Pensei “escrevo em castelhano, este post”. Pensei melhor. Não. Se não me passam cartolina em português, em castelhano nem pensar. Como em Portugal se dá muito destaque à política internacional, imagino que saibam que Pedro Sánchez antecipou as eleições legislativas -que em Espanha se chamam elecciones generales- na sequência de várias crises. Em primeiro lugar, suspeitas de corrupção na sua família mais directa, mulher e irmão. A crise habitacional foi um dos factores decisivos (segundo) e, por último, a invasão de Ceuta, a machadada final num governo desgastado. Aqui, ao contrário de Portugal, que é uma república, não é o Rei quem decide dissolver o parlamento. O Rei reina. Não desempenha nenhuma função executiva, nem tem poder formal. É o próprio Presidente del Gobierno (o equivalente ao Primeiro-Ministro) que pede a dissolução do parlamento, aqui chamado Cortes Generales, e convoca eleições.
As sondagens -esses entes perversos- indicam que o Partido Popular (PP) deve ganhar. O VOX provavelmente aumentará bastante também, e com o PP terão maioria absoluta. Não se sabe ao certo se se coligariam. No poder local, há casos desses, mas sabemos que, quer em Espanha, quer em Portugal, o poder local rege-se por umas lógicas informais que escapam à rigidez dos alinhamentos ideológicos nacionais. O que parece quase garantido é que o actual partido do governo, o PSOE, será altamente penalizado.
Da minha parte, votarei pela primeira vez como cidadão espanhol. Para mim, será um momento especial; para Espanha, quiçá um momento decisivo. O mais decisivo das últimas décadas.


