11 de março de 2026

Vera Lagoa (1917-1996).


  Vera Lagoa foi o nome pelo qual ficou conhecida a jornalista Maria Armanda Falcão. Vera criou e dirigiu o jornal O Diabo desde 1976 até à sua morte. Figura incontornável do jornalismo português das últimas décadas do século passado, Vera foi uma mulher de personalidade fortíssima. O seu activismo começou cedo, quando o pai, um militar de carreira, oposicionista ao Estado Novo, foi deportado para a Madeira e depois para Cabo Verde. Oficialmente, Vera Lagoa não tinha mais do que a antiga quarta classe.

  Fez inimizades com políticos, e tinha amigos fiéis. Ramalho Eanes e Pinto Balsemão foram dois dos seus alvos. Sobre o primeiro, escreveu um livro em 1980, “Eanes nunca mais!”, e foi a primeira pessoa a ser processada por um Presidente da República. Condenada a pagar uma indemnização ao antigo Chefe de Estado, chegou a dizer, sobre o assunto: “É muito feio viver-se às custas duma mulher”.




     Dizia que os comunistas eram os heróis do seu tempo, mas após o 25 de Abril tornou-se anti-comunista primária, nas suas palavras. Conotada com a extrema-direita, definia-se independente, nem de esquerda, nem de direita, porque nenhuma lhe interessava.

    Vera Lagoa morreu de ataque cardíaco em 1996, na decorrência de doença cardíaca provocada por quatro atentados à bomba de que sofreu, designadamente um no seu jornal O Sol, reivindicado por forças terroristas de extrema-esquerda operacionais na década de 80. É uma mulher que, além de me suscitar admiração, me intriga e fascina.

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