23 de maio de 2026

A Pérgola de Jardim.


   Chamo-lhe pérgola porque é como lhes chamam aqui, em Espanha. Já vivo aqui há anos. Vou perdendo o contacto com o português europeu, se bem que, mesmo quando morava em Portugal, não sabia o nome destas coisas. Basicamente, são umas estruturas de alumínio, ou outro material (no nosso caso de alumínio), que se instalam e que ficam ali o ano todo, a priori vários anos - e por isso são tão caras. São bastante funcionais, sobretudo no Verão, porque podemos estar no jardim, à noite, a jantar fora de casa, ou simplesmente a aproveitar as noites quentes. No caso da nossa, é ventilada, porque tem um tecto que abre lateralmente -um género de barras-, o que permite que ventile e que se evite o "efeito estufa". Comprámos uma. Ligámos para uma empresa de construção com a qual já trabalhámos antes, que mandou um dos seus homens a montá-la. O meu marido ajudou. São precisas de 2 a 3 pessoas e leva cerca de 3/4 horas. Vai fixa ao chão, claro está, porque é uma estrutura pensada para ficar todo o ano, permanente, e para aguentar ventos e chuvas. Além de nos permitir desfrutar do jardim, é esteticamente bonita, valoriza a casa e gosto de vê-la ali. Vamos, ainda, montar uns móveis de jardim, uns sofás e uma mesa, que ficam dentro da pérgola, e pronto, ficamos com um espaço bonito e funcional no nosso jardim, que estamos a fazer pouco a pouco, muito pouco a pouco, porque é apenas o meu marido quem cuida do jardim -eu não levo o menor jeito-, e ele, infeliz ou felizmente, tem pouco tempo. É agradável ir vendo que a casa vai ganhando jeito, vai ficando como queremos, já que o anterior proprietário, que nunca aqui habitou, era um desastre. 




20 de maio de 2026

Da fama e da glória.

    

   Pus-me a ver uma entrevista do Kiko is Hot no As Três da Manhã da Renascença. Eu acho que todos os que andam aqui, nos meios virtuais, sabem quem é o Kiko is Hot, mas, para quem não sabe, é um tipo que começou a gravar vídeos para o Youtube em 2011, que depressa se tornaram virais. Ainda tudo muito rudimentar, sem microfone nem nada. Lá insistiu e foi persistente. Hoje tem, entre o Insta e o Tik Tok, mais de um milhão de seguidores. Parecem fama e dinheiro fáceis. Não são. Para se ser youtuber (agora está passado de moda) e ter impacto, era preciso ter imaginação com os vídeos, insistir-se muito, e mesmo assim às vezes não era suficiente. Quem conseguia, de facto alcançava fama virtual, e daí dinheiro com as visualizações.  Eu comecei a gravar vídeos para o Youtube antes do boom de youtubers, em 2008. Recebi tanto hate, como o Kiko, de resto, mas, à diferença dele, não insisti. Apaguei tudo e criei este blogue, um espaço mais reservado, que porém nunca me deu nada. Não é que eu quisesse fama ou dinheiro, não; é ver que gente com muito menos capacidades do que eu chegou lá, e eu não. Fiquei pelo caminho. Não só nestes meios virtuais. Em tudo.

  Quando me matriculei na Faculdade de Direito de Lisboa, o meu pai foi comigo. Nesse dia -quem conhece a FDUL sabe como é- estavam imensas "barraquinhas" dos vários partidos políticos ao longo da sua ampla entrada. O meu pai disse-me: "Mete-te na política". Não o fiz. Hoje poderia ser alguém de sucesso, renomado, cheio de dinheiro. Não tenho mais do que aquilo que preciso, contudo, está sempre aqui o "e se?". E se tenho arriscado no Youtube naqueles anos? E se tenho entrado na política como o meu pai me aconselhara? E se?

   Sinto que passei ao lado de uma grande carreira, de uma grande vida, e só me posso culpar a mim mesmo, pela inércia; porque a verdade é que não gosto de fazer nada. Sou demasiado preguiçoso, indolente, e em tudo há que ter determinação; capacidades não me faltam: sei o que valho; sei que, além de inteligente, sou esperto e tenho lábia. Falta-me o resto: determinação, sentido de oportunidade, obstinação, inteligência emocional.

    Agora será demasiado tarde. Ficam a mágoa e a revolta - e a culpa, a quem só posso atribuir a mim.


18 de maio de 2026

Das séries.

 

   Eu gosto de ter algo para acompanhar. Uma série, por exemplo. Já vi muitas ao longo destes anos. Gostei imenso de Guerra dos Tronos, Pose, Walking Dead, Breaking Bad, entre outras. Tenho, além da Netflix, HBO e Amazon Prime, estas duas porque vêm incluídas no meu pacote da Vodafone Casa. Ultimamente não consigo empatizar com nenhuma série. Tenho tentado com várias, algumas até renomadas, como Mad Men, Os Sopranos, etc, e não me prendem ao ecrã. Não me considero muito exigente, mas é certo que tão-pouco consigo gostar da primeira coisa que me põem à frente. Para contornar este "problema" de não ter algo para acompanhar, assinei uma aplicação de novelas brasileiras, a Globoplay. Tenho acompanhado uma novela que vi em 2004 e da qual gostei, Da Cor do Pecado. Há pessoas com preconceito relativamente ao formato novela. Eu não. Só quero ter algo para poder acompanhar e manter-me distraído das redes sociais, que me ocupam demasiado tempo, tempo que poderia aproveitar melhor. Eu sou eclético com os meus gostos, sejam eles quais forem. Se gosto, gosto, pouco me importando com rótulos absurdos.


17 de maio de 2026

Dia Internacional Contra a LGBTfobia.


 Hoje assinala-se o Dia Internacional Contra a LGBTfobia. Se fosse há dez anos, eu não diria nada e provavelmente até me oporia a esta celebração. Actualmente, não. Vejo um ressurgimento do ódio contra as pessoas LGBT, que me preocupa, mais ou menos como sucede com os comentários misóginos e machistas de uns jovens adultos do sexo masculino, e de outros menos jovens. Estamos a regredir em valores e ética depois de décadas de progresso. Não podemos permitir que assim seja. Espanha, o país em que vivo, continua a estar na linha dianteira do combate à LGBTfobia, e orgulho-me disso. Portanto, sim, este dia não só continua a fazer sentido como mais do que nunca tem sentido, verificando a degradação dos últimos dois / três anos no que respeita à situação das mulheres e das pessoas LGBT.