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7 de dezembro de 2022

A campanha de Portugal no Mundial 2022.


   Talvez seja precipitado da minha parte fazer desde já uma análise à participação de Portugal neste campeonato do mundo de selecções. A competição não terminou, tão-pouco para o nosso país. 

   Portugal, ontem, goleou a Suíça. Praticámos um futebol que eu nunca vi, e há quase vinte anos que acompanho as prestações de Portugal nestes torneios. Temos jogadores com muita qualidade; um meio campo de ouro, uma defesa eficaz. Somos candidatos ao título. Podemos ficar pelo caminho, chegar à final, ganhar. Ganhar, porém, não é uma utopia. Vale o que vale, claro. Há sempre quem não goste de futebol, do mediatismo do desporto-rei. Respeitável. Temos outros problemas no país. Correcto. Uma coisa não invalida a outra, não é o que se diz? Dos nórdicos aos africanos, todos vibram com aquele objecto esféricos que se movimenta aos pés de 22 jogadores. Por algum motivo será, digo eu que nada sei.

   Ronaldo é um impresentable, como dizem os espanhóis. Menino mimado, arrogante, egocêntrico, prefere sair-se bem num jogo, ele, ao sucesso colectivo, de Portugal e dos seus companheiros. Fernando Santos foi sensato e demonstrou firmeza ao mantê-lo no banco. Foi (é) um grande jogador, o melhor, sabemo-lo, mas há que preparar o futuro da selecção. Ronaldo não é eterno, Portugal continuará a precisar de vitórias se quiser alcançar o lugar que merece entre as grandes selecções. Além disso, a selecção  não é propriedade de Ronaldo e família. É um conjunto de atletas que vestem a camisola da sua nação. Quando um jogador, por melhor que tenha sido ou for, não pode contribuir, independentemente do motivo, fica no banco. O interesse supremo é o do conjunto e, no limite, o do país, no que a esta competição se refere. Reacções de desagrado, mal-educadas, só desonram quem as tem. 

      Veremos até onde chegamos. Com ou sem Ronaldo.

22 de novembro de 2022

Mundial 2022.


   Começou anteontem o Campeonato do Mundo de 2022. É sabido, eu gosto de acompanhar estes torneios entre nações, muito embora este ano não esteja, pelas circunstâncias, tão entusiasmado como em anos anteriores. Em todo o caso, muni-me da minha revista oficial, vejo os jogos todos, e tão-pouco as polémicas em torno dos direitos humanos me demoveram. Independentemente das opções da FIFA e dos costumes do Qatar, que repudio, o que me motiva são as disputas entre nações, sobretudo, que partidas de clubes não me seduzem tanto. Naturalmente, condeno as violações sistemáticas dos direitos humanos no Qatar e na esmagadora maioria dos países do Médio Oriente (para não dizer todos), porém, torno a dizer, as escolhas da FIFA no que respeita ao país anfitrião que escolhe em cada campeonato não devem retirar a beleza do espectáculo e a sua importância para os aficionados. Quem gosta dos Mundiais, irá continuar a vê-los. O activismo, podemos e devemos continuar a levá-lo a cabo, em contexto de realização de grandes torneios e fora deles. O Qatar já desrespeitava os direitos humanos e continuará a desrespeitá-los quando nos despedirmos deste Mundial 2022.