Ultimamente, multiplicaram-se as mensagens, e por conseguinte as opiniões, sobre uma tal de monogamia, poligamia, e por aí fora. Quando há muitas opiniões sobre um mesmo assunto, geralmente também há muita estupidez. A multiplicidade de designações não oculta o que cada coisa é na sua génese. Não, a dita monogamia não é uma construção social. Há animais monogâmicos, e ainda que não os houvesse; o que nos distingue dos demais animais é a razão. É a mesma razão que nos impede de termos relações sexuais com os nossos pais, por exemplo. Portanto, não há relacionamentos que não sejam monogâmicos. Há pouca vergonha, ou falta dela; há falta de valores espirituais e morais. Há falta de respeito, por si próprio e pelo outro. Há falta de decência. E o que se aplica à dita não-monogamia, também se aplica às pessoas que não gostam de assumir compromissos. Não é porque queiram ser livres. Fazem-no -e estão no seu direito- porque são pessoas completamente desorganizadas emocionalmente, várias vezes com um histórico de múltiplos parceiros, com dificuldade para fixar a atracção por um sujeito e em criar um projecto de futuro a dois. É a tal crise de valores. Mas o que antes era um comportamento desviante, agora começa a ser tolerado. Não admira que haja quem se vista de cão e ande, com as suas parafilias, a ladrar na rua e a comportar-se como tal. Às vezes nem é preciso o traje canino. Há quem muito ladre, e pouco acerte.
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