6 de maio de 2026

A nova lei da nacionalidade.


  Ao que tudo indica, o Presidente da República promulgou o diploma da nova lei da nacionalidade. Eu não conheço o conteúdo exacto da lei, não saberei muito mais que vocês - estava informado quando cursava Direito. Pelo que li, as regras para a aquisição da nacionalidade portuguesa ficam mais restritas, o que me parece muitíssimo bem. A nacionalidade portuguesa era praticamente vendida. Ainda me lembro de uma imagem na Índia onde se dizia algo como “vende-se nacionalidade portuguesa”. Qualquer um, em menos de nada, tinha o passaporte português, que estava ao desbarato. Segundo sei, o prazo para a naturalização aumenta, bem assim como se exigirá um exame de conhecimentos da realidade social e política portuguesa. Aqui em Espanha é assim. Eu, para ser espanhol, tive de fazer um exame de língua castelhana e outro de conhecimentos socioculturais de Espanha. Beneficiei de um prazo reduzido, é certo, sendo que o meu caso não tem nada que ver com o dessa gentalha que vem do Brasil, de África e sabe-se lá de onde com o único intuito de ter um passaporte português, e por conseguinte comunitário: em primeiro lugar, já era cidadão da UE, por ser português, ou seja, a cidadania espanhola não me veio trazer nenhum benefício do ponto de vista da mobilidade europeia; em segundo lugar, um português é ibérico, peninsular. A integração em Espanha é bem vista pelo Estado espanhol, é fácil, sem obstáculos linguísticos ou culturais de relevo. Espanha e Portugal são muitíssimo semelhantes, e as autoridades espanholas sabem-no perfeitamente. Menos mal que este governo -refiro-me ao português- parece disposto a pôr termo à bandalheira dos governos socialistas, sobretudo o de Costa, que escancarou Portugal à invasão imigrante.

4 de maio de 2026

XVIII Aniversário.


   O aniversário foi ontem, contudo, como decidi publicar a minha apreciação sobre o filme de Michael Jackson (tinha acabado de sair da sala de cinema, e gosto de escrever sobre os filmes e os livros que leio a quente), decidi adiar para hoje a publicação sobre o aniversário do blogue. Dezoito anos. Um miúdo que tenha nascido no dia em que criei este espaço entra hoje na maioridade legal. É extraordinário. Bom, se eu pensar bem, tratando-se de mim, não é algo tão incomum: eu sou de preservar o que tenho, e isso é extensível ao mundo virtual. Há quem crie mil contas em poucos anos. Eu mantenho as mesmas. O meu X, antigo Twitter, começa, também ele, a ficar vetusto.

    Não tenho muito mais a acrescentar nesta efeméride do blogue que ainda não tenha sido dito nos dezassete posts de aniversário dos anos anteriores. É muito tempo, e para um espaço virtual é quase uma vida. São quase dois mil posts, a esmagadora maioria deles -e aqui sinto de facto orgulho- com bastante qualidade, bem redigidos, bem pontuados; milhares e milhares de palavras, ideias, comentários e respostas; bloggers conhecidos, e outros que nunca conhecerei - porque já não vivo em Portugal, mas, sobretudo, porque fechei a porta a isso. Aliás, nem deveria ter conhecido ninguém. Queria deixar uma palavra também para as dezenas de pessoas que, ao longo destes dezoito anos, passaram por aqui para deixar um bocadinho de si: com algumas ainda mantenho contacto, outras perdi-as de vista, muitas preferiria que nunca tivessem passado por aqui e, outras, e com pena o digo, já nem estão entre nós.

     Este blogue venceu o tempo -o principal desafio-, as crises de falta de inspiração, mudanças de casa e de vida, de país, mortes de familiares directos, uma pandemia… é bastante provável que siga comigo uns anos mais, sempre até que me faça sentido. Por último, obrigado aos que ainda estão desse lado e que também fazem com que isto tenha sentido.

Mark

3 de maio de 2026

Michael.


  O filme de Michael Jackson não foi escrito inocentemente. Michael é retratado de forma quase pueril, superficial. O script não é inovador, no sentido em que a fórmula é previsível: um menino pobre, que cresce num entorno difícil, com um pai abusador, que é descoberto por uma caça-talentos e fica famoso. Seguramente que a vida de Michael Jackson daria para muito mais. Sem omitir o que realmente aconteceu, a abordagem poderia ter sido outra.

    Em todo o caso, o mais notório é que o percurso de Michael parou em 1988, com o álbum Bad. Deliberadamente omitiram os anos 90 e os escândalos de pedofilia que atingiram o artista. Não foi ao acaso. Quando descobrimos que o actor que faz de Michael é o sobrinho dele, Jaafar Jackson, desde logo intuímos que a família Jackson está por detrás da estória, controlando-a ao pormenor. O filho mais velho de Jackson foi produtor executivo da larga metragem.





     Tudo foi polémico na vida pública de Michael. O filme não seria excepção. Tornou-se um dos mais vistos de 2026 e já superou em muito os gastos de produção. Eu, embora tenha gostado, considero-o pouco ambicioso, demasiado focado nos anos áureos de Michael e explorando pouco o seu lado mais introspectivo. O personagem como que flutua num limbo de superficialidade, faltando-lhe algo que lhe dê corpo, emoções, veracidade. Supera-se, isso sim, na caracterização, nos figurinos, efeitos, e música, claro está.

29 de abril de 2026

40.


    Quando penso que hoje cumpro 40 anos, sinto um misto de sentimentos. Por um lado, certo orgulho. Não é uma idade longeva, não, e menos ainda no século XXI, mas para uma pessoa que sempre foi enfermiça, desde criança, é um logro. Por outro lado, penso nas pessoas que já não estão, e que nesta data me davam sempre os parabéns: a mãe, o pai, a avó paterna. Cheguei aqui também devido aos cuidados deles, e da minha bisavó Palmira, que perdi mais atrás. Sinto ainda uma responsabilidade qualquer que não sei definir muito bem o que é: ter quarenta anos implica determinado comportamento que não sei se estou preparado para dar. Começo a ser um senhor. Não um senhor de idade. Isso será mais à frente, se lá chegar. Apenas um senhor. Para quem foi toda a vida um miúdo, um rapaz, um jovem, é uma nova fase, uma nova forma de olhar para mim, para quem sou.

  Não sei o que me espera nesta década. Irei tentar vivê-la da melhor forma, com a família que tenho, que se resume ao meu marido. A minha vida tem sido assim, e creio que já o disse: um período de estagnação, um terramoto, seguido de outro período de estagnação e de outro terramoto. Com extinções em massa. A última levou toda a família que conheci durante a minha existência. Há dez anos, eu era uma pessoa, uma pessoa que não existe mais. Nada resta daquele (ainda) rapaz de trinta anos: nem o entorno, nem a casa, nem as dinâmicas. Nada. Essa dúvida sobre o que virá existe sempre, porque a maior parte das pessoas tem uma linha de continuidade nas suas vidas. Eu não. 

  Não adianta antecipar o que desconheço. E entro assim, na ternura dos quarenta, que espero realmente que seja terna e calma. Necessito.