29 de abril de 2026

40.


    Quando penso que hoje cumpro 40 anos, sinto um misto de sentimentos. Por um lado, certo orgulho. Não é uma idade longeva, não, e menos ainda no século XXI, mas para uma pessoa que sempre foi enfermiça, desde criança, é um logro. Por outro lado, penso nas pessoas que já não estão, e que nesta data me davam sempre os parabéns: a mãe, o pai, a avó paterna. Cheguei aqui também devido aos cuidados deles, e da minha bisavó Palmira, que perdi mais atrás. Sinto ainda uma responsabilidade qualquer que não sei definir muito bem o que é: ter quarenta anos implica determinado comportamento que não sei se estou preparado para dar. Começo a ser um senhor. Não um senhor de idade. Isso será mais à frente, se lá chegar. Apenas um senhor. Para quem foi toda a vida um miúdo, um rapaz, um jovem, é uma nova fase, uma nova forma de olhar para mim, para quem sou.

  Não sei o que me espera nesta década. Irei tentar vivê-la da melhor forma, com a família que tenho, que se resume ao meu marido. A minha vida tem sido assim, e creio que já o disse: um período de estagnação, um terramoto, seguido de outro período de estagnação e de outro terramoto. Com extinções em massa. A última levou toda a família que conheci durante a minha existência. Há dez anos, eu era uma pessoa, uma pessoa que não existe mais. Nada resta daquele (ainda) rapaz de trinta anos: nem o entorno, nem a casa, nem as dinâmicas. Nada. Essa dúvida sobre o que virá existe sempre, porque a maior parte das pessoas tem uma linha de continuidade nas suas vidas. Eu não. 

  Não adianta antecipar o que desconheço. E entro assim, na ternura dos quarenta, que espero realmente que seja terna e calma. Necessito.

28 de abril de 2026

À consideração.


   E para a próxima vez, se voltar a ser acusado seja do que for, vai sem rascunhos a vermelho por cima, e falo muito a sério. Pouco me importa a protecção de dados e o raio que o valha.




24 de abril de 2026

Mudança de hábitos.


   O meu médico de família (que também é o meu marido) pediu-me uma ecografia abdominal, isto porque tenho esteatose hepática (fígado gordo). Eu já sabia disso, tenho alguns valores hepáticos alterados nas análises sanguíneas. Foi para controlo. Embora tenha mudado alguns hábitos menos bons, como a alimentação, em parte, continuo com o fígado dito “gordo”, então agora a mudança é radical. Eu sou muito sedentário, não ando (desde que conduzo é que não ando mesmo), não me controlo a comer, não faço exercício. Tudo mau, portanto, mas hoje decidi que as coisas vão mudar, e vão mesmo: todos os dias, de manhã, vou fazer uma caminhada de 40 minutos (já comecei hoje); ontem, agarrei em dois sacos do lixo e deitei chocolates, chouriços e bombons, tudo fora; comecei a beber dois litros de água por dia -odeio beber água-, porque a ecografia também detectou micro calcificações nos rins, e tudo o que é arroz, massas e batatas vai ser substituído por saladas e verduras. E isto é MESMO para cumprir. Isso já o interiorizei. Estou bastante determinado em melhorar o meu estado geral de saúde, e até é um bom mote para os 40 anos, que cumpro, se Deus quiser, em menos de uma semana.

22 de abril de 2026

Cristina Ferreira.


  Eu não vejo televisão portuguesa. Não tenho. Em casa tenho Vodafone, e não oferece a RTP internacional. Posso ver televisão portuguesa com apps da RTP, SIC e TVI. Não me compensa. Tenho a primeira, gratuita, e tive as outras uns tempos. São caríssimas e realmente não se justifica. Os ecos do que se passa em Portugal chegam-me pelos jornais online e as redes sociais, que hoje em dia conseguem cobrir bastante bem essa função informativa.

   Ouvi as declarações da Cristina Ferreira no seu programa matinal, sobre um caso de violação, e também não gostei. Não, não gostei, Cristina. Ela não vai ler, bem sei. Porque não é a primeira vez, nem a segunda, e dificilmente será a última, que esta apresentadora faz comentários misóginos ou pouco dignificantes. Não é não, Cristina. É mesmo. Sejam dois, três, quatro ou cinco, ou mais, num acto sexual. Ninguém se põe a jeito. Enganas-te outra vez. As pessoas são livres de ir onde querem e como querem. Ninguém tem o direito de assediar sexualmente, e por maioria de razão de cometer crimes mais graves. É lamentável que uma pessoa com poder -porque aparecer na televisão e comunicar para todo um público é ter poder- tenha tão pouco tino, juízo; que, em temas sensíveis, fale como se estivesse em casa ou numa mesa de café. E, por favor, não mexas mais na porcaria. É só pior.