24 de dezembro de 2022

Feliz Natal.


   Há algum tempo que não venho aqui. O blogue, confesso, já não me é útil. Ainda me lembro dele, de outra forma não estaria aqui, mas não é o que foi durante 14 anos. É bem provável que nos tempos vindouros equacione se o mantenho ou não. Enfim, esses balanços ficarão para o Ano Novo. 

    No Natal mais triste da minha vida, estou a tentar ir buscar forças onde não as tenho. Espero que vocês o passem melhor que eu, com a família ou quem quiserem. A família são aqueles que escolhemos para ter ao nosso lado.

    Deixo-lhes uma foto da minha estadia de ontem em Vigo, quiçá a cidade mais natalícia da Europa, e os votos de um Feliz Natal.



7 de dezembro de 2022

A campanha de Portugal no Mundial 2022.


   Talvez seja precipitado da minha parte fazer desde já uma análise à participação de Portugal neste campeonato do mundo de selecções. A competição não terminou, tão-pouco para o nosso país. 

   Portugal, ontem, goleou a Suíça. Praticámos um futebol que eu nunca vi, e há quase vinte anos que acompanho as prestações de Portugal nestes torneios. Temos jogadores com muita qualidade; um meio campo de ouro, uma defesa eficaz. Somos candidatos ao título. Podemos ficar pelo caminho, chegar à final, ganhar. Ganhar, porém, não é uma utopia. Vale o que vale, claro. Há sempre quem não goste de futebol, do mediatismo do desporto-rei. Respeitável. Temos outros problemas no país. Correcto. Uma coisa não invalida a outra, não é o que se diz? Dos nórdicos aos africanos, todos vibram com aquele objecto esféricos que se movimenta aos pés de 22 jogadores. Por algum motivo será, digo eu que nada sei.

   Ronaldo é um impresentable, como dizem os espanhóis. Menino mimado, arrogante, egocêntrico, prefere sair-se bem num jogo, ele, ao sucesso colectivo, de Portugal e dos seus companheiros. Fernando Santos foi sensato e demonstrou firmeza ao mantê-lo no banco. Foi (é) um grande jogador, o melhor, sabemo-lo, mas há que preparar o futuro da selecção. Ronaldo não é eterno, Portugal continuará a precisar de vitórias se quiser alcançar o lugar que merece entre as grandes selecções. Além disso, a selecção  não é propriedade de Ronaldo e família. É um conjunto de atletas que vestem a camisola da sua nação. Quando um jogador, por melhor que tenha sido ou for, não pode contribuir, independentemente do motivo, fica no banco. O interesse supremo é o do conjunto e, no limite, o do país, no que a esta competição se refere. Reacções de desagrado, mal-educadas, só desonram quem as tem. 

      Veremos até onde chegamos. Com ou sem Ronaldo.

22 de novembro de 2022

Mundial 2022.


   Começou anteontem o Campeonato do Mundo de 2022. É sabido, eu gosto de acompanhar estes torneios entre nações, muito embora este ano não esteja, pelas circunstâncias, tão entusiasmado como em anos anteriores. Em todo o caso, muni-me da minha revista oficial, vejo os jogos todos, e tão-pouco as polémicas em torno dos direitos humanos me demoveram. Independentemente das opções da FIFA e dos costumes do Qatar, que repudio, o que me motiva são as disputas entre nações, sobretudo, que partidas de clubes não me seduzem tanto. Naturalmente, condeno as violações sistemáticas dos direitos humanos no Qatar e na esmagadora maioria dos países do Médio Oriente (para não dizer todos), porém, torno a dizer, as escolhas da FIFA no que respeita ao país anfitrião que escolhe em cada campeonato não devem retirar a beleza do espectáculo e a sua importância para os aficionados. Quem gosta dos Mundiais, irá continuar a vê-los. O activismo, podemos e devemos continuar a levá-lo a cabo, em contexto de realização de grandes torneios e fora deles. O Qatar já desrespeitava os direitos humanos e continuará a desrespeitá-los quando nos despedirmos deste Mundial 2022.

13 de novembro de 2022

Nova Casa.


   Há uma semana, eu e o M. mudámo-nos. O M. conseguiu, finalmente, o seu posto fixo como médico, tendo escolhido um município a cerca de 40km de onde vivíamos. Estamos numa cidade, temos todos os serviços à nossa disposição, o que não sucedia na vila onde passámos os últimos dois anos e meio das nossas vidas. Comprámos um apartamento espaçoso mesmo em frente ao rio e ao passeio fluvial. Disponho agora de um amplo espaço para passear o cão. É uma nova vida. Profissionalmente, o M. tem estabilidade, uma vez que pode exercer como médico aqui para sempre. Onde estava, era interino. Aos 34 anos, é médico com posto fixo, o que muitos médicos com mais vinte anos em cima ainda não conseguiram. Desengane-se quem pensa que a vida de um médico é fácil. Com a instabilidade laboral dos nossos países, há gente que consegue ter mais segurança no seu emprego sem uma licenciatura do que o contrário. O tempo dos empregos seguros passou há muito.


Mesmo em frente à nossa casa


    As mudanças são sempre uma tortura, e eu infelizmente tenho feito muitas por vicissitudes da vida. Em Março, fomos a Portugal buscar os meus pertences e os da minha mãe aquando da sua morte, e menos de um ano depois já fizemos uma mudança. Os cerca de 40km da vila onde vivíamos em nada diminuíram  ou amenizaram o nosso trabalho. Tivemos de empacotar tudo, e imagine-se o que é fazê-lo quando, como eu, se é de acumular coisas. Centenas de livros, dezenas de camisas, calças, casacos, louças, mais coisas minhas de infância... foi uma trabalheira. Para que possam fazer uma ideia, enchemos duas vezes uma carrinha, e na quarta-feira última ainda tive de voltar à arrecadação do antigo apartamento para buscar os meus pertences de infância e outros que tais que depositámos ali. Depois, há que arrumar tudo na casa nova, deitar fora o que não presta, e isso levou-nos mais uma semana. Naturalmente, o M. continuou a trabalhar. Somente pediu dois dias de mudanças. O que houve, sim, foi coordenação da nossa parte. Como sabíamos de antemão que a convocatória estava a chegar, fui empacotando a casa atempadamente. Chegado o dia da mudança em si, procedeu-se apenas (como se fosse pouca coisa!) ao transporte. Estamos esgotados, porém, animados pelo trabalho concluído e com a nova fase que se inicia.