12 de setembro de 2021

11/09/01, 20 anos.

   
   Foi há precisamente 20 anos, mas poderia ter sido ontem. As memórias permanecem nítidas. Tinha faltado ao primeiro dia de aulas por capricho. Ia almoçar com os meus pais quando se deu o primeiro embate. Julgou-se um terrível acidente. No momento em que nos preparávamos para nos sentarmos à mesa, já com os olhos postos na televisão, surge um segundo avião que nos deu a certeza de que tudo fora deliberado.

   Mudou o mundo e o nosso entendimento sobre ele. O 11 de Setembro, tão dramático que se apropriou de uma data do calendário, deu início a uma nova era no dealbar do século XXI. Uma era securitária, de guerras preventivas, de choque entre civilizações e religiões, de incumprimento dos preceitos do direito internacional. Todos passámos a ser potenciais vítimas e suspeitos. Os seus efeitos prolongar-se-ão por tempo indefinido.




10 de setembro de 2021

Jorge Sampaio (1939-2021).


   Em Portugal, quem morre perde todos os defeitos. Os erros eliminam-se, apagam-se das biografias pessoais. Jorge Sampaio, falecido hoje, não era uma figura que inspirava antipatia. Não era, efectivamente. Consta, do seu percurso político, o activismo contra a falta de liberdades na fase final do Estado Novo, a luta pela implementação e consolidação da democracia e, décadas depois, o empenho na defesa dos direitos humanos. A César o que é de César. Entretanto, moveu-se por interesses de natureza partidária e afinidades políticas. Fez um juízo, já si discricionário, de instabilidade em 2004, quando havia uma maioria parlamentar favorável. A sua actuação conduziu à vitória do PS, o que é normal em democracia, porém, à ascensão de uma figura sinistra chamada José Sócrates. Esse feito, que leva a assinatura de Sampaio, em grande medida, tem sido assinalado hoje, e é bom que o seja.

    O seu segundo mandato conheceu períodos conturbados, desde logo em finais de 2001, quando Guterres pediu a demissão (na sequência da derrota nas autárquicas) e a dissolução do parlamento levou à vitória do PSD de Durão Barroso e, três anos depois, o já citado episódio com o governo de Santana Lopes. E se é certo que as análises à distância e quando não se ocupam cargos de responsabilidade são mais fáceis, Sampaio abriu um precedente inédito, que tentou justificar, ou explicar mais tarde, e que ele soube, e nós sabemos, que a bem ou a mal escreveu a página das suas memórias, que são as nossas, que melhor recordaremos pelos piores motivos.

9 de setembro de 2021

Aquashow.


    Durante a minha estadia no Algarve, um amigo levou-me a um parque de diversões aquático pela primeira vez. Eu não sou nada aventureiro, nada. Ver aquelas atracções todas, com escorregas, montanha russa, pistas etc, encheu-me de medo. Não queria ir, mas com tanta insistência acabei por aceitar. Além disso, e embora não seja nada aventureiro e corajoso, sou tremendamente curioso, e há um lado em mim que quase me obriga a viver certas experiências para ter o que contar.

    O parque fica situado em Quarteira. É enorme, e eles dizem -o meu amigo corroborou- que é o mais completo do país. Está dotado, a par das atracções que o tornam apetecível, de piscinas: tropical, para nadar e uma que, de tempos a tempos, gera ondas artificiais. Dispõe ainda de uma piscina-jacuzzi de água quente com tempo cronometrado, senão muitos (incluindo eu) não sairiam dali.

   Das ditas atracções, umas são pistas individuais sem bóia, ou seja, lançamo-nos sem qualquer acessório; depois há aquelas individuais com bóia e algumas que permitem duas ou mais pessoas numa bóia. Escusado será dizer que eu não me atrevi a entrar em nenhuma individual, por medo, e fiz praticamente todas a dois ou mais (éramos três). E fui à montanha russa.

    O que mais receio me provocou foi a velocidade que as bóias atingem. Impulsionadas pela água (algumas com jactos), aquilo vai por ali afora de modo descontrolado. A bóia gira, inclusive pode-se virar, e nós no meio. Não houve nenhum momento em que me tenha sentido em perigo -é um parque moderno, concorrido, com fiscalização. É aquela sensação de descontrolo e desgoverno, aliados à novidade, que me fizeram ficar apreensivo. Longe vão os tempos daqueles parques aquáticos em Portugal que levaram à morte de duas crianças.

    Em que atracções andei? Pois bem, foram elas: o Riverslide, o Shark Slide, a Montanha Russa, o Thunder Cruise, o Mammothblast e o Lazy River, mais as piscinas. Houve alguns em que, mesmo acompanhado, não tive coragem de me meter. Para mim e para uma primeira vez, foi mais do que poderia esperar (acreditei que nada faria).

     Uma vez que andamos pelo parque, que é extenso, e deixamos os nossos pertences por ali mesmo, nos vários jardins habilitados para o efeito, não levei o telemóvel, por precaução. Assim mesmo, eles têm um staff encarregue de nos tirar fotos (que depois vendem a um preço escandalosamente elevado para o que é). Porque foi um inédito e provavelmente não me meterei de novo em algo assim, comprei as minhas fotos na montanha russa e na piscina de ondas. Duas recordações.

6 de setembro de 2021

Férias (V) - O Algarve e a inquietação.


   Fica desde já prometido que esta é a minha última publicação sobre umas férias que começaram nas Canárias, passaram pela Finisterra e terminaram, como vem sendo habitual desde há uns anos a esta parte, no Algarve, em Vilamoura, onde estive praticamente quinze dias. E já temos planos para uma viagem, no final de Outubro, a Roma, Florença, Atenas ou Amesterdão, que o M. ainda tem quinze dias por gozar. Tenho andado a pensar acerca da cidade a escolher, com ligeira preferência pela capital italiana.

   Cada vez se torna mais difícil para mim ir a Portugal. O único que me liga àquele país é a minha mãe, e eu diria também o meu pai (porque fica bem), se bem que, em verdade, há anos que não lhe ponho os olhos em cima. Falamos diariamente pelo chat. Não necessito de mais.

    O Diesel ficou no apartamento. O M. cuidou dele como pôde, que a vida de um médico com plantões de 48h não lhe permite muito mais. Levava-o a passear quando chegava a casa ou nas horas mortas, uma a duas vezes por dia, o que é pouco. O cãozinho também é outra fonte de preocupações quando me ausento, e a última vez fora há precisamente um ano. Não o deixei de novo no hotel para animais porque o M. me garantiu que ele ficava bem. E ficou. Alguma solidão passou, mas ficou bem, na sua casa, na sua cama.

    Quando estou , a cabeça e o coração ficam cá. A sensação, ao regressar, é a de um dever cumprido, e é assim que encaro todas as minhas idas a Portugal. Não é um prazer. É um dever. Um dever que, espero, só se imporá de novo dentro de um ano. Agora, quero desfrutar de novo da minha casa, do Diesel e do M., que tanto me necessitam e que são, em rigor, a minha família.