21 de dezembro de 2025

Os debates das Presidenciais.


   Tenho visto os debates das presidenciais, poucos em directo, a maioria com delay. Estou indeciso entre dois candidatos. Os debates não ajudam nada. Na maior parte dos casos, sobretudo quando metem o Ventura, aquilo baixa demasiado o nível, e atenção que eu acho que o Ventura tem razão em tudo o que diz. 

    Estes debates, de que gosto, são bons para se conhecerem as ideias de cada um, ainda que depois façam tudo o contrário do que apregoaram, mas isso também não é novidade em nenhum acto eleitoral. Modo geral, são todos muito fraquinhos como candidatos. Nunca os tivemos tão maus, digo eu, numas presidenciais. Fala-se de tudo menos do que realmente importa: competências do Presidente da República, stricto sensu, e o que pode e deve fazer consoante os diversos cenários.

  Eu acho que não faz sentido haver tantas candidaturas, é absurdo. Compreende-se que cada partido queira apresentar o seu candidato, e eles sabem -como BE, PCP, Livre- que não vão ganhar, porém, o objectivo é outro: é aferir a popularidade do partido junto do eleitorado. Não me parece bem. Utilizam uma eleição importante com interesses partidários.

   Sejamos sinceros, de todos os que se apresentam, só passarão à segunda volta -porque parece que vai haver uma segunda volta, algo inédito desde 1986- Marques Mendes, André Ventura e Gouveia e Melo. Talvez, mas menos provável, Cotrim de Figueiredo e António José Seguro. Sinceramente, estas cinco candidaturas bastavam. As outras são manobras de diversão, como referi acima. Depois, já se imagina, juntam-se uns para apoiar determinado candidato. Foi assim em 1986, quando o PCP engoliu o sapo de apoiar Mário Soares para que não ganhasse Freitas do Amaral, e quase de certeza, quarenta anos depois, Freitas do Amaral teria sido um melhor chefe de Estado do que o dinossauro socialista.

    Quanto a mim, tenho gostado dos episódios da novela, quando mais não seja têm-me animado os serões.


17 de dezembro de 2025

Amesterdão (II).


   Os Países Baixos são mesmo outro mundo. Tenho viajado bastante pela Europa, mas nunca tinha ido tão a norte. Sente-se o contraste cultural. Construída em grande parte sobre diques, Amesterdão tem canais por todas as partes. Provavelmente imaginar-se-á que cheiram mal como em Veneza. Não. Eles fazem circular a água dos canais com o Mar do Norte. Até a Rainha Máxima já se banhou neles. No Verão é comum que o façam.

      Por todas as partes, quer na capital, quer em Roterdão, capital económica, ou em Haia, capital política, há obras nas ruas. São um povo trabalhador, que ergue, constrói. Melhora. Os arranha-céus não são tão antigos assim. Houve um boom nos anos 70 e 80, mas o espírito vem de trás. Após a II Guerra Mundial, quando Roterdão foi destruída (só sobrou uma igreja e mais um par de edifícios) e os holandeses tiveram de capitular ante a Alemanha Nazi, em risco de se destruir também Amesterdão, no dia seguinte à destruição já estavam a pensar no que podiam fazer para reerguê-la com os recursos que tinham. Mais ou menos como o Marquês de Pombal no século XVIII, após o terramoto de Lisboa. Não é de estranhar que tenha sido, antes de secretário de Estado plenipotenciário de Dom José I, embaixador de Portugal em Viena. O pragmatismo germânico não tem paralelo.

     E depois há o portuguesinho comum, que vem aqui ao lado, a Espanha, come uma merda de um doce típico espanhol, diz meia dúzia de palavras em portunhol e já se acha muito cosmopolita. E eu, que vivo em Espanha e falo castelhano perfeito (com um diploma da Real Academia Espanhola), só me consigo rir.

12 de dezembro de 2025

Amesterdão.


   Estive dez dias em Amesterdão. Não conhecia a cidade. Adorei. Tudo. Da cidade em si ao povo. Da organização do país. Da funcionalidade. Da pontualidade. Do pragmatismo. De tudo, enfim, que inexiste em Portugal, e em Espanha, onde vivo.

    Não irei fazer as tradicionais publicações com cada dia e as actividades que desenvolvi lá. Fizemos e conhecemos muito, mais até do que estava no roteiro original. Sobrou, inclusive, tempo para ir a Roterdão e a Haia. Sendo os Países Baixos um país pequeno, as cidades distam pouco entre si. Fomos, também, a pequenas localidades limítrofes de Amesterdão, como Zaanse Schans, Volendam, Edam, Marken, Haarlem. Provámos os deliciosos queijos neerlandeses. 


Um dos inúmeros canais de Amesterdão


   A temperatura esteve agradável. Não senti grande diferença face às temperaturas galegas no Inverno. Tão-pouco choveu -choviscou- o que ajudou nos dias de exploração da cidade. Naturalmente, fomos aos principais museus: Rijksmuseum, Anne Frank Museum, Van Gogh Museum, e Mauritschuis, em Haia. Sobrou tempo para o Museu da Prostituição, no famoso Red-light district, e ainda para o Heineken Experience, a primeira fábrica da famosa cerveja. Destaque para o Vrolik Museum, um espaço dedicado a malformações genéticas, com fetos humanos em formol. As bicicletas por todas as partes podem, num primeiro momento, deixar-nos desorientados. É uma cidade pensada para as bicicletas.

     Fiquei com imensas saudades daquelas paragens.

1 de dezembro de 2025

O Natal começou.


   Pelo menos aqui em casa já é Natal. Montámos a árvore ontem, no Primeiro Domingo do Advento, que este ano calhou a 30 de Novembro. É assim que manda a melhor tradição cristã. E eu adoro a minha árvore. :)