus animais. A Mia é uma gata que tem mais do que muita gente. É tratada como uma princesa, porque ela é uma princesa. Tem o melhor que lhe posso dar. E tem uma parte do meu coração, incondicionalmente dela.

6 de maio de 2026

A nova lei da nacionalidade.


  Ao que tudo indica, o Presidente da República promulgou o diploma da nova lei da nacionalidade. Eu não conheço o conteúdo exacto da lei, não saberei muito mais que vocês - estava informado quando cursava Direito. Pelo que li, as regras para a aquisição da nacionalidade portuguesa ficam mais restritas, o que me parece muitíssimo bem. A nacionalidade portuguesa era praticamente vendida. Ainda me lembro de uma imagem na Índia onde se dizia algo como “vende-se nacionalidade portuguesa”. Qualquer um, em menos de nada, tinha o passaporte português, que estava ao desbarato. Segundo sei, o prazo para a naturalização aumenta, bem assim como se exigirá um exame de conhecimentos da realidade social e política portuguesa. Aqui em Espanha é assim. Eu, para ser espanhol, tive de fazer um exame de língua castelhana e outro de conhecimentos socioculturais de Espanha. Beneficiei de um prazo reduzido, é certo, sendo que o meu caso não tem nada que ver com o dessa gentalha que vem do Brasil, de África e sabe-se lá de onde com o único intuito de ter um passaporte português, e por conseguinte comunitário: em primeiro lugar, já era cidadão da UE, por ser português, ou seja, a cidadania espanhola não me veio trazer nenhum benefício do ponto de vista da mobilidade europeia; em segundo lugar, um português é ibérico, peninsular. A integração em Espanha é bem vista pelo Estado espanhol, é fácil, sem obstáculos linguísticos ou culturais de relevo. Espanha e Portugal são muitíssimo semelhantes, e as autoridades espanholas sabem-no perfeitamente. Menos mal que este governo -refiro-me ao português- parece disposto a pôr termo à bandalheira dos governos socialistas, sobretudo o de Costa, que escancarou Portugal à invasão imigrante.

4 de maio de 2026

XVIII Aniversário.


   O aniversário foi ontem, contudo, como decidi publicar a minha apreciação sobre o filme de Michael Jackson (tinha acabado de sair da sala de cinema, e gosto de escrever sobre os filmes e os livros que leio a quente), decidi adiar para hoje a publicação sobre o aniversário do blogue. Dezoito anos. Um miúdo que tenha nascido no dia em que criei este espaço entra hoje na maioridade legal. É extraordinário. Bom, se eu pensar bem, tratando-se de mim, não é algo tão incomum: eu sou de preservar o que tenho, e isso é extensível ao mundo virtual. Há quem crie mil contas em poucos anos. Eu mantenho as mesmas. O meu X, antigo Twitter, começa, também ele, a ficar vetusto.

    Não tenho muito mais a acrescentar nesta efeméride do blogue que ainda não tenha sido dito nos dezassete posts de aniversário dos anos anteriores. É muito tempo, e para um espaço virtual é quase uma vida. São quase dois mil posts, a esmagadora maioria deles -e aqui sinto de facto orgulho- com bastante qualidade, bem redigidos, bem pontuados; milhares e milhares de palavras, ideias, comentários e respostas; bloggers conhecidos, e outros que nunca conhecerei - porque já não vivo em Portugal, mas, sobretudo, porque fechei a porta a isso. Aliás, nem deveria ter conhecido ninguém. Queria deixar uma palavra também para as dezenas de pessoas que, ao longo destes dezoito anos, passaram por aqui para deixar um bocadinho de si: com algumas ainda mantenho contacto, outras perdi-as de vista, muitas preferiria que nunca tivessem passado por aqui e, outras, e com pena o digo, já nem estão entre nós.

     Este blogue venceu o tempo -o principal desafio-, as crises de falta de inspiração, mudanças de casa e de vida, de país, mortes de familiares directos, uma pandemia… é bastante provável que siga comigo uns anos mais, sempre até que me faça sentido. Por último, obrigado aos que ainda estão desse lado e que também fazem com que isto tenha sentido.

Mark

3 de maio de 2026

Michael.


  O filme de Michael Jackson não foi escrito inocentemente. Michael é retratado de forma quase pueril, superficial. O script não é inovador, no sentido em que a fórmula é previsível: um menino pobre, que cresce num entorno difícil, com um pai abusador, que é descoberto por uma caça-talentos e fica famoso. Seguramente que a vida de Michael Jackson daria para muito mais. Sem omitir o que realmente aconteceu, a abordagem poderia ter sido outra.

    Em todo o caso, o mais notório é que o percurso de Michael parou em 1988, com o álbum Bad. Deliberadamente omitiram os anos 90 e os escândalos de pedofilia que atingiram o artista. Não foi ao acaso. Quando descobrimos que o actor que faz de Michael é o sobrinho dele, Jaafar Jackson, desde logo intuímos que a família Jackson está por detrás da estória, controlando-a ao pormenor. O filho mais velho de Jackson foi produtor executivo da larga metragem.





     Tudo foi polémico na vida pública de Michael. O filme não seria excepção. Tornou-se um dos mais vistos de 2026 e já superou em muito os gastos de produção. Eu, embora tenha gostado, considero-o pouco ambicioso, demasiado focado nos anos áureos de Michael e explorando pouco o seu lado mais introspectivo. O personagem como que flutua num limbo de superficialidade, faltando-lhe algo que lhe dê corpo, emoções, veracidade. Supera-se, isso sim, na caracterização, nos figurinos, efeitos, e música, claro está.