6 de agosto de 2026

Ceuta.


   Como cidadão espanhol -sim, eu não sou apenas um português que vive em Espanha; eu sou espanhol-, tenho uma palavra a dizer sobre a invasão de Ceuta por milhares de marroquinos, apenas há uns dias. Não se trata de nenhuma crise humanitária, como afirmam os extremistas de esquerda, lunáticos, desde o conforto das suas casas. Ceuta é, neste momento, uma cidade perigosa. Os ceutís têm medo de sair à rua, de fazer a sua vida normal. Comércio e serviços estão fechados. O medo é generalizado. Embora os socialistas afirmem que estão a repatriar os invasores, segundo vários ceutís -mantenho-me em contacto com alguns-, cada vez são mais, e não se vê um fim à vista. Pedro Sánchez e a permissividade do governo espanhol com o regime autoritário marroquino são os responsáveis pela invasão, que evidentemente foi orquestrada por Rabat para pressionar Espanha no sentido em que abdique dos seus legítimos direitos sobre Ceuta e Melilla, duas cidades tão espanholas como quaisquer outras na península. Exigimos uma posição firme do governo espanhol e a retirada imediata de todos os invasores, sem qualquer ressalva.

1 de agosto de 2026

Heartstopper.


   Comecei, há dias, a ver uma série na Netflix que estou a adorar. Chama-se Heartstopper, e é uma espécie de drama adolescente. Muito simples, é para ver sem grandes expectativas. A história é despretensiosa, mas, e aí está o encanto para mim, toca numa fase da minha vida que foi bastante difícil: a adolescência. A minha foi péssima. Não tive nada daquilo que queria. Faltou-me tudo, desde logo um ambiente são, equilibrado, amigos, boas experiências. Foi um caos, um caos que se repercutirá para sempre, porque nós somos camadas daquilo que vivemos. Esta série compõe aquilo que eu queria ter vivido e não vivi. E há um lado curioso: é que há mais de vinte anos comecei a escrever um género de romance adolescente -quando eu próprio era adolescente- que se parece muito com esta série. Os personagens, as suas características. Parece ter havido uma transmissão qualquer de ideias entre mim e a autora, ou então as minhas aspirações de adolescente são mais comuns do que pensava. Inclino-me para esta última. É uma série LGBT inspirada nuns comics cujo nome é igual.

24 de julho de 2026

A resistir... até quando?

 

   A blogo morreu. Agora morreu de vez. Os mais resistentes desistiram. Eu hesito entre deixar de publicar, isto é, deixar o espaço ao abandono, ou fazer uma última publicação onde me despeça definitivamente, em género de "o fim", "adeus", algo do género. Era o que faziam os que, há uns anos, deixavam os blogues, e pergunto-me se não fizeram bem, no momento certo, quando havia alguma actividade, do que simplesmente, como eu faço, deixar arrastar isto como um moribundo desgraçado que deambula pelos corredores do hospital. Sinto-me numa encruzilhada. Por um lado, tenho carinho a este espaço. Foram -são- 18 anos de palavras, sentimentos, reacções, pensamentos. Por outro lado, fará sentido continuar aqui a deixar publicações de circunstância? Digam-no vocês, se porventura continuarem aí.


20 de julho de 2026

Campeones del Mundo 2026.


   Hoy esta publicación va a ser un poco diferente. La voy a escribir enteramente en castellano, mi segundo idioma. Ayer nos hemos consagrado campeones del mundo por segunda vez, en Nueva York, frente a Argentina, en un partido que dominamos completamente. Fuimos mejor equipo, hemos jugado mejor, hemos generado más oportunidad de marcar un gol, que surgió alrededor del minuto 105. Manuel y yo estábamos en un bar. A él no le importa el fútbol, pero a mí me gusta disfrutar de estas finales en un lugar donde la gente esté a gusto, vibrando con su selección. Hice lo mismo con Portugal en la Eurocopa de 2016.




   Este es mi primer mundial. Mi Mundial con España. Ahora sé lo que es ser campeón del mundo. Si fuera solo portugués, probablemente jamás lo sabría. España lo merece, por su juego, por su calidad, por su determinación en campo. Es un día muy feliz por aquí. La gente está contenta, y eso se ve en las camisetas y las banderas rojas y amarillas que decoran las calles, los balcones y las ventanas. ¡Y viva España!