27 de maio de 2026

Maus avós.

 

   Não tive a sorte de ter uns bons avós, nem do lado materno, nem do paterno. Talvez tão-pouco tenha sido um bom neto. Isso não vem ao caso. O meu avô paterno era um homem particularmente mau: egoísta, grosseiro, mau-carácter. Quando eu tinha em torno de 14 ou 15 anos, disse-me algo que me marcou profundamente, uma das inúmeras barbaridades que ouvi da sua boca:


"A neta sim vai ser alguém na vida; tu não"


   É crudelíssimo ouvir tais palavras de um adulto com o qual mantemos um vínculo familiar tão próximo, e numa idade difícil como o é a adolescência. Com o a neta, referia-se à minha prima. Éramos apenas dois netos, e há tantos avós com montes de netos que conseguem guardar amor por todos da mesma forma. No caso dos meus avós paternos, embora fôssemos apenas dois, o seu coração era tão pequeno que só conseguia albergar amor pela minha prima. Pela casa, havia fotos da minha prima em cada divisão, espalhadas por todo o lado, e nem uma única minha.

   Sucede que o destino é curioso, e aqueles que tinham o dever de cuidar de nós e inclusive de saber mais que nós também se enganam. Hoje sou um tipo com uma vida muito confortável. Mesmo muito confortável. Mudei de país, tenho a minha casa e as minhas coisas. Conforto, dinheiro. E a neta é uma pelintra, miserável, que aos 38 anos vive com a mãe num dos piores subúrbios de Lisboa, Santo António dos Cavaleiros. Parece que o meu avô estava enganado, na sua ignorância, falta de tacto e de discernimento.


26 de maio de 2026

Eu sou a inveja das bichas de Portugal.


   Tenho um marido, médico, que me ama e cuida de mim. Tenho um chalé com jardim e piscina. Tenho mais bens imóveis. Tenho dinheiro numa conta na Suíça. Farto-me de viajar, quer dentro de Espanha, quer no estrangeiro. Tenho dupla nacionalidade. Não preciso trabalhar. Vivo de rendimentos. Compro o que quero, quando quero. Sou ou não sou afortunado? Eu sou a inveja das bichas de Portugal.


25 de maio de 2026

A Pérgola de Jardim (Parte II).




 Agora só falta a relva artificial. Está linda, não?

23 de maio de 2026

A Pérgola de Jardim.


   Chamo-lhe pérgola porque é como lhes chamam aqui, em Espanha. Já vivo aqui há anos. Vou perdendo o contacto com o português europeu, se bem que, mesmo quando morava em Portugal, não sabia o nome destas coisas. Basicamente, são umas estruturas de alumínio, ou outro material (no nosso caso de alumínio), que se instalam e que ficam ali o ano todo, a priori vários anos - e por isso são tão caras. São bastante funcionais, sobretudo no Verão, porque podemos estar no jardim, à noite, a jantar fora de casa, ou simplesmente a aproveitar as noites quentes. No caso da nossa, é ventilada, porque tem um tecto que abre lateralmente -um género de barras-, o que permite que ventile e que se evite o "efeito estufa". Comprámos uma. Ligámos para uma empresa de construção com a qual já trabalhámos antes, que mandou um dos seus homens a montá-la. O meu marido ajudou. São precisas de 2 a 3 pessoas e leva cerca de 3/4 horas. Vai fixa ao chão, claro está, porque é uma estrutura pensada para ficar todo o ano, permanente, e para aguentar ventos e chuvas. Além de nos permitir desfrutar do jardim, é esteticamente bonita, valoriza a casa e gosto de vê-la ali. Vamos, ainda, montar uns móveis de jardim, uns sofás e uma mesa, que ficam dentro da pérgola, e pronto, ficamos com um espaço bonito e funcional no nosso jardim, que estamos a fazer pouco a pouco, muito pouco a pouco, porque é apenas o meu marido quem cuida do jardim -eu não levo o menor jeito-, e ele, infeliz ou felizmente, tem pouco tempo. É agradável ir vendo que a casa vai ganhando jeito, vai ficando como queremos, já que o anterior proprietário, que nunca aqui habitou, era um desastre.