24 de abril de 2026

Mudança de hábitos.


   O meu médico de família (que também é o meu marido) pediu-me uma ecografia abdominal, isto porque tenho esteatose hepática (fígado gordo). Eu já sabia disso, tenho alguns valores hepáticos alterados nas análises sanguíneas. Foi para controlo. Embora tenha mudado alguns hábitos menos bons, como a alimentação, em parte, continuo com o fígado dito “gordo”, então agora a mudança é radical. Eu sou muito sedentário, não ando (desde que conduzo é que não ando mesmo), não me controlo a comer, não faço exercício. Tudo mau, portanto, mas hoje decidi que as coisas vão mudar, e vão mesmo: todos os dias, de manhã, vou fazer uma caminhada de 40 minutos (já comecei hoje); ontem, agarrei em dois sacos do lixo e deitei chocolates, chouriços e bombons, tudo fora; comecei a beber dois litros de água por dia -odeio beber água-, porque a ecografia também detectou micro calcificações nos rins, e tudo o que é arroz, massas e batatas vai ser substituído por saladas e verduras. E isto é MESMO para cumprir. Isso já o interiorizei. Estou bastante determinado em melhorar o meu estado geral de saúde, e até é um bom mote para os 40 anos, que cumpro, se Deus quiser, em menos de uma semana.

22 de abril de 2026

Cristina Ferreira.


  Eu não vejo televisão portuguesa. Não tenho. Em casa tenho Vodafone, e não oferece a RTP internacional. Posso ver televisão portuguesa com apps da RTP, SIC e TVI. Não me compensa. Tenho a primeira, gratuita, e tive as outras uns tempos. São caríssimas e realmente não se justifica. Os ecos do que se passa em Portugal chegam-me pelos jornais online e as redes sociais, que hoje em dia conseguem cobrir bastante bem essa função informativa.

   Ouvi as declarações da Cristina Ferreira no seu programa matinal, sobre um caso de violação, e também não gostei. Não, não gostei, Cristina. Ela não vai ler, bem sei. Porque não é a primeira vez, nem a segunda, e dificilmente será a última, que esta apresentadora faz comentários misóginos ou pouco dignificantes. Não é não, Cristina. É mesmo. Sejam dois, três, quatro ou cinco, ou mais, num acto sexual. Ninguém se põe a jeito. Enganas-te outra vez. As pessoas são livres de ir onde querem e como querem. Ninguém tem o direito de assediar sexualmente, e por maioria de razão de cometer crimes mais graves. É lamentável que uma pessoa com poder -porque aparecer na televisão e comunicar para todo um público é ter poder- tenha tão pouco tino, juízo; que, em temas sensíveis, fale como se estivesse em casa ou numa mesa de café. E, por favor, não mexas mais na porcaria. É só pior.

21 de abril de 2026

Acusações.


   Fui alertado por um anónimo que uma certa macaca andou a caluniar-me e a injuriar-me -sem nunca referir o meu nome-. Eu desconfiei de quem fosse, porque é pessoa de quem não gosto, embora não lhe dê atenção. E li aquilo. E identifiquei-me. Reservo-me o direito de resposta.

     Primeiro, eu seguia o espaço da supracitada pessoa até 2021. Como em todos os blogues que sigo, comentava os seus posts. A partir de determinado momento, comecei a ser censurado. Eu sou uma pessoa sincera e frontal. Também nos espaços blogosféricos que sobram, os do Francisco e do Namorado, eu comento-os, e digo o que tenho a dizer, uma vez que, para mim, a amizade não é dar pancadinhas nas costas e dizer amém a tudo para encher as caixas de comentários. Essa pessoa, porque tem um ego enorme e gosta que lho cocem, deixou de publicar os meus comentários, e depois, de forma até de muito mau gosto, referiu-me explicitamente num post para humilhar-me publicamente. É para o lado que durmo melhor. Jamais utilizei nenhuma linguagem ofensiva ou deselegante no seu espaço, e creio ter anos suficientes na blogosfera que o atestam. Aliás, eu nem costumo usar palavrões no meu vocabulário. 

   Segundo, eu estive num jantar com essa pessoa. Nunca antes a tinha visto. Desde logo não gostei do que vi. Vi uma pessoa fútil, de ego gigantesco, como referi acima, pretensiosa, que queria ser o centro das atenções. Fazia-se acompanhar de um rapaz que, devo dizer, me deu certa pena. Estava calado, no seu canto, para deixar a beesha brilhar. Tudo foi alvo de comentários entre os presentes no dia seguinte. É tudo quanto sei dessa pessoa, mais um boato que me comentaram sobre um comportamento impróprio que teve com outro blogger, e que circulou por toda a blogosfera. 

   Terceiro, desde o momento em que essa pessoa me censurou e procurou humilhar-me, deixei de comentar no seu espaço, de a acompanhar, e é pessoa que -porque não deixo nada por dizer- assumidamente não gosto, mas tão-pouco incomodo. Ela está na sua vida e eu na minha. Refuto, por tanto, as acusações que me faz. Que tenha inimigos que a perturbam, é problema dela. Acho de muito mau tom que me acuse de algo sem ter nenhuma prova. E digo-o com a mais transparente das certezas: nada lhe fiz. É pessoa que não me interessa. Nunca me interessou. Nem quando me tentava seduzir por e-mail. E isto não é uma acusação, porque tenho provas disso.

     Quarto, e para rematar, o ego gigantesco vê-se quando confunde a minha antipatia com qualquer atracção minha por si (o tal crush), que, por favor, não tenho nem nunca tive, e porque não quis. Estou casado, estou feliz, e respeito muitíssimo a pessoa que está ao meu lado, na vida que construímos a dois há quase dez anos. Que apareça a primeira pessoa da blogosfera -com provas- que diga que a tentei engatar.

   Haja algo de bom no meio disto tudo: a blogosfera continua viva, no meio de tanta sujeira.

20 de abril de 2026

Não temos vida fora do virtual.


   Na sexta-feira passada fui fazer o meu DNI (Documento Nacional de Identidad). O equivalente ao Cartão do Cidadão espanhol. Aqui, o DNI faz-se nas esquadras da polícia, chamadas comisarías. Estava eu já há um bom tempo à espera, porque tenho aquele hábito de chegar sempre aos lugares com vários quartos de hora de antecedência, e reparo que sou o único que não está a mexer no telemóvel. Ao meu lado esquerdo, uma família: pai, mãe e dois filhos - todos com os respectivos smartphones; ao meu lado direito, uma senhora de meia idade, de telemóvel na mão. Ao lado dela, uma mãe com dois filhos. O mesmo. 

   Não, não venho aqui armar-me em defensor da velha guarda dos que levam livros para todo o lado, porque não o faço. Eu simplesmente, muitas vezes, deixo o telemóvel no carro porque preciso daquele espaço de tempo, nem que seja uma simples hora, sem estar conectado; sem ouvir as notificações do WhatsApp, do X, do Instagram. E digo-vos que não me causa nenhuma ansiedade. É algo que até me dá prazer, que me desanuvia. Infelizmente, não posso permitir-me (ninguém pode) a ficar assim horas e horas a fio, porque fico com a dúvida de que o meu marido possa precisar de mim, ou que algo se possa passar. Mas é bom. Experimentem. 

   Creio que já não conseguimos ter uma vida fora do virtual. Quando penso nisso, fico desanimado e com pouca esperança, porque estes espaços (não me refiro aos blogues, na actualidade) podem consumir-nos muito tempo e energia, energia que poderíamos utilizar noutras actividades mais proveitosas, além da toxicidade que há.