5 de junho de 2024

A horta.


   Há muitos lados bons de ter uma casa no campo, e um deles é ter uma horta. Bom, depende do tamanho do terreno. No nosso caso, temos um terreno de mais de 1.700m2. É bastante. Dá para o jardim, as árvores de fruto (e temos macieira, cerejeira, pereira, ameixoeira, etc) e também para a horta. Nos últimos dias, então, dedicámo-nos a fazer a nossa horta, e uma vez que não temos nenhum tractor, não quedó otra que cavar a terra e depois semeá-la. Plantámos alfaces, beterrabas, cebolas, tomates (duas variedades), pimentos, alhos, pepinos, abóbora. Acho que mencionei tudo. Agora é regar, mimar e esperar.

     Deixo-lhes uma fotinha da horta. :)




1 de junho de 2024

Taylor Swift.


     Não sei se vocês têm estado atentos às notícias. Eu, regra geral, sim, e surpreendeu-me o destaque dos média portugueses a Taylor Swift e aos seus dois concertos de Lisboa. Aqui em Espanha também houve alguma cobertura mediática, menos, parece-me.

    Mas quem raio é a Taylor Swift, pergunto eu? Uma cantora nascida em 1989, que canta uma música que, enfim, há gostos para tudo, mas o que é que fez de relevante para merecer tanto destaque? Se fosse uma Madonna, uma Cher, eu compreendia. Há veteranas que de facto ousaram numa época onde era difícil ousar-se, abriram caminho e conquistaram um lugar que a idade e os anos de carreira impõem. Agora, esta tipa -e não tenho nada contra nem a favor da rapariga- fez o quê? É que foi um histerismo autêntico. Quando as massas se movem num sentido, eu fico algo assustado.

     Compreendo que haja uma geração que goste e se divirta. O fenómeno não é de agora; o que há agora que não havia antes são as redes sociais. De resto, os nossos pais veneravam os Beatles, o Elvis; nos anos 80, já as meninas desmaiavam -literalmente- pelo Michael Jackson. Isto não é de agora. Diz mais do mau jornalismo do que das tendências, que são o que sempre foram desde que surgiu a cultura pop. Parece que não há nada de mais importante a acontecer no mundo…

15 de maio de 2024

José Castelo Branco.


   Simpatize-se ou não, este senhor conseguiu pôr o país todo, mesmo todo -incluindo jornalistas de renome-, a falar dele durante dias a fio. Eu, por José Castelo Branco, não sinto nada. É verdade que algumas das suas bichices me dão vontade de rir, o que se verificava sobretudo há uns vinte anos, quando ele se tornou mediático. Portugal era mais cinzento, e Castelo Branco surgiu assim como uma personagem irreverente e profundamente diferente. Deu o corpo às balas, é certo, porque hoje já vai sendo comum ver homens maquilhados e vestidos com roupa feminina. Usar-se estes termos, como “roupa feminina”, é controverso. Eu acho que não há roupas femininas nem masculinas. Somos nós quem lhes colocamos rótulos. Refiro-o assim para me fazer entender.

   Entretanto, havia um aspecto que era quase consensual em Castelo Branco: a atenção que dedicava à sua esposa, a joalheira Betty Grafstein, inglesa radicada nos Estados Unidos que herdou um império do segundo marido. Independentemente dos motivos de Castelo Branco (com uns a dizer que se casara por interesse), a senhora aparecia sempre bem cuidada, estimada, ele parecia levantar-lhe a moral, e a mim parecia-me bem. Estas pessoas, a partir de uma certa idade, devem ser estimuladas, caso contrário acabam numa cama, prostradas, e parar é morrer. As acusações de violência doméstica vêm trocar-nos as voltas.

    Eu não sei se Castelo Branco é culpado ou inocente. Ninguém sabe, excepto ele e a alegada vítima ou quem terá presenciado as cenas de violência. Compete à justiça apurar a verdade. O que sei é que esta personagem granjeou muitos inimigos ao longo dos anos, pela sua personalidade e excentricidade. As opiniões sobre ele e a sua relação pública com Betty Grafstein são díspares. Há, evidentemente, um aproveitamento por parte de algumas pessoas que aparecem agora, vindas do nada. Há contradições, há aspectos que parecem não coincidir e há muita suspeição. Quanto a mim, até que se prove o contrário, prefiro manter uma postura cautelosa e acreditar na inocência de Castelo Branco.

6 de maio de 2024

Os 50 anos do 25 de Abril.


   Houve anos nos quais escrevi, aqui no blogue, sobre a Revolução. A determinado momento, não há nada mais para dizer. A história é conhecida, os intervenientes também. Todos os anos é a mesma ladainha. A Revolução de Abril de 1974 foi imprescindível para Portugal. Eu não o vivi, tal não me seria possível, mas conheço o retrato do Portugal da época: super atrasado, miserável, com uma taxa de analfabetismo a rondar os 30%, uma guerra colonial terrível. Demos um pulo, em liberdade e em modernidade. A Revolução foi um êxito. Ponto final. Os factos são factos. Entretanto, há muito a fazer, muitíssimo, que já deveria ter sido feito, e nem tudo o que fizemos, que foi muito, justifica o que não foi feito e deveria ter sido. Portugal continua na cauda da Europa Ocidental, e começa a ser ultrapassado pelos países de leste. Fomos num ascendente até finais dos anos 90, sempre a crescer, e depois estagnámos. É verdade que nem tudo depende da nossa vontade e competência -somos pequenos, periféricos, pobres em matérias-primas-, mas tem havido um autêntico descaso da classe política com o país. Eles são incompetentes e, como se não fosse suficiente, corruptos. 

    Eu, ao contrário de muitos, não acho que o 25 de Abril continue por cumprir. Acho que se cumpriu, e cumpriu bem o seu propósito: terminar com a guerra colonial, restituir as várias liberdades e desenvolver, este último no sentido de correr atrás do prejuízo. O resto é um imperativo lógico: adequar o país ao contexto em que se insere, uma Europa moderna, justa, solidária e desenvolvida, e aí continuamos a falhar.