28 de fevereiro de 2026

Os últimos dias de Marcelo.


    Não é fácil resumir o mandato -dois mandatos- de um Presidente da República em poucas palavras, com ligeireza. Marcelo Rebelo de Sousa começou o seu primeiro mandato, em 2016, como o presidente dos afectos. Aproximou as pessoas do órgão de soberania Presidência da República. Humanizou-o. Abriu as portas do Palácio de Belém. Distribuiu beijos e abraços. Contudo, não o fez de forma inocente. Se no primeiro mandato colaborou com o governo de Costa, no segundo mandato, iniciado em 2021, pudemos ver quem era Marcelo Rebelo de Sousa na verdade: um homem maquiavélico. Dissolveu a Assembleia pela não aprovação do Orçamento do Estado, numa má tradição extra constitucional em Portugal, e ele sabe-o, como professor de Direito Constitucional. A Constituição não obriga a fazê-lo nessas circunstâncias. Também o fez pelas suspeitas que penderam sobre Costa, após a demissão deste último, gozando o PS de maioria absoluta. Uma decisão polémica, no mínimo. E eu não sou socialista, nem de perto, nem de longe. Marcelo foi um vector de instabilidade política. O país andou anos seguidos em eleições, quando o Presidente, até pelo seu poder moderador, deve garantir estabilidade.

  Curiosamente, chegou a Belém com um capital de esperanças, depois de um segundo mandato desastroso de Cavaco Silva, disposto a recuperar o prestígio da instituição e conquistar o seu próprio, e só não sai pela porta pequena porque os olhos do povo já estão postos no seu sucessor, António José Seguro. Caso contrário, e porque o povo anda distraído, terminaria o percurso de Chefe de Estado pior do que Cavaco. Ironias.

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