20 de maio de 2026

Da fama e da glória.

    

   Pus-me a ver uma entrevista do Kiko is Hot no As Três da Manhã da Renascença. Eu acho que todos os que andam aqui, nos meios virtuais, sabem quem é o Kiko is Hot, mas, para quem não sabe, é um tipo que começou a gravar vídeos para o Youtube em 2011, que depressa se tornaram virais. Ainda tudo muito rudimentar, sem microfone nem nada. Lá insistiu e foi persistente. Hoje tem, entre o Insta e o Tik Tok, mais de um milhão de seguidores. Parecem fama e dinheiro fáceis. Não são. Para se ser youtuber (agora está passado de moda) e ter impacto, era preciso ter imaginação com os vídeos, insistir-se muito, e mesmo assim às vezes não era suficiente. Quem conseguia, de facto alcançava fama virtual, e daí dinheiro com as visualizações.  Eu comecei a gravar vídeos para o Youtube antes do boom de youtubers, em 2008. Recebi tanto hate, como o Kiko, de resto, mas, à diferença dele, não insisti. Apaguei tudo e criei este blogue, um espaço mais reservado, que porém nunca me deu nada. Não é que eu quisesse fama ou dinheiro, não; é ver que gente com muito menos capacidades do que eu chegou lá, e eu não. Fiquei pelo caminho. Não só nestes meios virtuais. Em tudo.

  Quando me matriculei na Faculdade de Direito de Lisboa, o meu pai foi comigo. Nesse dia -quem conhece a FDUL sabe como é- estavam imensas "barraquinhas" dos vários partidos políticos ao longo da sua ampla entrada. O meu pai disse-me: "Mete-te na política". Não o fiz. Hoje poderia ser alguém de sucesso, renomado, cheio de dinheiro. Não tenho mais do que aquilo que preciso, contudo, está sempre aqui o "e se?". E se tenho arriscado no Youtube naqueles anos? E se tenho entrado na política como o meu pai me aconselhara? E se?

   Sinto que passei ao lado de uma grande carreira, de uma grande vida, e só me posso culpar a mim mesmo, pela inércia; porque a verdade é que não gosto de fazer nada. Sou demasiado preguiçoso, indolente, e em tudo há que ter determinação; capacidades não me faltam: sei o que valho; sei que, além de inteligente, sou esperto e tenho lábia. Falta-me o resto: determinação, sentido de oportunidade, obstinação, inteligência emocional.

    Agora será demasiado tarde. Ficam a mágoa e a revolta - e a culpa, a quem só posso atribuir a mim.


18 de maio de 2026

Das séries.

 

   Eu gosto de ter algo para acompanhar. Uma série, por exemplo. Já vi muitas ao longo destes anos. Gostei imenso de Guerra dos Tronos, Pose, Walking Dead, Breaking Bad, entre outras. Tenho, além da Netflix, HBO e Amazon Prime, estas duas porque vêm incluídas no meu pacote da Vodafone Casa. Ultimamente não consigo empatizar com nenhuma série. Tenho tentado com várias, algumas até renomadas, como Mad Men, Os Sopranos, etc, e não me prendem ao ecrã. Não me considero muito exigente, mas é certo que tão-pouco consigo gostar da primeira coisa que me põem à frente. Para contornar este "problema" de não ter algo para acompanhar, assinei uma aplicação de novelas brasileiras, a Globoplay. Tenho acompanhado uma novela que vi em 2004 e da qual gostei, Da Cor do Pecado. Há pessoas com preconceito relativamente ao formato novela. Eu não. Só quero ter algo para poder acompanhar e manter-me distraído das redes sociais, que me ocupam demasiado tempo, tempo que poderia aproveitar melhor. Eu sou eclético com os meus gostos, sejam eles quais forem. Se gosto, gosto, pouco me importando com rótulos absurdos.


17 de maio de 2026

Dia Internacional Contra a LGBTfobia.


 Hoje assinala-se o Dia Internacional Contra a LGBTfobia. Se fosse há dez anos, eu não diria nada e provavelmente até me oporia a esta celebração. Actualmente, não. Vejo um ressurgimento do ódio contra as pessoas LGBT, que me preocupa, mais ou menos como sucede com os comentários misóginos e machistas de uns jovens adultos do sexo masculino, e de outros menos jovens. Estamos a regredir em valores e ética depois de décadas de progresso. Não podemos permitir que assim seja. Espanha, o país em que vivo, continua a estar na linha dianteira do combate à LGBTfobia, e orgulho-me disso. Portanto, sim, este dia não só continua a fazer sentido como mais do que nunca tem sentido, verificando a degradação dos últimos dois / três anos no que respeita à situação das mulheres e das pessoas LGBT.

16 de maio de 2026

Vizinhos...

 

   Ter vizinhos é uma chatice. Que o diga eu. Tenho tido problemas com praticamente todos os vizinhos em praticamente todos os lugares onde vivi. A situação é pior nos prédios, porque estamos sujeitos a uma relação de maior proximidade, o que se verifica em ruídos, infiltrações, etc, etc. Mesmo vivendo numa casa, há problemas. As propriedades limitam entre si. No ano passado, quis fazer uma rampa de acesso à minha casa. O vizinho da frente implicou, denunciou-nos ao alcalde (o presidente da câmara), que nos embargou a obra. Ficou tudo assim, em águas de bacalhau, como se costuma dizer. Fê-lo por pura maldade, uma vez que a rampa em nada o prejudicaria. Alegou que não íamos colocar um cano de escoar as águas no cimento, pelo que se juntariam e poderiam afectar a sua propriedade... Tretas! Ele vive em frente. Há uma estrada enorme, por onde passam carros, para cima e para baixo, e além disso não há nenhum ajuntamento de águas ali. Este ano, é com o vizinho do lado, que ainda antes de termos comprado a casa, decidiu escavar toda a terra do seu terreno para aplaná-lo. Naturalmente, di-lo a normativa vigente e o bom senso também, como se precisasse, que quando é assim há que erguer um muro de contenção para não comprometer o muro do vizinho. E ele fê-lo? Claro que não. Agora mesmo andamos a tentar insistir com ele nesse sentido. Sabe dizer-nos que temos de podar as nossas árvores, sabe meter-se nos nossos assuntos, mas parece que se "esquece" daquilo que lhe compete. Enfim.

   O melhor, o melhor é comprar um terreno de vários hectares e construir uma casa bem no meio, e mesmo assim...