10 de março de 2026

A saúde mental.


    Os problemas de saúde mental foram, durante décadas, negligenciados pela sociedade, em geral, e inclusivamente pela medicina, em particular. Como se fossem algo menor. Só recentemente, nas últimas décadas, começámos a entender os problemas de saúde mental como uma faceta mais do bem-estar de qualquer indivíduo; que, quando existem, devem ser tratados, acompanhados. Quem não se lembra do tempo em que literalmente nos metiam um género de picador de gelo no lobo frontal para destruir conexões cerebrais e, assim, tornar-nos mais “calmos”? Chamava-se lobotomia, hoje em dia está considerada um dos períodos mais negros da história da medicina, e curiosamente foi desenvolvida por um português.

  Eu padeço deste há muitos anos a esta parte de problemas de saúde mental. Durante anos, demasiados anos, sem qualquer tipo de acompanhamento ou medicação. Já há uns sete, seis anos, comecei a fazer medicação para controlar determinada sintomatologia, nomeadamente as minhas mudanças de humor e, na altura, uma agressividade derivada em grande parte da minha frustração com situações em concreto pelas quais passava naquele momento. Essa medicação supôs uma enorme alteração para mim, na medida em que fiquei mais calmo e com o humor mais estabilizado. Psicoterapia não faço porque não sinto essa necessidade. Frequentei alguns psicólogos e até psiquiatras e não senti que beneficiasse dessas sessões. Coisa distinta é a medicação, que de facto me é essencial para conseguir manter o mínimo de normalidade e tranquilidade.

    As causas deste meu quadro de saúde mental são por mim conhecidas: disfuncionalidade familiar, discriminação que começou numa idade precoce e componente genética. Digamos que se juntaram todos os factores. As minhas avós, de ambas as partes, não eram exactamente um modelo de estabilidade mental; já os meus pais herdaram algumas características, e por inerência eu também.

9 de março de 2026

António José Seguro.


  Eu não votei no actual Presidente da República. Entretanto, em Portugal, ao contrário do que sucede aqui em Espanha, o Chefe de Estado é eleito democraticamente pelos cidadãos, pelo que me resta desejar um mandato auspicioso a António José Seguro, o que, por conseguinte, seria bom para Portugal e os portugueses, onde me incluo.

     Gostei do seu discurso de tomada de posse. Foi coerente com o que demonstrou na campanha eleitoral, estabelecendo prioridades, apontando desafios e comprometendo-se a procurar encontrar soluções, em cooperação com os demais órgãos de soberania. O tempo dirá se é letra morta, ou não. Por enquanto, será o meu Presidente da República. Demos-lhe margem de acção. Que desfrute deste período de glória, enquanto ele durar.

7 de março de 2026

Os sobreviventes.


   Eu, o Namorado e o Francisco somos como aqueles resistentes das séries apocalípticas. Entendamos a blogaysfera como o mundo. Algures por 2016/2017 d. C., caiu um meteorito que arrasou estes meios (o meteorito Tik Tok, entre outros), e apenas sobreviveram uns. Somos nós. Andamos assim, no meio do mundo pós-apocalíptico, a tentar reconstrui-lo. Ajudamo-nos mutuamente, visitando os espaços um dos outros, e fazemo-lo, creio eu, de forma altruísta. Pelo menos falo por mim. Eu não visito os seus espaços porque espero que eles visitem o meu. Eu visito os seus espaços porque gosto de saber como vão e o que fazem, da mesma forma que gosto de interagir com eles. De 2008 a 2010 o meu blogue não recebia visitas, porque eu também não visitava ninguém. Era um exercício de escrita essencialmente para mim.

   Claro que, como em todas as séries, há alguém que destoa. Aqui também. Há um personagem que se crê melhor do que os outros, que não lê ninguém e que apenas gosta que o sigam e o comentem. E que, de quando em vez, faz umas visitas de circunstância, “para não parecer mal”. Entretanto, se ainda existe uma blogaysfera, se ainda há sobreviventes que insistem em que este espaço merece a pena e que há que ser reabilitado, esses somos nós os três, e mais ninguém.

6 de março de 2026

António Lobo Antunes (1942-2006).


   A morte de António Lobo Antunes deixa um silêncio profundo na literatura portuguesa. Parte um dos maiores escritores da nossa língua, uma voz única, intensa e implacável, que transformou a experiência humana, a guerra, a memória, a culpa, a família, o amor e a solidão em literatura de uma força rara.



   O eterno Prémio Nobel da Literatura que nunca o recebeu. Uma injustiça enorme cometida contra um dos maiores escritores de sempre da língua portuguesa. Em todo o caso, ele também dele não necessitava, e enjeitou-o, inclusivamente.