27 de março de 2026

Noelia Castillo Ramos.


   Gostaria que fixassem este nome, nem que fosse por apenas alguns breves momentos. Noelia Castillo Ramos foi uma rapariga que nasceu há 25 anos no seio de uma família disfuncional - como eu. Foi institucionalizada. O Estado assumiu o dever de a proteger. Falhou. Noelia, mais tarde, foi abusada sexualmente por vários jovens. Nunca se fez justiça. Em 2022, não aguentando o sofrimento mental -padecia, como eu, de transtorno da personalidade limite e transtorno obsessivo compulsivo-, atirou-se de um quinto andar. Ficou paraplégica e com dores físicas permanentes. Entrou na justiça pedindo o direito a morrer dignamente, o direito à eutanásia por sofrimento físico e mental. Foi avaliada por mais de trinta especialistas, entre psicólogos, psiquiatras e juristas. Os pais, que no seu dia não a protegeram, opuseram-se à eutanásia. O pai opôs-se por vias legais, tentando até ao último momento que a justiça impedisse Noelia de morrer dignamente, como quis. Ontem, cumpriu-se a sua vontade, e Noelia pode, finalmente, descansar em paz.




Sem comentários:

Enviar um comentário