31 de dezembro de 2025

Feliz ano.


    Mais um ano que finda, é altura de balanços. Balanços pessoais e balanços no que concerne ao blogue. Comecemos pelos pessoais. Dois mil e vinte e cinco foi um ano bom. Assentei-me na casa que comprei com o meu marido -atrás do sol posto-, como uma vez alguém disse, mas onde somos mesmo muito felizes. Temos um amplo jardim, piscina, um chalé todo em pedra. Há ainda muitas obras por fazer, sendo que, neste ano que termina, pusemos um portão novo, automático, bastante alto para termos mais privacidade. Eu adoro a minha casa.

      Viajámos. Andei pelo Norte de Portugal (Braga, Valença, Vila Nova de Cerveira, Bragança, Guimarães, Montalegre, etc), andei imenso pela província de Leão, aqui pela Galiza, e Oviedo, nas Astúrias. Estivemos em Fuerteventura, uma das ilhas das Canárias que ainda não conhecíamos, e mais recentemente, este mês de Dezembro, em Amesterdão, Roterdão e Haia, nos Países Baixos. Tive alguns percalços que me atormentaram, dos quais por privacidade não vou falar, mas que foram, ou serão, ultrapassados. Um deles levo para 2026, sem esperar daí nenhuma consequência grave.

      Relativamente ao blogue, foi talvez dos anos em que estive mais omisso. Agora no último trimestre recuperei a pedalada, imagino eu que pelo mau tempo. A vontade de vir aqui é cada vez menor. Creio que venho mais por obrigação do que por gosto; obrigação com um espaço que vai ficando vetusto. Para vir escrever baboseiras e passar vexames, prefiro ficar calado. Idade não é maturidade. Mesmo. E eu, que vou entrar na casa dos quarenta, apercebo-me disso. Acho que vou ser um velho interessante, daqui a vinte anos, porque não me vejo a fazer figuras tristes. Se as fizer, epá, que me alertem. Não irei ficar chateado. Enquanto tiver algo de cabeça, não é coisa que me preocupe.

    Para não me alongar, desejo a todos, sem ressentimentos, porém, mantendo o sentido crítico aguçado, um excelente ano novo. Juízo.

25 de dezembro de 2025

Decoração Natalícia.


   Eu sempre fui muito detalhista. O Natal, passo-o com o meu marido, os dois. Só está quem faz falta. Não gosto de confusão. Não suporto crianças. Nunca quis filhos. Os meus sogros são velhos e ficam na casa deles. Moram a 100 km daqui (é, Espanha é grande). Os meus pais já morreram. A minha família é o meu marido. O resto é conversa.

  Embora sejamos dois, preparo tudo com muito carinho e esmero. Tem sido assim todos os anos, mas este ano mostro-lhes a minha mesa de Consoada e a do Dia de Natal. Tenho vários serviços de Natal, que vou alternando ano após ano. Continuação de Feliz Natal.






24 de dezembro de 2025

Feliz Natal.


   O blogue não é o que era. Não sei se é melhor ou pior. É o que é. Por tradição, costumo passar por aqui no dia de hoje para lhes desejar umas felizes festas. Este ano não é excepção. Espero realmente que todos -todos, todos, todos, como disse o saudoso Papa Francisco- tenham um Bom Natal. Do ano que vem já falaremos mais adiante, creio. Este Natal, para mim, tem um significado especial, porque estou na catequese, e sem dúvida alguma a religião católica tem um destaque na minha vida como nunca antes tivera.

    Um abraço do Mark


A Sagrada Família

21 de dezembro de 2025

Os debates das Presidenciais.


   Tenho visto os debates das presidenciais, poucos em directo, a maioria com delay. Estou indeciso entre dois candidatos. Os debates não ajudam nada. Na maior parte dos casos, sobretudo quando metem o Ventura, aquilo baixa demasiado o nível, e atenção que eu acho que o Ventura tem razão em tudo o que diz. 

    Estes debates, de que gosto, são bons para se conhecerem as ideias de cada um, ainda que depois façam tudo o contrário do que apregoaram, mas isso também não é novidade em nenhum acto eleitoral. Modo geral, são todos muito fraquinhos como candidatos. Nunca os tivemos tão maus, digo eu, numas presidenciais. Fala-se de tudo menos do que realmente importa: competências do Presidente da República, stricto sensu, e o que pode e deve fazer consoante os diversos cenários.

  Eu acho que não faz sentido haver tantas candidaturas, é absurdo. Compreende-se que cada partido queira apresentar o seu candidato, e eles sabem -como BE, PCP, Livre- que não vão ganhar, porém, o objectivo é outro: é aferir a popularidade do partido junto do eleitorado. Não me parece bem. Utilizam uma eleição importante com interesses partidários.

   Sejamos sinceros, de todos os que se apresentam, só passarão à segunda volta -porque parece que vai haver uma segunda volta, algo inédito desde 1986- Marques Mendes, André Ventura e Gouveia e Melo. Talvez, mas menos provável, Cotrim de Figueiredo e António José Seguro. Sinceramente, estas cinco candidaturas bastavam. As outras são manobras de diversão, como referi acima. Depois, já se imagina, juntam-se uns para apoiar determinado candidato. Foi assim em 1986, quando o PCP engoliu o sapo de apoiar Mário Soares para que não ganhasse Freitas do Amaral, e quase de certeza, quarenta anos depois, Freitas do Amaral teria sido um melhor chefe de Estado do que o dinossauro socialista.

    Quanto a mim, tenho gostado dos episódios da novela, quando mais não seja têm-me animado os serões.


17 de dezembro de 2025

Amesterdão (II).


   Os Países Baixos são mesmo outro mundo. Tenho viajado bastante pela Europa, mas nunca tinha ido tão a norte. Sente-se o contraste cultural. Construída em grande parte sobre diques, Amesterdão tem canais por todas as partes. Provavelmente imaginar-se-á que cheiram mal como em Veneza. Não. Eles fazem circular a água dos canais com o Mar do Norte. Até a Rainha Máxima já se banhou neles. No Verão é comum que o façam.

      Por todas as partes, quer na capital, quer em Roterdão, capital económica, ou em Haia, capital política, há obras nas ruas. São um povo trabalhador, que ergue, constrói. Melhora. Os arranha-céus não são tão antigos assim. Houve um boom nos anos 70 e 80, mas o espírito vem de trás. Após a II Guerra Mundial, quando Roterdão foi destruída (só sobrou uma igreja e mais um par de edifícios) e os holandeses tiveram de capitular ante a Alemanha Nazi, em risco de se destruir também Amesterdão, no dia seguinte à destruição já estavam a pensar no que podiam fazer para reerguê-la com os recursos que tinham. Mais ou menos como o Marquês de Pombal no século XVIII, após o terramoto de Lisboa. Não é de estranhar que tenha sido, antes de secretário de Estado plenipotenciário de Dom José I, embaixador de Portugal em Viena. O pragmatismo germânico não tem paralelo.

     E depois há o portuguesinho comum, que vem aqui ao lado, a Espanha, come uma merda de um doce típico espanhol, diz meia dúzia de palavras em portunhol e já se acha muito cosmopolita. E eu, que vivo em Espanha e falo castelhano perfeito (com um diploma da Real Academia Espanhola), só me consigo rir.

12 de dezembro de 2025

Amesterdão.


   Estive dez dias em Amesterdão. Não conhecia a cidade. Adorei. Tudo. Da cidade em si ao povo. Da organização do país. Da funcionalidade. Da pontualidade. Do pragmatismo. De tudo, enfim, que inexiste em Portugal, e em Espanha, onde vivo.

    Não irei fazer as tradicionais publicações com cada dia e as actividades que desenvolvi lá. Fizemos e conhecemos muito, mais até do que estava no roteiro original. Sobrou, inclusive, tempo para ir a Roterdão e a Haia. Sendo os Países Baixos um país pequeno, as cidades distam pouco entre si. Fomos, também, a pequenas localidades limítrofes de Amesterdão, como Zaanse Schans, Volendam, Edam, Marken, Haarlem. Provámos os deliciosos queijos neerlandeses. 


Um dos inúmeros canais de Amesterdão


   A temperatura esteve agradável. Não senti grande diferença face às temperaturas galegas no Inverno. Tão-pouco choveu -choviscou- o que ajudou nos dias de exploração da cidade. Naturalmente, fomos aos principais museus: Rijksmuseum, Anne Frank Museum, Van Gogh Museum, e Mauritschuis, em Haia. Sobrou tempo para o Museu da Prostituição, no famoso Red-light district, e ainda para o Heineken Experience, a primeira fábrica da famosa cerveja. Destaque para o Vrolik Museum, um espaço dedicado a malformações genéticas, com fetos humanos em formol. As bicicletas por todas as partes podem, num primeiro momento, deixar-nos desorientados. É uma cidade pensada para as bicicletas.

     Fiquei com imensas saudades daquelas paragens.

1 de dezembro de 2025

O Natal começou.


   Pelo menos aqui em casa já é Natal. Montámos a árvore ontem, no Primeiro Domingo do Advento, que este ano calhou a 30 de Novembro. É assim que manda a melhor tradição cristã. E eu adoro a minha árvore. :)




26 de novembro de 2025

O Dia da Democracia.


   Em 25 de Novembro de 1975, Portugal viveu um momento decisivo no seu percurso democrático. Nesse dia, sectores das Forças Armadas, alinhados com a extrema-esquerda, protagonizaram um tentativa de golpe de Estado -incluindo paraquedistas que ocuparam várias bases aéreas- numa fase em que o país ainda se encontrava no turbulento processo revolucionário pós-Revolução dos Cravos, o PREC (“Processo Revolucionário em Curso”). 

  A operação militar moderada, liderada por figuras como Ramalho Eanes, enfrentou e travou esse golpe, defendendo a normalização institucional e abrindo caminho para a consolidação de uma democracia pluralista. Para muitos historiadores, o 25 de Novembro é visto como o fim simbólico do PREC e o início de uma estabilização política que levou à promulgação de uma nova Constituição em Abril de 1976.

  Quanto a mim, faz todo o sentido que se assinale esta efeméride. Sem o 25 de Novembro, Portugal não seria o que é hoje, ou pelo menos não o teria sido. Pelo meio teríamos tido uma ditadura marxista-leninista ou uma intervenção estrangeira da NATO para a impedir. O caos, em suma. Se o 25 de Abril foi o Dia da Liberdade, o 25 de Novembro foi o Dia da Democracia.


21 de novembro de 2025

O voto emigrante.


   Há dias, o Governo lançou uma campanha com um jogador de futebol internacional português e a sua namorada para combater o abstencionismo do voto dos emigrantes nas eleições presidenciais. Não seria mais fácil e útil, digo eu, mudar o sistema eleitoral, pelo menos no que diz respeito ao voto dos emigrantes? É que eu sou emigrante, e caso não saibam, nós, emigrantes, nas presidenciais não podemos votar pelo correio. Pois é. Nas legislativas, sim. Ou seja, se quisermos escolher o nosso Presidente da República, como qualquer cidadão português, temos de ir a uma representação diplomática portuguesa, aquela em que estamos recenseados. Para muitos emigrantes, podem ser centenas de quilómetros. No meu caso, são mais de 200 km. Valerá a pena? Não, claro que não. É muita hipocrisia, de facto.

15 de novembro de 2025

Vidas frustradas, sonhos frustrados.


   Quando vejo tipos de 30, 40 e 50 e tal anos a acumular múltiplos relacionamentos ao longo dos anos, apercebo-me do quão sortudo sou em ter um marido/companheiro fora do dito mundo gay; uma pessoa que me ama, me estima e me cuida. Sou mesmo muito feliz com a pessoa que tenho. Não tem um corpo de sonho (como eu não tenho), mas tem um coração que vale por tudo. Tive mesmo muita sorte, e se a tive, é porque o mereço. Tenho pena desses que andam por aí de cama em cama, com amores “para toda a vida”, e que não saem da cepa torta. Que infelizes serão. E que Deus tenha misericórdia deles.

21 de outubro de 2025

Catequese.


   No dia 30 deste mês, começo a catequese. Eu sei, não é comum. Geralmente, frequentamos a catequese na infância. Os meus pais, porém, apesar de serem católicos, não praticavam. Eu fui baptizado, e só. Não fiz os demais sacramentos. E também nunca antes pensara nisso. Mas recentemente comecei a pensar, e cheguei à conclusão de que é algo que gostaria de ter feito, e que não fiz, e que posso fazer agora. Chama-se catecumenado de adultos. Existe aqui na paróquia onde vivo. Falei com o padre e inscrevi-me. O objectivo é fazer a Primeira Comunhão e o Crisma, para poder participar na Eucaristia plenamente (comungando). Estou feliz por ir fazer a catequese.

15 de outubro de 2025

Desmotivado.


   Ultimamente ando com pouquíssima vontade de vir ao blogue. Tudo tem um começo e um fim, e devo dizer que ando numa ginástica doida para não encerrar este espaço, sobretudo porque lhe tenho carinho. São tantos anos. Não há é vontade. Não há assunto. E depois, quando perdemos os leitores, este exercício deixa de fazer sentido, afinal, escrever num blogue implica necessariamente gostar de se ser lido, caso contrário não o fazíamos. Impõe-se a questão: escrever para o boneco? Faz sentido? Escrever só porque sim também não. Além disso, não há realmente muito para dizer. Continuo nas minhas viagens, continuo a ter as minhas opiniões sobre os assuntos quentes do momento. O que já não existe é aquela necessidade de partilhá-lo aqui, porque também não há público, ou se há é omisso. E até esta publicação vem quase na urgência de ter de dizer algo.

7 de outubro de 2025

Braga.

 

   No fim-de-semana passado estive em Braga, pela primeira vez, e adorei a cidade.

  Não admira que seja a cidade dos padres, como se costuma dizer.

   Tem uma igreja em cada esquina.


A Sé de Braga


  Pareceu-me ser uma cidade jovem, dinâmica, bastante povoada, com imenso para ver.


Jardim de Santa Bárbara 

  No sábado explorámo-la: o centro histórico, a Sé (onde repousam os pais de Dom Afonso Henriques), algumas capelas, e um extraordinário jardim (de Santa Bárbara).


Túmulo de Dona Teresa de Leão 

   O domingo, reservámo-lo para o Santuário do Bom Jesus (não podia faltar) e para o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro (a 2 km do primeiro).


Santuário do Bom Jesus do Monte


   Se não conhecem Braga, aproveitem, que merece a pena.


30 de setembro de 2025

O Elevador da Glória.


   Foi no nosso segundo dia de férias. Tínhamos acabado de chegar a Fuerteventura quando o M. me disse: “Houbo un accidente en Lisboa”. Quando soube, nem quis acreditar. Que tragédia, meu Deus. Dezasseis ou dezassete mortos e vários feridos. Um cenário surreal numa cidade tão turística como Lisboa. Erros e falhas na manutenção de um dos ícones da capital. Será que a responsabilidade vai morrer solteira uma vez mais? A julgar pela forma como a comunicação social se esqueceu do assunto, não me admiraria.

18 de setembro de 2025

As férias.


   Olá, como estão? Pela primeira vez em anos, passam-se semanas sem vir ao blogue e sem me lembrar disto. Ando aqui a fazer uma força enorme para não deixar o estaminé morrer, mas realmente não há vontade nenhuma. Não há nada que me puxe para vir aqui. Estímulo. 

     Bom, adiante. Vim de férias. Estive em Vinhais, no norte do país, dois dias, e depois estive em Fuerteventura durante duas semanas, a conhecer a ilha, a fazer praia, piscina, essas coisas de que gosto tanto. Espero que por aí esteja tudo bem. Foi só mesmo uma passagem de médico para publicar quatro palavras.

26 de agosto de 2025

Os alfaiates da democracia.


   Em Lisboa, o Palácio Ratton não costura vestidos, mas corta leis. Com tesoura invisível e linha jurídica, os senhores da toga ajustam a bainha da República. E, tal como um alfaiate que decide que o cliente fica melhor sem mangas, podem devolver ao Parlamento uma lei cuidadosamente cosida… agora reduzida a trapos.

   Nos Estados Unidos, este ofício é velho. Lá, nove alfaiates supremos, vitalícios e bem pagos, reparam há muito tempo que a Constituição é um tecido elástico: estica quando convém, encolhe quando muda o vento. Um dia cabe um direito ao aborto; noutro, já não. É a magia da interpretação, essa arte discreta de mudar o mundo sem sujar as mãos de votos.

   Portugal sempre teve menos paciência para estas alfaiatarias. Mas o veto à lei dos estrangeiros mostrou que também por cá se faz alta-costura política. A maioria parlamentar quis alargar a roupa da cidadania; os juízes apertaram-na. Tecnicamente, a peça tinha defeito. Politicamente, foi um ajuste que alterou o modelo inteiro.

   Chamam a isto judicialização da política; quando a passadeira do poder passa pela sala de audiências. É um desfile peculiar: os deputados são modelos de ocasião, desfilam com as suas leis novas, e no fim os juízes decidem se o corte está dentro das tendências constitucionais.

   A democracia veste-se de preto e jura que é apenas guarda-roupa. Mas quando os alfaiates começam a ditar a moda, é caso para perguntar: quem manda, afinal? O povo que escolhe os tecidos ou os juízes que decidem se a saia é demasiado curta?


21 de agosto de 2025

Incêndios.


   Gira o disco e toca o mesmo, e não pensem que é só em Portugal. Em Espanha é igual. Este ano foi-me particularmente terrível, porque pela primeira vez soube o que é lidar com um incêndio. Vivo numa das províncias espanholas mais afectadas pelos terríveis incêndios deste ano. Tive-o aqui, atrás de casa, muito perto, a ameaçar o que temos. A nós e a outros vizinhos. Os montes circundantes estão calcinados. Foi uma tragédia. Na noite de domingo para segunda, ninguém dormiu. O meu marido fora, de mangueira na mão. Vizinhos a ajudá-lo. Outros que estavam nas suas próprias guerras. O fogo ameaçou todos. Aqui, em vários concelhos. Parecia um cenário apocalíptico. Eu saí em torno das 2h da madrugada. Não aguentava mais. Fui tentar dormir um pouco. O M. entrou em casa às 7h da manhã, cansadíssimo. O fogo estava controlado. Felizmente temos um vinhedo enorme atrás, e as vinhas não ardem com facilidade.






    Ficou o stress pós-traumático, além do fumo entranhado nos pulmões. As fotos que lhes deixo são elucidativas.

11 de agosto de 2025

Praias Fluviais.


   Eu adoro praia. Não é novidade. Dado que vivo longe  da costa, a solução passa pelas praias fluviais, ou de rio, que podem ser lindas. Para alguns talvez não sejam o mesmo que a praia de costa. Admito que sim. Assim mesmo, são praias, ajudam a refrescar; a água é doce, cristalina. A relva não suja. A areia sim. O verde substitui a imensidão do oceano. Foi assim o dia de ontem, numa praia fluvial a 70 km de onde moro. Chama-se Playa Fluvial de Vega de Espinareda, e é um pequeno paraíso no Bierzo (Castela e Leão).






2 de agosto de 2025

Guimarães.


  No fim-de-semana passado, aproveitando que o M. esteve dois dias de folga (milagre!), fomos a Guimarães. Nenhum dos dois conhecia a cidade-berço, sendo que eu tenho mais obrigação do que ele, que sou português.


Belíssimo castelo


  Ficámos alojados num hotel muito simpático no centro da cidade. Cidade linda, diga-se. Gostei muito. Bem cuidada, arranjada, com muito para ver, a nível de monumentos e assim, e além disso -acredito eu que por ser património da humanidade desde 2001- tem imensos turistas de todo o mundo, o que lhe confere uma atmosfera vibrante e animada.


O vibrante centro histórico 


 Percorremos os locais mais emblemáticos, designadamente o Castelo, o Paço dos Bragança, o casco histórico e várias das igrejinhas cheias de encanto. Sem dúvida alguma, Guimarães merece a pena. 


Dom Afonso Henriques, 1° Rei de Portugal 


   Agora exploro o norte, por fim. Estou mais perto do Minho e de Trás-os-Montes do que estava quando vivia em Lisboa, portanto, é-me mais fácil aventurar-me naquelas paragens.

21 de julho de 2025

A caça ao mouro.


   As pessoas -os autóctones- estão cansadas dos imigrantes e da criminalidade que lhes está associada. Recentemente, um grupo deles deu uma valente sova num idoso. Naturalmente, as pessoas da terra -Torre Pacheco, em Múrcia, Espanha- saíram às ruas a pedir justiça. Foram dias de muita agitação e distúrbios. Uma verdadeira batalha campal. Para a comunicação social tendenciosa e wokista, foi uma campanha da “extrema-direita”, daquilo a que eles chamam extrema-direita; na verdade, foi uma revolta da população de Torre Pacheco, extenuada pela violência e pela falta de resposta das autoridades.

   Estamos quase todos, no fundo, a um passo de pegar em armas e sair às ruas. Somos atacados na nossa dignidade por gente que vem, sabe-se lá de onde, provocar o caos e a desordem. Gradualmente, chegam, implantam-se, reproduzem-se como coelhos, e um dia seremos uma minoria na Europa. É já uma realidade. Pelo menos aqui em Espanha, ver mulheres de lenço na cabeça tornou-se de tal forma vulgar que ninguém se espanta. Portugal vai pelo mesmo caminho, afinal, se não são marroquinos, são paquistaneses, africanos, latino-americanos, ou seja, uma amálgama de raças que vai deixar bem pouco da nossa cultura.

   Situações como aquela ocorrida em Torre Pacheco tornar-se-ão cada vez mais comuns. Chegaremos às rebeliões armadas. Não quero ficar conhecido como o profeta da desgraça, mas realmente não é preciso ser-se dotado de capacidades paranormais para se adivinhar o que nos espera. E não é bom.


5 de julho de 2025

Diogo Jota & André Silva.


    Diogo Jota era um nome conhecido de todos nós. Internacional português, figura incontornável da Selecção Nacional e do Liverpool, vivia o auge da sua carreira desportiva, um daqueles raros momentos em que o talento, o esforço e a oportunidade se encontram e brilham. Casado há apenas duas semanas, vivia também o melhor período da sua vida pessoal, ao lado da mulher com quem teve três filhos, todos eles pequenos: um menino de quatro anos, outro de dois, e uma bebé de apenas oito meses. Agora, essa mulher fica sozinha, com a responsabilidade de criar os seus filhos e a dor insuportável de uma perda sem nome. Porque perder o amor da nossa vida assim, de repente, é algo para o qual ninguém está preparado. Eram namorados desde adolescentes.

   André Silva, o irmão, jogava no Penafiel. Menos conhecido, mas com igual paixão pelo futebol. Também ele via a vida pela frente, também ele com sonhos, com família, com planos. E agora também ele parte, tragicamente, ao lado do irmão com quem partilhou a infância, o sangue, os afectos e, tristemente, a morte.




   Os pais de Diogo e André ficam sem filhos. Tinham apenas aqueles dois. Imaginar essa dor é impossível. É uma ferida que não cicatriza, uma ausência que grita, um silêncio que vai acompanhar o resto dos seus dias. Nada pode preparar uma mãe ou um pai para sepultar os dois filhos ao mesmo tempo.

  Estamos perante uma perda imensa. Uma família destruída. Um país em choque. Uma estrada que leva duas vidas que ainda tinham tanto por viver. E nós, que cá ficamos, tentamos encontrar sentido numa tragédia que não faz sentido nenhum. Ironia das ironias, os dois irmãos perderam a vida numa localidade que não fica assim tão longe de onde eu moro: Sanabria, aqui ao lado, na província de Zamora. Conheço a auto-estrada onde se deu o fatídico acidente. Passo por lá várias vezes.

   Que Diogo e André descansem em paz. E que os seus nomes fiquem para sempre ligados não apenas ao talento que mostraram em campo, mas à beleza da sua ligação fraterna e à brutalidade da injustiça que os levou.


26 de junho de 2025

50 anos de independência, e eu penso no meu pai.


    O meu pai nasceu em Moçambique. Filho de portugueses, sim, mas moçambicano no coração, no carácter, na alma. Sempre me falou daquela terra com uma luz nos olhos que nunca vi em mais lado nenhum. Dizia, muitas vezes, que amava Moçambique mais do que amava Portugal. E eu acredito que era verdade.

    Foi lá que ele cresceu, aprendeu a correr pelas matas, sentiu o calor do mundo pela primeira vez; que descobriu os cheiros, os sons, as cores que moldaram o seu espírito. Foi lá que ele aprendeu o valor da amizade, da partilha, da luta, da dignidade. Moçambique não era só o lugar onde ele nasceu: era o lugar onde ele se tornou quem era.


O meu pai, ao centro, em Moçambique

    Lembro-me de como se emocionava sempre que ouvia música moçambicana, de como falava da Ilha de Moçambique, de Lourenço Marques, da Beira, de Inhambane, da praia, das pessoas, da mistura, da liberdade que sentia nos tempos da juventude. Dizia-me que Moçambique lhe tinha dado tudo. Que não havia no mundo terra mais bela. E que, apesar de o sangue ser português, o coração era moçambicano.

  Hoje, se fosse vivo, estaria feliz. Orgulhoso. Talvez até emocionado. Porque ver Moçambique celebrar 50 anos de independência seria para ele uma vitória, uma confirmação daquilo que sempre sentiu: que aquela terra tem direito à sua voz, ao seu destino, ao seu lugar no mundo.

    Neste 25 de Junho de 2025, celebro também por ele.


18 de junho de 2025

The Emancipation of Mimi, vinte anos depois.


 Faz agora vinte anos que Mariah Carey lançou The Emancipation of Mimi, um dos álbuns mais marcantes da sua carreira -e, sem que ela o soubesse, também da minha vida.

  Era 2005. No calendário, um Verão escaldante; no coração, uma inquietação difícil de nomear. Tinha 19 anos e começava a perceber que a vida não era tão protegida como julgava. Foi o ano em que os meus pais, até aí aparentemente estáveis, começaram a dar-se mal. O ambiente em casa tornava-se tenso, pesado, um silêncio que gritava por dentro. No ano seguinte, a separação seria inevitável.

   No meio desse desconforto íntimo, The Emancipation of Mimi apareceu como um raio de luz. Eu passava tardes inteiras colado à rádio, com os dedos cruzados, à espera de ouvir It’s Like That e We Belong Together -os dois grandes êxitos daquele Verão. Era quase um ritual: o rádio ligado, o volume no máximo, e eu a tentar esquecer o infortúnio da minha existência e o vazio. Cada vez que a voz da Mariah ecoava, sentia uma espécie de abraço. Um conforto.




    O álbum marcou não só o meu Verão, mas também o regresso triunfante de Mariah Carey. Depois do fracasso duplo de Glitter (2001), tanto o filme como o disco, e de Charmbracelet (2002), que também não teve o impacto esperado, muitos pensaram que o tempo dela tinha passado. Mas em 2005, ela renasceu. Com The Emancipation of Mimi, mostrou ao mundo que ainda tinha muito para dar, com uma voz renovada, uma presença mais madura e uma vulnerabilidade que tocava fundo.

  Esse renascimento artístico coincidiu, de forma quase simbólica, com a minha necessidade de encontrar esperança no meio do caos. O título do álbum, A Emancipação de Mimi, parecia falar também da minha tentativa de libertação, de encontrar força dentro de mim quando tudo à volta desabava.

   Hoje, vinte anos depois, olho para esse álbum não apenas como um marco da pop, mas como uma tábua de salvação. Há músicas que são mais do que canções: são memórias, abrigo, capítulos da nossa história. We Belong Together ainda me emociona. Ainda me lembro do silêncio do meu quarto, da solidão, e daquela melodia que dizia tudo o que eu não conseguia dizer. É um esboço da minha emancipação, a possível naquele momento, que estava prestes a começar, com o início de um novo ciclo.


30 de maio de 2025

Cada um com o seu ritmo.


    Há dias em que dou por mim a pensar nisto: quase todos os meus colegas da faculdade já estão casados. Muitos com filhos. E eu? Também estou casado, é certo, e feliz, muito feliz. Os filhos, decidimos que não. Não sentimos esse apelo, esse chamamento. E está tudo bem.

  Sempre fui ligeiramente fora de tempo. Desde miúdo que o noto. O meu ritmo nunca foi o dos outros, e durante muito tempo achei que havia qualquer coisa de errado comigo por causa disso. Agora vejo que não. Simplesmente, a vida tem mesmo muitos caminhos, e nem todos passam pelo mesmo sítio.

  Não temos de nos espelhar nos outros. Não temos de seguir os passos que nos dizem que são os certos. A verdade é que cada um de nós tem o seu tempo, os seus desejos, a sua forma de chegar às coisas. Eu tenho vindo a conquistar o que acredito merecer, ao meu ritmo e à minha maneira. A minha casa. O meu marido. Os meus animais. Comecei a conduzir talvez tarde, porém, quando me senti preparado e maduro para o fazer. Pouco a pouco, tudo vai acontecendo.

   A felicidade não obedece a um único modelo. O que existe é o que nos faz sentido. E isso basta. Não preciso de viver como os outros para saber que a minha vida é minha.

   E se às vezes me sinto fora do compasso, não faz mal. Talvez esteja apenas a dançar outra música. Uma mais minha. E nessa música, com o tempo certo dos dias bons e das noites tranquilas, e dos dias menos bons e das noites agitadas, eu vou sendo -devagarinho- aquilo que sempre sonhei ser: eu, em paz com o que conquistei, seja pouco ou muito. Que me seja suficiente.


25 de maio de 2025

Já posso desfrutar, inclusive de noite.


 

   A minha piscina, de noite, já preparada para o Verão. 

22 de maio de 2025

Bichas… (parte 6 - bichas que gostei de conhecer).


   Recentemente, escrevi uma leva de várias publicações sobre bichas que conheci através do blogue e não deveria ter conhecido. Nunca referi os seus nomes. Deixei no ar sobre quem seriam. Contudo, houve pessoas que gostei de conhecer, e essas sim irei mencionar aqui, já que me parece justo falar do bom também. Pessoas que conheci pelo blogue e com quem tive bons momentos. Nem tudo foi aquele terror que descrevi no Bichas que conheci… (partes 1, 2, 3, 4 e 5).

   Vou começar pelo Francisco, do blogue Um Deus Caído do Olimpo. Foi, de todas as pessoas que conheci através dos blogues, aquela com quem mais mais privei, quer com outras pessoas, quer os dois apenas. É um rapaz tranquilo, boa onda. Tem lá as suas maluquices, mas não é má pessoa. Jamais me esquecerei duma noitada, que acabámos às 6h da matina em Santa Apolónia a tomar o pequeno-almoço. Se Deus quiser haveremos de repetir!

    O N., do blogue Um Ribatejano no Oeste. Este rapaz tinha uma paixoneta por mim. Não era correspondido, mas nem isso por perdemos a amizade. Entretanto, com os anos fomo-nos afastando. Não sei nada dele. Espero que esteja bem, e guardo boas recordações dos momentos vividos (nunca tivemos nada de íntimo, atenção).

    O Horatius, do blogue Aqui do Campo. Bom rapaz, simples. Ainda hoje mantemos um contacto frequente pelas redes sociais.

    A Magg, leitora de blogues, com quem saí várias vezes. É uma moça educada, não se mete em intrigas nem em confusões. Pareceu-me que, em todas as polémicas, procurou sempre manter uma certa distância, e até mesmo imparcialidade. Gostei de a conhecer.

    O rapaz do blogue Meia Noite e Um Quarto. Perdão, não me lembro do nome. Era giro. As bichas ficavam todas babosas. Das poucas vezes que privei com ele, pareceu-me ser um bom rapaz, boa onda.

    O Sérgio, do blogue good friends are hard to find. Estive com ele, salvo erro, uma ou duas vezes. Igualmente simples, boa onda. Pena que se foi dos blogues (mas quem é que não se foi?)

   O Manel, leitor do meu blogue, talvez a pessoa que mais gostei de conhecer pessoalmente. Tivemos um jantar a dois agradabilíssimo. Um senhor culto, educado, um gentleman. Vamos mantendo contacto.

    O Miguel, do blogue um voo cego a nada. Deixo-o para o fim porque o Miguel já não está entre nós. Partiu em 2019, depois de uma longa doença. Sei que me estimava, como eu o estimava; sei que me admirava pela minha escrita inusual num rapaz tão novo (sim, eu fui novo). Afastámo-nos na recta final da sua vida, e consigo intuir o motivo - terá sido “envenenado” contra mim por duas ratazanas que lhe eram próximas (a bicha bicho, solteirona dos gatos, e a bicha velha da linha de Sintra). Paz à sua alma. Ele e o seu encantador blogue fazem falta.

   Conheci outras pessoas nos eventos dos blogues, que não tiveram qualquer impacto em mim, cujos nomes já nem me lembro, e que portanto não gostei nem desgostei de conhecer. Fica aqui a minha homenagem a todos.

19 de maio de 2025

Uma expressiva viragem política.


  As eleições legislativas de ontem marcaram uma viragem incontornável no panorama político português. Pela primeira vez, o CHEGA conquistou um espaço significativo no parlamento, tornando-se muito provavelmente a segunda força mais votada. As peças do jogo mudaram. Há, desde ontem, um antes e um depois; um novo actor na cena política, capaz de influenciar determinantemente políticas e decisões.

   A ascensão do CHEGA não surgiu do nada. É o reflexo de uma frustração profunda e prolongada de uma parte do povo português que se sente esquecida pelas políticas do sistema tradicional. Durante anos, PS e PSD lideraram discursos que se tornaram distantes da realidade concreta: salários baixos, insegurança, serviços públicos que falham e uma sensação crescente de impunidade nas esferas do poder. A estrondosa derrota do PS e dos partidos à sua esquerda não deve ser lida como um simples “revés eleitoral”, mas sim como um sinal claro de que a paciência dos cidadãos se esgotou. Os portugueses não acompanham os discursos fúteis e muitas vezes hipócritas de partidos como o LIVRE, o PAN ou mesmo o BE. As suas bandeiras não são o foco das preocupações do cidadão comum, que está-se marimbando para a Palestina ou para a Ucrânia, ou até mesmo para as energias “verdes”. As pessoas querem trabalho, dignidade salarial, bons serviços públicos, paz e segurança.

   Mas a leitura do descontentamento não pode ficar apenas pela esquerda. Também o PSD, no último governo, teve oportunidades concretas de reformar o país, e falhou. Na área da saúde, por exemplo, os problemas crónicos mantiveram-se ou agravaram-se: listas de espera intermináveis, falta de profissionais no SNS, encerramentos parciais de urgências e um sentimento de abandono nas regiões do interior. Para muitos eleitores, não há diferença entre promessas que não se cumprem à esquerda… ou à direita.

   É neste vazio de respostas eficazes que o CHEGA cresce. Para muitos, surge como a única voz que fala sem rodeios, que denuncia o que está mal, e que desafia a complacência das elites partidárias. É um partido corajoso, que não teme enfrentar o que considera ser prejudicial para o país, como a imigração descontrolada, a doutrinação das nossas crianças na ideologia woke LGBT ou ainda, para citar outro exemplo, o atentado aos nossos valores cristãos e tradicionais, onde se insere a família.

    O desafio está agora em saber escutar este novo eleitorado, e não com medo, mas com inteligência. E com a responsabilidade de fazer da política um espaço de soluções, e não apenas de trincheiras ideológicas.


14 de maio de 2025

Bichas… (parte 5 - a bicha adolescente tardia).


   Falar desta bicha tem coisas que se lhe digam. Comecemos pelo começo, como se costuma dizer: esta bicha não me suscita ódio, ou raiva. Pena, talvez, ao olhar para trás. A bicha começou a organizar jantares de bloggers, quando a bicha velha (a que sustentava um chulo do leste) deixou de organizar os ditos jantares. Esta bicha -olhem, curiosamente como a bicha velha, mas muito mais nova- achava-se a melhor: ela própria dizia que era o “blogger gay mais influente de Portugal”. Delírios. Tinha 200 seguidores, nenhum impacto social, jamais foi influencer ou teve relevância. Vivia num mundo à parte. Quando a conhecemos, percebemos o porquê dessa insegurança: é feio, usa óculos, veste-se mal. Um horror. A acrescer que de adolescente não tem nada: tinha perto de trinta anos na altura. 

    Bom, eu conheci a bicha num desses eventos. Chegamos ao Natal, e eu, que me relacionava cordialmente com ela, propus-lhe que me ajudasse a organizar um lanche de Natal de bloggers, uma vez que adoro a quadra. E fi-lo para ser algo divertido, a dois, e não porque precisasse da ajuda. Fi-lo, honestamente, de coração aberto. O que se passou a seguir é hilariante. Depois do lanche, a macaca foi escrever no blogue dela que a ideia houvera sido dela, que a organização fora dela, omitindo-me completamente, quando fui eu quem lhe deu a ideia de participar comigo na organização. Nem mencionou o meu nome. Reparem, isto é uma estupidez, mas é este tipo de gente que, em cargos de poder, passa a perna aos colegas se puder. Nestas mesquinhices (sujou-se por pouco) vemos como são as pessoas e o que fariam noutras situações. 

   Depois da polémica -porque naturalmente tudo aquilo me revoltou-, foi escrever barbaridades a meu respeito sem me mencionar. Quem não se sente não é filho de boa gente. A criatura acho que já nem anda por aí. Achava-se tão importante… Nunca o foi. Às vezes penso que Deus é justo, e portanto não foi à toa que ela dormiu dois anos no sofá da sala. (risos) Uma miserável. Aqueles jantares eram um pavor. Uma vez até levei um amigo meu, fora do mundo dos blogues, para que aquilo tivesse mais animação. Quando soube que eu ia ao festival de cinema de terror (Motel X), começou a ir também; quando soube que eu ia ao Queer Lisboa, o mesmo, escrevendo críticas sobre os filmes para me imitar. Indescritível, e ridículo. Hoje em dia, anos e anos depois, rio-me. 

    Não lhe desejo mal. Que ela seja feliz. Creio que não o é, a julgar pela vidinha que tinha. Olhem, beijinhos para ela, e que se porte mal (era vulgar até nos chavões).

13 de maio de 2025

O jardim.


   Como vocês saberão, eu e o M., o meu marido, comprámos a nossa casa em Abril de 2024, há pouco mais de um ano. É um chalé com imenso terreno, piscina, árvores de fruto, enfim, a casa de sonho de muitos. Porém, não estava perfeita, se é que existe a perfeição. O anterior proprietário nunca aqui viveu. Construiu a casa e, sabe-se lá porquê, continuou a viver no seu apartamento. Soube que dormiu aqui três vezes em tantos anos. A casa estava abandonada, apesar de habitável. Abandonada no sentido de descuidada. O jardim precisa de uma grande volta, o interior estava pronto a entrar, mas de igual forma precisava de arranjos. Pouco a pouco estamos a tentar deixar tudo arranjadinho. O jardim é uma das nossas prioridades de momento.


Pouco a pouco, porque Roma e Pavia não se fizeram num dia


  Temos um terreno de quase 1.700m2. É imenso. O terreno circunda a casa toda. Há aqui muito para fazer. Entretanto, neste último fim-de-semana, o M. e eu começámos a dar um jeito numa parcelazinha do jardim. Aquilo vai ganhando forma. É bom ter projectos. Mal vejo a hora de ter tudo como eu quero, o que vai levar muito tempo, quer dentro de casa, quer no exterior.

(a propósito, e Deus lhe tenha a alma em descanso, o anterior proprietário suicidou-se há uns dias; quando soube, fiquei chocado)

11 de maio de 2025

Gaza.


  Vou ser bastante curto: porque é que estas bichas que se preocupam tanto com a situação humanitária em Gaza não vão para lá ajudar em vez de irem de férias para Itália e para o raio que as parta? É que a solidariedade de redes sociais pode até parecer bem, mas não engana.

   Cada vez tenho menos paciência para esta esquerda burguesa, ociosa e hipócrita.

8 de maio de 2025

Leão XIV.


  Com a eleição de Robert Francis Prevost como Papa -agora com o nome de Leão XIV- algumas feridas voltam a abrir-se. Feridas antigas, que muitos de nós carregamos em silêncio. Porque isto não é apenas a escolha de um novo líder religioso. É a escolha de alguém que, pelas suas palavras e atitudes passadas, deixou claro que vê a nossa existência -a das pessoas homossexuais- como algo em contradição com o Evangelho.

  Em 2012, Prevost expressou preocupação com a “vida homossexual” e com as chamadas “famílias alternativas” formadas por casais do mesmo sexo. Falava como se o nosso amor fosse uma ameaça, como se fosse errado, ilegítimo, quase um desvio moral.

   Agora é Papa. E embora alguns esperassem que seguisse o caminho mais acolhedor de Francisco, tudo indica que Leão XIV representa uma reafirmação da rigidez doutrinal. O medo de mudar. O medo de ver o outro como legítimo.

    Como homem gay e crente, confesso que isto me dói. Porque continuo a sonhar com uma Igreja que acolha de verdade, que não nos tolere “apesar de”, mas que nos celebre “com tudo o que somos”. Não espero milagres. Mas ainda espero gestos. Palavras. Sinais de que também nós temos lugar à mesa.

    Talvez o maior desafio não esteja apenas em Roma, mas em nós próprios: em continuarmos a acreditar no amor, mesmo quando nos fecham a porta. Em vivermos com dignidade, mesmo sem reconhecimento. Em falarmos, mesmo quando parece que ninguém nos quer ouvir.