Gostaria que fixassem este nome, nem que fosse por apenas alguns breves momentos. Noelia Castillo Ramos foi uma rapariga que nasceu há 25 anos no seio de uma família disfuncional - como eu. Foi institucionalizada. O Estado assumiu o dever de a proteger. Falhou. Noelia, mais tarde, foi abusada sexualmente por vários jovens. Nunca se fez justiça. Em 2022, não aguentando o sofrimento mental -padecia, como eu, de transtorno da personalidade limite e transtorno obsessivo compulsivo-, atirou-se de um quinto andar. Ficou paraplégica e com dores físicas permanentes. Entrou na justiça pedindo o direito a morrer dignamente, o direito à eutanásia por sofrimento físico e mental. Foi avaliada por mais de trinta especialistas, entre psicólogos, psiquiatras e juristas. Os pais, que no seu dia não a protegeram, opuseram-se à eutanásia. O pai opôs-se por vias legais, tentando até ao último momento que a justiça impedisse Noelia de morrer dignamente, como quis. Ontem, cumpriu-se a sua vontade, e Noelia pode, finalmente, descansar em paz.

Não deixa de ser uma história muito triste. Tinha lido por alto a notícia e não sabia do percurso (obrigado por teres contado) da Noelia até aqui. Acho curioso o pai neste fase se tenha mexido, depois de tudo o que ela passou. Ninguém sabe melhor das nossas dores que nós próprios, portanto há certos comentários que nem sequer deviam de existir de terceiros. Espero que agora consiga ter a paz que procurou em vida e não encontrou. RIP.
ResponderEliminarMuito, muito triste. A mim marcou-me imenso. Aqui em Espanha o caso teve uma repercussão enorme. Aliás, está a ter.
EliminarPaz à sua alma e que descanse em paz. Em Portugal também temos muitos palermas que se dizem Cristãos e quando chega a hora H de Respeitar o próximo. Gritam contra a eutanásia
ResponderEliminarAbraço amigo
Pois. Eu sou cristão, mas Deus me livre obrigar alguém que quer partir tranquilamente a sofrer.
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