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12 de março de 2025

SPA.


   Este fim-de-semana, aproveitando a folga do M., fomos a um SPA. A última vez fora há mais de dois anos. Eu adoro piscinas interiores de água tíbia, chorros de água, sauna, banho turco, tratamentos a gelo, massagens, etc. E tudo isso fizemos. Ficámos comodamente alojados num hotel 5 estrelas, a cerca de 75 quilómetros de distância. Um espaço muito tranquilo, acolhedor. Deu para relaxar. Deixo-lhes uma foto do magnífico pequeno-almoço na sala de refeições.



12 de janeiro de 2025

Adiamento.


   A minha avó materna morreu no dia 1 de Janeiro deste ano. Não necessitam dar-me os pêsames. Não a via há uns vinte anos, e sinceramente não era pessoa do meu agrado. Pouco convivemos. Ela morava no Alentejo; eu, em Lisboa. Via-a na Páscoa e no Natal, e nem sempre. Não foi uma boa mãe para a minha mãe, tão-pouco foi uma boa avó comigo. Era uma mulher difícil, meio bruta, um pouco perturbada mentalmente também (creio). 

  Sucede que a sua morte veio-me baralhar as contas, passo a expressão. Como lhes disse há uns tempos, eu movi um processo judicial contra a minha avó e a minha tia. Tendo morrido a mulher agora, antes do julgamento (que entretanto foi adiado do dia 6 de Janeiro para o dia 20 de Fevereiro por sobreposição de agendas), o mais provável é que a juíza suspenda a instância até se proceder à habilitação de todos os herdeiros, isto é, mais tempo, mais dinheiro e um adiamento do julgamento, o mesmo que dizer, do veredicto que pretendo. 

   Na altura que falei deste assunto não quis entrar em detalhes, e agora também não o farei. Digo apenas que este processo nada tem que ver com heranças ou dinheiro -geralmente as pessoas movem-se por dinheiro-. É uma questão muito antiga, delicada, que na verdade competia à minha mãe ter sido tratada, mas que ela, por displicência, indiferença e desconhecimento, não tratou. Afecta-me indirectamente, tenho legitimidade, e portanto sigo eu, para obter o reconhecimento de um direito, algo que quero muito, que mexe com a minha honra e com outros direitos pessoalíssimos e dos quais não abdico. Irei até ao fim, doa a quem doer, suceda o que suceder. 

18 de dezembro de 2024

De regresso, e Paris.


   Há umas semanas que não digo nada. Estive em Paris, de férias, e entretanto voltei doente. Apanhei uma gripe horrível no penúltimo dia, mas mesmo assim consegui cumprir com o plano integral da visita. Tenho estado em casa, quase sempre deitado, a recuperar. O frio não ajuda.

   Foi a minha primeira vez na Cidade Luz. Gostei de Paris, é uma metrópole de cultura e arte, mas achei os parisinos detestáveis. Não falam inglês (por maioria de razão também não falam castelhano), e portanto a comunicação com eles foi um bocado custosa. São tremendamente chauvinistas.

   Oito dias de muitas visitas. Pouco a pouco irei contar-vos por onde andei (também não é assim tão difícil adivinhar o percurso). Posso-vos dizer que não, não fui à Disneyland. Não tenho paciência para parques de diversões infantis. Tentei fazer um plano equilibrado. Claro que ficou muito por ver (Paris é uma cidade que exige várias visitas), porém, o principal foi explorado. Nos próximos dias serei mais exacto.

20 de novembro de 2024

Inversão de valores.


   Esta publicação não é mesmo (até sublinhei) nenhum tipo de recado ou indirecta. As coisas fazem-se no seu tempo e não se mexem mais. Resulta apenas de observações minhas através do tempo, observações atentas, e algumas conclusões. Minhas também. 

    Quer-me parecer que assistimos a uma inversão de valores. Já não há amor. Já não há bem-querer. Na dita comunidade gay, é realmente uma piada. E eu nem falo por experiência, porque tive a sorte de conhecer alguém muito, mas mesmo muito especial. Não tem um corpo escultural, como eu não tenho, mas tem um grande coração, bem trabalhado; um músculo forte, que o torna num ser humano lindo, luminoso, e qualquer pessoa que com ele lida fica deslumbrado com o seu sorriso radiante. É mesmo uma excelente pessoa, e eu agradeço a Deus, diariamente, tê-lo encontrado. 

     Hoje em dia, o sexo manda e as pessoas são brinquedos. Traem-se, mudam de parceiro constantemente, têm sexo com o parceiro e outros ao mesmo tempo, “relações” abertas… São livres. Claro que são. Como eu sou livre de lamentar tudo isto. Como eu sou livre de dizer que jamais me identifiquei com essas condutas, que me parecem, digamos, um nojo. Que me suscitam sentimentos repulsivos, o que me faz querer manter-me o mais afastado possível de pessoas assim. Não as quero perto de mim. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Talvez não seja bem assim, mas pelo sim, pelo não.

      Eu escrevia em diários, de adolescente. Destaca-se um pendor triste, sempre, e sobretudo a lástima pela falta de um amor. Não há uma única menção a sexo. Tudo o que almejei foi encontrar o amor, amar e ser amado, e isso foi-me concedido. Oxalá seja sempre assim. E se não for, jamais renunciarei aos meus princípios. São o que de mais valioso tenho. Sei muito bem o que quero. Quero amor, quero respeito. Consegui-os e tudo farei para os manter.

9 de novembro de 2024

Pensamentos aleatórios.


   Hoje serei curto. Em poucos anos, evoluí. Saí do país, moro no estrangeiro, conduzo, tenho um marido fantástico -médico- que me ama; uma casa linda, com jardim, piscina; um cão e uma gata maravilhosos; farto-me de viajar; compro o que quero, seja roupa, livros, móveis, artigos de decoração etc etc etc. E há quem não saia da cepa torta, e não vão sair jamais. Jamais. Porque quem nasce para ser lixo, uma coisinha insignificante, nunca chegará a lugar algum. Tenho Deus comigo, sempre. Disse.

28 de outubro de 2024

Um dia decisivo.


   Nos últimos dias, um certo nervosismo apoderou-se de mim. Eu sei o motivo. Aproxima-se -ainda que faltem mais de dois meses- a data da audiência de julgamento de uma situação familiar muito importante para mim. Por uma questão de privacidade, intimidade, não direi exactamente do que se trata, porém, posso afiançar-lhes de que é algo que me atormenta há muitos anos. Uma situação que a minha mãe deveria ter tratado atempadamente, e não o fez, por indiferença, displicência, apatia, desconhecimento. Um pouco de tudo. Afecta-me apenas de forma indirecta. Afectava directamente a minha mãe, que nunca se importou com aquilo. Cheguei-lhe a comentar o assunto, e ela reagia com total indiferença. O que ela queria era sossego e saúde. Suponho que a situação a tenha traumatizado -é impossível que não-, entretanto, sendo algo com tantos anos, estava enterrado no seu passado.

    Sem querer desvendar nada, porque é uma situação que ainda vai a julgamento e que além disso é muito íntima, digamos que tive de processar a minha avó materna, mãe da minha mãe, que ainda vive, e a minha tia. Arrolei umas poucas testemunhas (o que pude), e lá vou eu, a Estremoz, no dia 6 de Janeiro de 2025, à audiência de julgamento, com esperança de ganhar a causa; reticente, sendo um assunto tão antigo, doloroso, que mexe com sentimentos e envolve pessoas já falecidas (designadamente a minha mãe e o seu pai, meu avô).

   Aquilo que eu quero é que a justiça prevaleça, e a verdade está do meu lado. Não o digo como autor do pleito, senão porque é realmente o certo: eu tenho a verdade do meu lado, o direito que quero ver reconhecido não atenta contra ninguém, não envolve interesses de natureza patrimonial, portanto, o que faço, faço para obter alguma paz de espírito; é uma situação que me indigna. Ainda que não ganhe, pelo menos fico com a certeza de ter tentado, de tudo ter feito, e só essa ideia já me traz algum conforto. O que não suportaria era ser cúmplice de algo tão injusto -tão próprio do seu tempo, é certo, mas não menos injusto por isso-.


20 de outubro de 2024

Noite de Fados.


  Há dias fomos a uma noite de fados no Castelo de Maceda. Noite de fados com um jantar luxuoso. A artista chama-se María do Ceo. Trata-se de uma portuguesa radicada na Galiza há muitos anos. Além dos velhos êxitos de Amália, canta também poemas do seu repertório. A María deveria ser mais conhecida em Portugal. Canta muitíssimo bem. 


Bebemos um branco delicioso


A casa rural
A cruz -chamada de Cruzeiro- é muito comum na Galiza rural. Serve para afugentar os maus espíritos 


   Ficámos alojados numa casa rural simpática, por uma noite, já que no dia seguinte (domingo) teríamos de regressar por motivos laborais. Antes de partir, demos uma volta pelas redondezas. Naturalmente, fomos e viemos de carro próprio.

1 de agosto de 2024

A minha piscina.


    Foram 15 dias de trabalho. Não meu, é certo. Da empresa de piscinas. Eu não imaginava que uma piscina exigia tanta coisa: sala de máquinas (com quadro eléctrico, depuradora, filtro, eu sei lá), escavar para pôr os tubos, a electricidade para o motor e, eventualmente, se quisermos, um foco (nós quisemos, para a iluminar de noite). Além de toda a parte de isolamento. É muito trabalho. E seria mais se não estivesse já construída, isto é, quando comprámos a casa, em Abril, a parte de cimento da piscina já estava feita. Faltava o resto. E que resto.

     Hoje em dia, as piscinas deixaram de ser um símbolo de luxo. Há-as de todos os preços, de vários materiais, tamanhos, formas. Há-as clássicas -de cimento, no chão, como a minha-, mas também as há elevadas. Até de plástico. Qualquer um pode ter a sua poça para se banhar.

A minha piscina, e à direita um pedaço da minha casa


    A nossa ficou um pouco cara, é certo, mas compensa. Compensa porque eu não quis uma piscina para ostentar, mas para desfrutar. É algo de que gosto. Adoro piscinas, praia, mar, Verão. Agora há que cuidar do jardim à volta, que ficou em terra pelas obras. Deixo-lhes foto.

12 de julho de 2024

Dias.


   Ora viva! Bem sei que há mais de um mês que não publico nada. Não sou muito de encher chouriços. Quando não tenho nada para dizer, calo-me. Mas não me esqueço do blogue, nem das poucas pessoas que me lêem e que, suponho, pensarão em mim e em como estarei. Estou igual. Na minha casa, a que dedico o meu tempo. Para a semana virão os técnicos arranjar-me a piscina (a casa tem uma, mas falta terminá-la, ou seja, impermeabilizar, colocar um motor, por aí fora). Piscina, piscina. De chão. Enterrada. Não é dessas “banheiras” de plástico que se compram. De resto, tenho acompanhado o Europeu de futebol, torneios de que gosto, e pouco mais. É ir desfrutando da casa, da horta (as alfaces já estão enormes!), do jardim, dos meus bichos, e do meu marido, claro. Não preciso de nada mais. 

3 de maio de 2024

Venda do apartamento.


    Depois das mudanças, colocámos o apartamento à venda. Ali não fui feliz. Contei-no por aqui, e custa-me fazer propaganda a algo que não gosto. Mais, custa-me mentir. Como poderei escrever coisas nos anúncios como “vende-se fantástico apartamento, soalheiro, luminoso, sossegado” se seria tudo uma enorme mentira? É… isto tem um nome: escrúpulos. Os meus não me deixam fazer propaganda desonesta. Em todo o caso, tenho de vendê-lo. Nem tanto pelo dinheiro, que não necessito, senão porque, uma vez que não fui feliz ali, não é algo que queira manter como meu. Haveria a opção de arrendá-lo, contudo, sendo um tema que creio já ter abordado no blogue, em Espanha há um fenómeno social muito comum chamado okupas - que só agora começa a ter dimensão social em Portugal, timidamente-. Arrendar um apartamento é um risco: ao risco habitual de que nos estraguem tudo, ao não lhes pertencer, acresce o de deixarem de pagar a renda, e depois é um cabo dos trabalhos para os despejar. Se têm filhos pequenos então…

    Entretanto, hoje mostrei, pela primeira vez, o apartamento a um casal de hipotéticos compradores. Não lhes vi muito interesse. Eu tão-pouco consegui dissimular a minha falta de encanto com o apartamento, e tentei, tentei. Provavelmente sentiram o que eu senti desde o primeiro dia: que não seria feliz aqui, e não fui. O motivo que nos levou a ficar com ele é conhecido, e se não é, conto-o agora: o meu marido começava a trabalhar numa sexta-feira aqui, ninguém nos quis arrendar um apartamento devido ao facto de termos um cão, logo, não nos restou outro remédio que comprar um apartamento à pressa, sem poder escolher devidamente. Não foi a compra de uma vida, isto é, não foi excessivamente caro, mas convém, como dizem os espanhóis, quitármelo de encima.

26 de abril de 2024

Não, não morri (ainda).


   Olá! Passou-se um mês desde a última vez que postei no blogue. Ando atarefado, daí a ausência. Tem sido um mês intenso. Começando pelo começo, como se costuma dizer, comecei a conduzir. Tirei umas aulas de condução, comprei um carrito (usado, para ir aprendendo) e já conduzo. Comprámos uma casa no campo, a 7 quilómetros da vila onde vivíamos, porém, pertence a outro concelho. Aqui não há nada -o que eu queria; sossego-. Não há comércio, nada. Agora tão-pouco preciso, ao ter o carro. Todos os dias vou à vila deixar o meu marido, e depois vou buscá-lo. Já moramos aqui. É uma casa bonita, de pedra, com imenso terreno, e até tem uma pequena piscina. Estava (quase) pronta a entrar a viver. Tivemos de arranjar a bomba da caldeira de gasóleo (para o aquecedor central), instalar um esquentador novo, mudar a placa de vitrocerâmica… Fora isso e mais algum detalhe de que me esqueça, estava pronta a viver. Inclusive tem móveis, bonitos e de boa qualidade. Não foi muito cara. O antigo proprietário queria desfazer-se dela, tal como eu, agora, me quero desfazer daquele maldito apartamento onde vivi no último ano e meio, quase, e onde não fui nada feliz, nada mesmo. Péssimos vizinhos, sem vistas, imenso barulho de fundo. Fui do céu ao inferno, e agora tenho a minha casinha. Posso fazer uma horta, um jardim (inclusive já tenho rosas). Estou contente, na fase das mudanças, e sabe Deus o quão eu odeio mudanças -já fiz tantas na vida, e esta, vo-lo garanto, é a última-. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Naturalmente, não quero mais sair daqui, mas a vida é imprevisível. Nunca sabemos o que nos espera. 

    É tudo, por enquanto. Manter-vos-ei a par.

24 de março de 2024

Conduzir, uma vez mais.


   Eu tirei a carta de condução em 2011. A história começou em 2007. Matriculei-me numa escola de condução em Alfornelos. Ia às aulas de código todos os dias. Cheguei ao exame de código, aprovei. Bestial. Na condução, chumbei duas vezes. O exame de código caducou. Mudei de escola de condução. Voltei a fazer o código e a aprovar. Bestial. Consegui passar no exame de condução (a muito custo, à terceira tentativa, contando com as duas primeiras na anterior escola). E voltamos a 2011. Nunca mais peguei num carro. Em Lisboa, não é necessário conduzir, e além disso não me sentia minimamente preparado para o fazer.

    Agora vivo no rural. Queremos comprar uma casa numa aldeia pequenita, mas o meu marido trabalha numa vila, ou seja, e sem transportes, terá de ir todos os dias da aldeia para a vila. São cerca de 7km de carro. O M. não tem a carta de condução. No seu caso, percebe-se facilmente. Esteve 11 anos em medicina. É um curso muito exigente. Por isso, uma vez que eu já tenho a carta, terei de ser eu a levá-lo. 

    Eu conduzo mal. Morro de medo de conduzir, de ter um acidente. Sou péssimo. Entretanto, já me inscrevi numa escola para tirar umas lições de condução e, por fim, comprar um carrito e começar a conduzir. Estou apavorado. Serei capaz algum dia de o fazer? É um dos meus maiores desgostos, não saber conduzir. Porém, agora terá mesmo de ser. É agora ou nunca.

6 de março de 2024

Quatro anos em Espanha.


   Por estes dias cumprem-se quatro anos desde que vivo em Espanha. Quatro anos. O tempo passa a voar. O mais engraçado é que vim com bilhete de ida e volta. Não sei se já contei esta história. Eu e o meu marido conhecemo-nos nos finais de 2017, em Lisboa. Ele acabava o seu período como médico de formação (já estava licenciado, fazia os estágios necessários) e eu andava em Direito, a não fazer nada, por andar. Mantínhamos uma relação à distância fruto das nossas circunstâncias pessoais. Em 2020, numa das suas viagens para estar comigo, em Lisboa, combinou-se que eu iria muito em breve à Galiza para conhecer o território. Assim foi. Em finais de Fevereiro do mesmo ano, vim, com ideia de voltar em duas semanas, no máximo, até porque a minha mãe já estava doente.

    Depois tudo se precipitou. Fui ficando e ficando, e até hoje. A minha mãe foi a responsável em certa medida. As mães pensam mais nos filhos do que nelas próprias, e quando me dispus a voltar, disse-me para que não o fizesse, que aqui estaria melhor. E tinha razão. Eu vivia com ela e o seu companheiro, numa relação muito atribulada - dávamo-nos muito mal, eu e ele.

   Entretanto já mudei de casa, a minha mãe e o companheiro partiram, pelo meio foram-se o meu pai e a minha avó, perdi toda a família que me restava em Portugal e continuo aqui. A vida, o destino, Deus, o que lhe queiram chamar, leva-nos por caminhos imprevisíveis.

3 de março de 2024

Uma casa.


   Começarei por um pequeno resumo: quando vim viver para Espanha, fui para uma pequena aldeia de 2.000 habitantes. Arrendámos um apartamento, um lugar muito simpático, acolhedor, com umas vistas lindíssimas sobre os montes. Umas vistas de sonho. Vivemos ali cerca de 2 anos e alguns meses. A aldeia era realmente muito, muito pequena. A transição de Lisboa para aquele lugarejo não foi fácil. Rapidamente me fartei e comecei a pressionar o meu marido para sairmos. Decisão errada. Quem não as comete, não é? Erramos tanto ao longo da vida.

    Pressionado por mim e também porque ali não tinha posto fixo como médico, em 2022, finais, mudámo-nos para uma vila, a 40km daquela aldeia, com 15.000 habitantes, após o M. ter firmado o seu contrato como médico definitivo (na aldeia estava numa situação provisória, como médico interino). Desta vez, e porque não nos quiseram arrendar um apartamento pelo facto de termos um cão, tivemos de comprar um apartamento meio à pressa, sem poder escolher e reflectir em condições (a nossa ideia era arrendar primeiro e depois, com calma, comprar uma casinha). Também não queríamos gastar muito dinheiro num apartamento -o fito da casa sempre esteve presente-, pelo que “agarrámos” em dois e lá nos decidimos por um porque teve mesmo de ser.

     De umas vistas maravilhosas sobre as montanhas, passei a ter umas sobre o prédio da frente. A par disso, mais ruído; contudo, o pior são os vizinhos. Por baixo de mim vivem uns tipos que fumam marijuana, de muitíssimo mal aspecto, com quem já me indispus várias vezes. São barulhentos, não respeitam o horário de descanso, enfim. Ficam com uma ideia do meu tormento. Admito que exagere um pouco, sou mesquinho, mas a verdade é que não era esta a ideia que tinha da vila; ou seja, quando saí da aldeia, pensei que viria para melhor, que seria mais feliz, e tal não sucedeu. Sim, aqui há mais comércio, tenho mais por onde me mover, mas vivo num apartamento que detesto, com uma decoração que detesto (comprámo-lo mobilado - teve de ser tudo à pressa), com uns vizinhos que abomino.

     Este apartamento nunca foi uma decisão definitiva. O fito da casa estava e está presente. O que se passa é que o meu marido é esquisito com todas as casas que vemos e vimos, nenhuma lhe agrada -sobretudo pelos preços, que até poderíamos pagar-, e entretanto a minha saúde mental, já de si frágil, vai-se deteriorando. Além de sempre ter querido ter um pequeno jardim -nada de extravagâncias, não quero um palácio nem lá perto-, vejo-me a viver numas condições que não suporto, entre uma gente que, e permitam-me, não está ao meu nível e nem sequer ao do M., um médico. Ele quer uma casa boa, bem localizada, com jardim, bem construída e barata. Quer o céu e mais alguma coisa. Isso não existe. Ou é cara e boa, ou é barata e há que fazê-la toda de novo. E, repito, até nos podíamos permitir comprar uma casa bem boa. Para ele, podemos esperar, ir vendo. Eu não sou tão paciente, e sofro muito mais (ele não sofre nada) com o facto de vivermos aqui. Todas as casas que visitamos não lhe servem, e vamos ficando, ficando…

      Estou muito infeliz aqui. Muito. Não sei quanto tempo vai durar esta situação. Sei que não posso e não devo exigir mais -é o meu marido quem cuida de mim-, mas ao mesmo tempo estou no limite das minhas forças. De todas elas. 

   Esta publicação foi um desabafo. Um desabafo. Só posso escrever. Não o quero aborrecer mais, e já não tenho mãe nem pai com quem possa falar.

3 de janeiro de 2024

Permiso de conducción español.


   Eu tenho carta de condução desde 2011. Há anos suficientes, portanto. Sucede que nunca conduzi. A última vez que peguei num carro foi em 2011, precisamente no dia do exame. Conduzo muito mal, mesmo atendendo à inexperiência própria de quem acaba de obter a sua carta de condução. Há uma segurança no acto de conduzir que eu nunca tive, e felizmente tenho essa percepção. Não ponho nem a minha nem a segurança dos outros em risco.

    Acontece que eu vivia em Lisboa. Em Lisboa, não há realmente a necessidade de conduzir. Os transportes públicos são maus, porém, há-os, e vão para todo o lado, isto é, nunca se me impôs ter de conduzir. Estacionar em Lisboa é igualmente um caos. Tudo mudou. Vivo numa localidade pequena, onde os transportes públicos são poucos e escassos. A necessidade de conduzir impõe-se-me pela primeira vez.


A minha carta espanhola. Até fiquei bem na foto


    Nesse sentido, há cerca de um mês, relativamente, fui trocar a minha carta de condução portuguesa por uma espanhola. É um processo ainda algo burocrático. Tive de apresentar inclusive um relatório médico. A bem dizer, segundo li, podia conduzir em Espanha toda a vida com a carta portuguesa, sendo um título da União Europeia, contudo, como li que havia relatos de multas a quem, vivendo em Espanha, conduzia com um título português, preferi mudar. Carta mudada, vem o mais importante: conduzir. Necessito tirar umas lições, porque será como se estivesse a aprender de novo. Eu não sei conduzir. Ponto. Morro de medo dos carros, das estradas, de vir a ter um acidente, de tudo. Não sei sinceramente se hei-de arriscar ou deixar-me estar. Conduzir trar-me-ia uma liberdade imensa, em todo o caso, não quero mais problemas. O que fazer? E, já agora, vocês conduzem? Têm carta?

2 de janeiro de 2024

Dia de Ano Novo.


  Há pessoas que adoram a passagem de ano, o réveillon, em francês, que depois há quem o chame, de forma trocista, “revelhão”. Os meus pais eram bons vivants (segundo galicismo). Gostavam dos pequenos prazeres da vida: de comer bem, fumar, beber, noitadas. Em pequeno, fui por inúmeras vezes passar a passagem de ano em hotéis de Lisboa, no Penta Hotel, no Alfa Hotel… já extintos. E gostava. Com os anos, fui começando a perder o deslumbre. Aliás, creio que os meus pais desfrutavam mais do que eu. Actualmente, é uma noite como outra qualquer. Muda de ano como muda de dia todos os dias. 

   Gosto mais do Dia de Ano Novo, quando vou almoçar fora e faço um programa especial, como por exemplo ir ao cinema. Ir ao cinema tornou-se um programa especial desde que vivo numa vila pequena, que tem cinema, sendo que não vou tantas vezes (nem de perto) como ia quando vivia em Lisboa, além de que não me deixo seduzir facilmente por qualquer filme.


A deliciosa parrillada de marisco como primeiro prato
(os espanhóis comem sempre dois pratos)


  Ontem fomos almoçar fora a um restaurante muito bom e simpático daqui. Comemos aquilo a que aqui se chama parrillada de marisco, que não é mais do que um misto de mariscos grelhados (uma delícia). De segundo prato, secretos de porco; de sobremesa, um doce qualquer de queijo. Delicioso. À tarde, então, fomos ver o filme sobre Napoleão Bonaparte, cuja crítica já publiquei, ontem. Um dia bem passado. 

2 de julho de 2023

Dia Mundial das Bibliotecas (01/07).


  Adoro comprar livros. Antes de viver aqui (em Portugal ainda), tinha-os meio espalhados por todas as partes. Quando finalmente arrendámos um apartamento, decidi montar uma biblioteca/escritório. E agora que o comprámos, a biblioteca/escritório é definitivamente uma realidade (excepto se o arrendamos um dia e nos mudamos, o que de momento não equacionamos).

   Continuo com livros pela sala (no móvel), na estante do corredor, mas agora há o escritório, com um sofá e um candeeiro, um espaço que quis de leitura, embora nunca lá tenha lido. E são vários os títulos. Não me dei ao trabalho de os contar, se bem que são centenas (quando a minha mãe faleceu, fui a Portugal buscar os livros que deixara lá).

  Tendo a privilegiar os clássicos da literatura universal e os ensaios. Também os livros históricos. Meti na cabeça a ideia que iria comprar todos os grandes clássicos da literatura, e já só me falta um por outro. Outra coisa é que dedique tanto tempo a lê-los como a comprá-los, porque… já não há espaço.

19 de janeiro de 2023

Uns fazem inimigos; outros, amigos.


   Eu não sei se a canção está a ter algum impacto em Portugal. A Shakira lançou um tema no qual arrasa com o ex-companheiro, pai dos filhos, Piqué, e com a sua actual namorada. Em Espanha, não se fala doutra coisa, e já está a bater recordes no streaming. Estas “coisas” incomodam-me, ainda que como espectador. Creio que as querelas se devem resolver civilizadamente. Até há crianças no meio, e eu sei o quão doloroso pode ser um processo de separação (não era criança, tinha vinte anos, mas sofri como se fosse).

   Enquanto aqueles dois se matam, estes dois, o Goku e a Mia, tornam-se amigos inseparáveis. Quem disse que cão e gato não se podem dar bem?




16 de janeiro de 2023

O Balneário de Mondariz.


    Eu adoro termas e águas medicinais. As minhas primeiras termas não foram em Espanha (e vivo na província das termas), nem em Portugal, senão na Hungria. 

    Já há meses que queríamos ir ao Balneário de Mondariz, vontade que não se concretizou por todas as peripécias do ano passado e também (talvez o principal motivo) pelo trabalho do M., que raramente dispõe de dois dias livres (excepto quando tira férias). Este fim-de-semana foi uma excepção, e depressa nos propusemos a fazer as tais ansiadas termas em Mondariz. Desde já, um aviso: a afluência é muita, pelo que os aconselho a reservar com antecedência. Eu reservei na antevéspera (com o trabalho do M., nunca podemos fazer planos antecipados) e quase que não conseguia uma vaga. 


A Fonte de Gándara, cuja água, com uma concentração elevada de bicarbonatos, é utilizada no tratamento da pele e de distúrbios digestivos, sobretudo


  O Balneário de Mondariz é o mais afamado de Espanha, considerado em 2012 o melhor spa do país, entre numerosas outras menções honrosas. Por lá encontrarão várias instalações, reformadas em 2020, dedicadas ao ócio termal. O que esteve na origem deste balneário foi a descoberta em 1872 da Fonte de Gándara, uma fonte de água medicinal. O Balneário entrou em funcionamento em 1873 e depressa se converteu num ponto de referência, epicentro da vida social e medicinal da região. Cem anos depois, justamente em 1973, um incêndio de enormes proporções destruiu-o, sendo que a actividade termal foi retomada apenas em 1993.


Um dos três edifícios que compõem o Balneário de Mondariz, com 194 quartos no total


    A par de toda a oferta, eu recomendar-lhes-ia duas actividades: o Circuito Celta [que consiste em: 1) duche com efeito peeling; 2) banho interior com jactos de água; 3) sauna celta; 4) jactos a pressão com efeito de choque e, por último, 5) banho de contraste ao ar livre, ou seja, numa piscina de água quente no exterior] e o Palácio da Água (composto por piscina de spa, jacuzzis e várias saunas). Não necessitam levar toalhas, que o Balneário fornece-lhes robes e até chinelos (quanto a estes últimos, pela qualidade, será melhor que levem os seus). 


As recordações que trouxe: um livro sobre a história do Balneário, um conjunto de fotos antigas do conjunto termal, um sabão dermatológico e um gel de banho composto por água mineral medicinal


    O Balneário dispõe de alojamento próprio e de dois restaurantes, um dedicado à gastronomia galega e o outro de comida italiana. O último serve refeições até às 0h, pelo que poderão estar no spa até às 23h (última hora), subir ao quarto, tomar um duche e ir jantar (foi o que fizemos). A partir das 21h, não podem entrar crianças na piscina. Das 21h às 23h é o horário ideal para quem não tem miúdos.


13 de novembro de 2022

Nova Casa.


   Há uma semana, eu e o M. mudámo-nos. O M. conseguiu, finalmente, o seu posto fixo como médico, tendo escolhido um município a cerca de 40km de onde vivíamos. Estamos numa cidade, temos todos os serviços à nossa disposição, o que não sucedia na vila onde passámos os últimos dois anos e meio das nossas vidas. Comprámos um apartamento espaçoso mesmo em frente ao rio e ao passeio fluvial. Disponho agora de um amplo espaço para passear o cão. É uma nova vida. Profissionalmente, o M. tem estabilidade, uma vez que pode exercer como médico aqui para sempre. Onde estava, era interino. Aos 34 anos, é médico com posto fixo, o que muitos médicos com mais vinte anos em cima ainda não conseguiram. Desengane-se quem pensa que a vida de um médico é fácil. Com a instabilidade laboral dos nossos países, há gente que consegue ter mais segurança no seu emprego sem uma licenciatura do que o contrário. O tempo dos empregos seguros passou há muito.


Mesmo em frente à nossa casa


    As mudanças são sempre uma tortura, e eu infelizmente tenho feito muitas por vicissitudes da vida. Em Março, fomos a Portugal buscar os meus pertences e os da minha mãe aquando da sua morte, e menos de um ano depois já fizemos uma mudança. Os cerca de 40km da vila onde vivíamos em nada diminuíram  ou amenizaram o nosso trabalho. Tivemos de empacotar tudo, e imagine-se o que é fazê-lo quando, como eu, se é de acumular coisas. Centenas de livros, dezenas de camisas, calças, casacos, louças, mais coisas minhas de infância... foi uma trabalheira. Para que possam fazer uma ideia, enchemos duas vezes uma carrinha, e na quarta-feira última ainda tive de voltar à arrecadação do antigo apartamento para buscar os meus pertences de infância e outros que tais que depositámos ali. Depois, há que arrumar tudo na casa nova, deitar fora o que não presta, e isso levou-nos mais uma semana. Naturalmente, o M. continuou a trabalhar. Somente pediu dois dias de mudanças. O que houve, sim, foi coordenação da nossa parte. Como sabíamos de antemão que a convocatória estava a chegar, fui empacotando a casa atempadamente. Chegado o dia da mudança em si, procedeu-se apenas (como se fosse pouca coisa!) ao transporte. Estamos esgotados, porém, animados pelo trabalho concluído e com a nova fase que se inicia.