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24 de agosto de 2026

As Rías Altas.


   Este fim-de-semana, aproveitando que o meu marido esteve sábado e domingo de folga, rumámos ao norte da Galiza, bem no noroeste de Espanha, na província da Corunha, mais concretamente na zona de Ferrol e Narón (que não são bonitas, propriamente). Porém, a costa é deliciosamente bela. As vilas costeiras, marítimas, da costa galega são de morrer de encanto e beleza. Encanto e beleza naturais. Eu recomendo principalmente Redes, Mugardos e San Andrés de Teixido. A Cedeira também não está mal. Deixo-vos algumas fotos.


O Cabo Ortegal

O Farol do Cabo Ortegal

A vila de San Andrés de Teixido

Redes, em Ares


Mugardos

Mugardos 

Mugardos

29 de julho de 2023

As eleições espanholas.


  No domingo passado, aqui em Espanha realizaram-se as elecciones generales, que em Portugal equivalem às eleições legislativas. Sei, porque assino o jornal Público e vou lendo vários outros jornais portugueses online, que o acto eleitoral foi acompanhado exaustivamente no nosso país. É habitual; os portugueses interessam-se por política internacional, e sendo Espanha um país vizinho e amigo, mais ainda.

    Eu participei eleitoralmente. Adquiri a cidadania espanhola em 2021. Estas foram as primeiras legislativas após a minha vinda para o país, e coincidiu que já tivesse adquirido a nacionalidade. Votei nos nacionalistas galegos, o BNG, um partido com pouca expressão a nível nacional, e inclusive na Galiza. Manteve o deputado que elegera anteriormente.

    Os resultados contrariaram todas as expectativas e sondagens. O PP de Alberto Feijóo não conseguiu a maioria absoluta, e nem com o apoio do VOX, de extrema-direita, consegue os 176 deputados necessários para consegui-la. Esperava-se um desastre para o PSOE de Sánchez, após 4 anos de dura governação (com uma pandemia e a guerra da Ucrânia), todavia, os socialistas não se saíram mal. É verdade que não necessitam apenas do Sumar (a quarta força política que saiu do escrutínio popular), estando também nas mãos dos nacionalistas catalães, incluindo do Junts, o partido de Puigdemont, que pode vir aqui a desempenhar um papel decisivo.

   Adivinha-se um impasse. A governabilidade do país vê-se custosa à esquerda e à direita. As alianças são difíceis e pouco prováveis, dum lado e do outro, e já são muitos os que vaticinam novas eleições para o final do ano…

12 de junho de 2023

A liberdade de expressão em Espanha.


   Ainda pensei em se escreveria este post em castelhano, no entanto, decidi-me pelo português, afinal, o público-alvo deste texto é o português. E porquê falar de liberdade de expressão em Espanha? Terá algo assim de tão especial? Sim, respondo, tendo em conta que não se parece em nada àquela de que desfrutamos em Portugal. Urge voltar atrás.

  Portugal, em 1974, teve uma revolução, que expurgou da sociedade os traços do antigo regime. Espanha, em 1975, com a morte de Franco, iniciou um processo a que se viria a chamar de transição. Esta transição, contudo, foi lenta. Começou com Juan Carlos (designado herdeiro e chefe de estado após a sua morte, por Franco) a jurar respeitar as leis franquistas. Gradualmente, o monarca foi-se afastando desse modelo e preparou o país para a democracia. Em todo o caso, ela não se consolidou como em Portugal. Há restos, sobras, resquícios do franquismo nas instituições e, inclusive, nas atitudes e comportamentos das pessoas. Aqui, não se respira tanta liberdade como em Portugal. Refiro-me particularmente às liberdades de expressão e opinião (há organizações internacionais que perfilham exactamente do mesmo entendimento, colocando Espanha muito por baixo de Portugal na sua lista de países livres).

   Desde que vivo no Estado espanhol, tenho passado, a nível pessoal, por episódios de censura e intimidação, o último dos quais nas páginas públicas, de redes sociais, do concelho onde resido. Perante um comentário inócuo, levemente irónico, respeitoso, num tom normal em democracia, fui bloqueado, e não somente na plataforma onde me manifestei como nas demais. Proscrito, isso mesmo. Foi um exemplo. Tem-me sucedido um pouco de tudo, até mesmo com vizinhos.

   Espanha não é um bom país para se viver, remato. O pouco mais que se ganha, em termos salariais, não justifica o retrocesso e recuo na nossa liberdade, ao fazermos uma mudança a partir de Portugal. Como costumo dizer, é um país com todos os problemas que Portugal tem e outros que não tem. Aparentemente belo, quando passamos a viver aqui, vamo-nos dando conta de que tudo assenta numa fina camada de verniz, que estala sem a menor dificuldade, revelando-se uma sujidade antiga, difícil de sair.


5 de junho de 2023

Pontevedra.


    Neste fim-de-semana, aproveitando dois dias livres que teve (são tão raros), surgiu-lhe, ao M., a ideia de fazermos uma escapadinha até Pontevedra, uma vez que se tratava da única cidade galega, de entre as mais importantes, que me faltava conhecer. E assim foi. Sem grandes planos, munimo-nos das mochilas e fizemos os tais duzentos e picos quilómetros até à costa galega (vivemos exactamente no ponto oposto, já perto de Castela e Leão).


A Praza da Pedreira


   Pontevedra é uma cidade bonita, sobretudo no centro histórico, todo em pedra. Com Lugo, é a cidade galega que mais se considera como bela, e de facto não lhe faltam atributos. À diferença de Lugo, tem mais vida. O casco histórico estava cheio de gente de todas as idades (o que é comum em Espanha), tomando algo e confraternizando.


A Praza da Ferraría com o Santuário da Virgem Peregrina ao fundo


   No primeiro dia, sábado, privilegiámos percorrer a cidade. Faz-se bastante bem. É pequena. Visitámos as praças e os monumentos mais emblemáticos. No domingo, então, antes de voltarmos, fomos ao museu municipal, dotado que está de um espólio rico e diversificado (inclusive de Castelao, um dos principais vultos das letras galegas e, inclusive, do nacionalismo galego). Haveremos de voltar, seguramente.


Uma das inúmeras galerias do Museu de Pontevedra



28 de maio de 2023

Elecciones municipales 2023.


   Hoy, aquí en España, se celebran las elecciones municipales, es decir, vamos a votar por nuestros representantes en los municipios. Sin embargo, en otras comunidades autónomas, hay también quienes votan por sus autonomías. Eso no pasa aquí en este momento. Es un momento único para mí. Son mis primeras elecciones en Galicia y en el Estado español desde que vivo aquí. Es siempre un momento especial. Recuerdo mis primeras elecciones en Portugal. Fueron las europeas de 2004, había cumplido 18 años hace sólo un par de meses.

  Como sabéis, ahora vivo en una pequeña ciudad de 14.000 habitantes. Aquí en España, el consumo de droga está mucho más normalizado, padronizado, que en Portugal, y eso atrae también a la delincuencia, a la marginalidad, así que voté por la derecha. Necesito sentirme más seguro. Os doy un ejemplo: en mi portal, tuve, durante meses, drogadictos fumando porros, hasta que todos los propietarios decidimos cerrarlo con un otro portal de seguridad. Vivía mucho más tranquilo en el otro pueblo, pequeñito, de 2.000 personas. A veces no sabemos lo que tenemos hasta que los perdemos. Pasa frecuentemente. Fue por eso que voté por la derecha, que generalmente se preocupa más con la seguridad de los ciudadanos. A la diferencia de la derecha, la izquierda aboga por la liberalización de las drogas. A mí me da igual que la gente fume droga, mientras no me molesten, que era lo que pasaba. 

    España es el país de la OCDE con la mayor tasa de paro, de desempleo. Hay mucha gente (treintañeros, incluso) que no hace nada todo el día, así que se dedica a consumir droga y a cometer delitos. Además, donde vivo, hay muchos inmigrantes de Latinoamérica y del Magrebe (norteafricanos).

    Es muy probable que gane el cacique local, del PSOE (sería como el PS portugués), que sigue gobernando desde el 1999. Yo cumplí con mi parte.

27 de dezembro de 2021

León.


    León es una ciudad española con aproximadamente 125.000 habitantes, capital del antiguo Reino de León y actualmente de la provincia homónima. Nosotros, M. y yo, elegimos esta ciudad para nuestras mini vacaciones. M. necesitaba descansar después de un mes infernal de doce turnos (hasta este momento, trece). Es demasiado, incluso para él. La ciudad no queda muy lejos de Galicia. Finalmente, menos de doscientos kilómetros. El trayecto se hace de tren, de una forma muy cómoda.

    El primer día decidimos pasear por sus calles, conocerla, disfrutar de las decoraciones de Navidad. Me pareció cosmopolita, más que cualquier ciudad gallega, excepto Vigo, quizás.


La Catedral de León es una de las más bonitas, de todas las que he visto


    El segundo día fuimos a su hermosa catedral, cuyas vidrieras son las segundas mayores de Europa. La verdade es que me encantó. Antes de eso, por la mañana, decidimos visitar el Museo de León, con una rica colección de la historia de los primeros pobladores de la provincia, de la ciudad y del antiguo reino. Junto a la catedral, hay un museo relacionado con ella. Llegamos a las 17h, justo a tiempo para la visita guiada. Éramos cuatro, y conocimos más sobre la catedral y su arte.


Dos monjas visitaban la catedral, y les saqué esta foto, de espaldas


     El tercer día, lo aprovechamos para pasear un poco más por la ciudad y visitar un antiguo convento, el Convento de San Marcos. Regresamos al final de la tarde.


Estatua al Peregrino, una de las más famosas de León


     Os dejo algunas fotos y las impresiones del escritor británico Frances Elliot sobre León, en 1882:

“León posee un hechizo que percibo pero que acaso no puedo expresar, el de una antigua capital caída, no mancillada, con algo todavía de la majestad del antiguo reino, aunque tal reino haya dejado de existir... la dejé con pesar y volvería a ella con alegria”.

Todas las fotos son mías, y su uso se dará bajo autorización.


7 de dezembro de 2021

Constituição Espanhola, 43 anos depois.


   Ontem foi feriado aqui em Espanha, ou festivo, como eles lhe chamam. A 6 de Dezembro de 1978, o projecto de Constituição para Espanha, que haveria de culminar na actual Constituição, foi aprovado em referendo por cerca de 90% dos espanhóis. Após quarenta anos de ditadura e ansiando por liberdade, os espanhóis correram às urnas e deram a sua aprovação a uma Magna Carta que, entre muitas disposições, criava o actual Estado autonómico, dando lugar a que cada nação histórica pudesse reivindicar a sua cultura e língua. A Constituição, no seu artigo segundo, fala da Nação espanhola e, mais à frente, das nacionalidades que a integram. Um conceito um pouco estranho. Em ditadura e em democracia, Espanha nunca soube lidar bem com a sua diversidade interna.

  Sem querer extenuá-los por minucioso, o problema do Estado espanhol remonta à sua edificação, construído nos moldes do actual Estado francês: uma língua, uma nação, uma unidade inquebrantável. Tentou-se, com pouco êxito, atenuar-se ligeiramente este pendor centralista que só reconhece uma identidade no actual texto constitucional, porém, a realidade tem-se revelado distinta daquilo que a Constituição faz prever. Quarenta e três anos depois, a monarquia não representa qualquer unidade, contrariamente àquilo que dita a lei fundamental espanhola, e as diversas nações que compõem a Espanha sentem-se injustiçadas perante uma política de estado que manifestamente favorece o castelhano, a cultura castelhana e uma ideia de Espanha uniforme cultural e linguisticamente. Algumas com mais sucesso, como a Catalunha e o País Basco, e outras, como a Galiza, que timidamente começam a ganhar consciência nacional.

   A tudo isto se soma a monarquia, restaurada por Franco, que assenta nuns princípios que não mais encontram acolhimento e aceitação entre os povos de Espanha. A inviolabilidade do Rei e a sua irresponsabilidade são dois deles. Os cidadãos não confiam na instituição, apercebem-se de que ao contrário de ser um modelo de honestidade e transparência, o monarca espanhol, sobretudo o antecessor, vale-se da sua posição privilegiada para obter ganhos e vantagens pessoais, conseguindo ludibriar os mecanismos de actuação da justiça. Num estado europeu e numa sociedade com acesso à informação como a espanhola, tal situação, além de intolerável, é foco de um permanente mal-estar que provavelmente terá um mau fim.

   Há muito que se fala na reforma da Constituição, que as sucessivas forças políticas adiam ad aeternum. O monarca continua inviolável e irresponsável, pisoteando-se o princípio da igualdade, e a Constituição continua a não referir as nações históricas do Estado pelo seu nome, entre outras mudanças que se vêm reivindicando. Há uns anos, durante o governo da direita, aprovou-se uma lei de segurança, conhecida popularmente como ley de la mordaza, que restringiu o alcance de inúmeros direitos civis, nomeadamente o de manifestação. A extrema-direita ganha terreno e acentua as discrepâncias numa sociedade fragmentada.

  Vejo com apreensão o futuro deste Estado. Em 1978, Espanha encaminhou-se no sentido da democracia, mas os vícios de décadas de franquismo transitaram para o novo regime. Franco e o franquismo continuam a pairar como uma sombra sobre Espanha. Não haverá qualquer paz social no que sobra da península para lá da fronteira com Portugal enquanto a herança do ditador não for completamente repudiada.

27 de junho de 2020

A Galiza fluvial.


    Teve de ser aqui, numa das comunidades autónomas mais a norte do Reino de Espanha, que mergulhei pela primeira vez tão cedo, considerando a época do ano. Pois bem, no mês passado pude desfrutar de uma tarde no Embalse d'As Guístolas, aqui perto, e, já na semana passada, na praia fluvial O Caneiro, também a escassos quilómetros.

    As Guístolas são uma barragem no Rio Návea. Proibido está mergulhar ou tão-pouco nadar a uma distância inferior a 200 metros. Receei um pouco nadar por ali, e evidentemente que não me afastei da margem. Ver as comportas lá ao longe atemorizou-me e comprometeu a minha liberdade ao me ver na água. Valeu pelas lindíssimas paisagens daquele vale verdejante.


Bonito lugar, não?


    Em contrapartida, O Caneiro é um encanto sem perigos. Trata-se de uma praia fluvial no Rio Bibei. A água, como se imagina, é gelada, no entanto, para quem gosta de nadar, diria que a temperatura não é um obstáculo. Treme-se de início e, quando damos por nós, já estamos a gozar aquela água doce e límpida, com uma nascente do lado direito.


Uma água tremendamente fria, mas um local magnífico


Um pequeno paraíso escondido


    Uma experiência diferente, visto que jamais nadara noutro local que não fosse uma praia dita comum, de mar ou oceano. De quando em vez, pesquisava sobre praias fluviais em Portugal e pensava: Porra, que bonitas! Foi aqui, no país vizinho, que me estreei. A Galiza, como é sabido, tem uma paisagem distinta daquela que tipicamente associamos a Espanha. Sendo um Estado de nações, cada uma tem os seus costumes, tradições, e é inevitável que o microssistema molde também os hábitos dos povos. Esta Espanha natural, selvagem, nada tem que ver com a Castela das fortificações e dos moinhos ou com a Andaluzia das mesquitas árabes. É uma Espanha que facilmente associamos ao tão nosso Trás-os-Montes.

    Deixo-lhes fotos. Quem me acompanha pelas demais redes sociais já sabe que tem acesso a estas e outras.

16 de junho de 2020

A Galiza selvagem.


   Uma das melhores coisas que a Galiza me ofereceu foi poder ter contacto com uma realidade que me era completamente desconhecida: a dos bosques e florestas, dos rios, das barragens, dos castanhos centenários e das pedras gigantes. 

 Quase todos os fins-de-semana nos aventuramos por algum recanto, caminhando por vários quilómetros. Percursos que revelam algo de novo para mim. Quando soube que viria morar no campo, pensei que pouco ou nada teria para ver por aqui. Como estava equivocado! Há sempre algum trilho inexplorado, que inevitavelmente se liga e cruza com outros que jamais percorrera. Da flora à fauna, a Galiza é um território ainda parcamente conhecido dos portugueses. A terra-mãe, tão perto e simultaneamente tão longe dos nossos horizontes.

    Deixo-lhes algumas fotos.

O Castaño de Pumbariños, com mais de 1.000 anos



A Barragem de Chandrexa



Ponte Romana de San Xoan (de Rio)




Unindo Bracara Augusta (actual Braga) a Asturica Augusta (actual Astorga), este troço de estrada romana de aproximadamente 300 quilómetros é dos últimos que existem na península

     

4 de abril de 2020

Espanha (parte 2) - Santiago de Compostela.


     Durante esta estadia na Galiza, adoeci justamente uns dias antes de ir a Santiago de Compostela. Nesse sentido, tive de adiar a viagem para a semana seguinte, até que, no dia 8 de Março, lá se concretizou. 

    Santiago de Compostela é uma das cidades mais importantes da Cristandade, onde se acredita estar sepultado o corpo de um dos apóstolos de Jesus, São Tiago Maior. A sua catedral medieval, em estilo românico, aliada à fé, certamente tornarão este destino bastante apetecível, pois conjuga arquitectura, história e religião. Eu visitei-a por uma combinação de factores, e também por ser a capital legal e administrativa da Galiza, sede do poder autonómico e do parlamento galego.

Mosteiro de São Martinho Pinário

      A catedral de Santiago está em obras presentemente. Dificilmente conseguirão apreciar a fachada. Entretanto, recomendo a visita pelo seu interior, onde está a cripta do apóstolo. Recomendo ainda a visita ao museu da catedral. Poderão encontrá-los na Praça do Obradoiro, mesmo em frente ao Palácio Raxoi. A praça, aliás, é lindíssima. Mui espanhola. Num dos lados, precisamente à direita do Palácio Raxoi (à esquerda da catedral, portanto), têm a Pousada dos Reis Católicos, que em tempos idos funcionou como um hospital. Conta-se que os monarcas consideraram que Santiago não dispunha de um espaço digno para acolher os peregrinos cansados e feridos, ordenando a sua construção.

O Palácio Raxoi

     Todo o centro histórico de Santiago, Património da Humanidade desde 1985, é digno de uma visita atenta: a Praça das Praterías, a Porta Santa, o Arco de Mazarelos, a Capela das Ánimas, a Casa do Cabido, o Convento de São Francisco, a Igreja de Santa Maria Salomé... Ali, num único quarteirão, verão um conjunto arquitectónico deslumbrante, de inestimável valor.


Panorama da Catedral de Santiago

Foto panorâmica da Catedral de Santiago

Monumento a Rosalía

   Tendo tempo, o que não é fácil, não menos importante seria visitar o Parque da Alameda, sobretudo o Passeio da Ferradura. No Parque da Alameda, há uma, bom, duas estátuas com um significado social curioso: chamam-lhe As dúas Marias. Trata-se, na verdade, de uma escultura que homenageia duas irmãs da cidade que, pelos anos 50 e 60, se passeavam pelo centro histórico sempre pelas duas da tarde, provocando os transeuntes, sobretudo estudantes, com as suas roupas garridas, que contrastavam com o cinzentismo dos hábitos e costumes da Espanha franquista. Naturalmente, foram vítimas da repressão e da maledicência popular. Desde 1994 que ornamenta o parque. Por ali, no Passeio da Ferradura, homenageia-se outra figura ímpar da cultura galega, desta feita das letras: Rosalía de Castro, um dos principais nomes do ressurgimento da língua galega, vulto da literatura deste idioma tão íntimo do português, venerada sobretudo pelos círculos nacionalistas.


As dúas Marias

  A par, claro está, de todo este património que Santiago tem para nos oferecer, retenho principalmente a sua luz. Santiago tem um encantamento especial. É provável que seja uma soma de todas aquelas energias, cada uma vinda de um canto do mundo, a conferir à cidade uma aura magnética, pura, leve. Não tem nada a invejar a Lisboa.

24 de março de 2020

Espanha (parte 1).


   Perfaz hoje exactamente um mês que estou na Galiza. Estive três semanas em Ourense e há uma semana que estou em Pobra de Trives, uma localidade rural, lindíssima, da província homónima. Espanha é muitíssimo maior do que Portugal. As províncias aqui são enormes.


A catedral sobressai ao longe 

A torre do relógio 

  Cheguei a Ourense, como disse, há um mês, após uma breve passagem pelo Porto, ainda em Portugal, e por Vigo. Só mesmo de passagem, no dia da viagem. Na noite em que cheguei, os ourensanos divertiam-se no Carnaval. Trajavam e desfilavam pelas ruas. Um cenário tão distinto daquele que temos agora... Adiante...


A Ponte Nova e o Viaduto fotografados desde a Ponte Medieval 


   Ourense é uma cidade bonita. Atravessa-a o Rio Minho, estando por isso dotada de algumas pontes (quatro ou cinco), nomeadamente uma medieval e outra mais moderna, do início do século. Sendo o terceiro maior aglomerado populacional da Galiza, é conhecida sobretudo por ser uma cidade termal. As suas termas são um dos vectores que a tornam popular na Galiza e no resto do país. Eu pude testemunhar que as águas de fonte geotérmica são realmente quentes. Se têm ou não propriedades curativas, pois acredito que sim. Ainda não as pude experimentar.


A Fonte das Burgas

  A Catedral de Ourense é um monumento que aconselho. Por dentro, decepciona um pouco, é verdade, porque é bastante pequena; pelo menos foi essa a sensação com que fiquei após ter estado a vê-la de fora por alguns dias. Há umas igrejas que também merecem que as conheçam, a par da Praza do Concello, que fica, aliás, pertinho das Termas das Burgas. Para os que gostam de mais movimento e de um ambiente mais urbano, Ourense dispõe da Rua do Paseo, a principal rua comercial da cidade, que em nada fica a dever à nossa Rua Augusta (para os lisboetas) no que respeita à diversidade de lojas. Encontram de tudo. Ourense, como creio ter dito na publicação anterior, é bastante movimentada. Na mesma rua, encontrarão um centro de exposições (Centro José Ángel Valente). Ao início da Rua do Paseo, têm outro (Centro Cultural Marcos Valcárcel). Têm ainda à disposição o Liceo de Ourense, uma associação cultural que promove actividades artísticas e literárias. Se puderem, passem por lá que tem interesse. Se dispuserem de um tempo extra, poderão conhecer o pólo universitário.


O Liceo de Ourense e a sua entrada