Se me dissessem há dez anos (e não há dez anos atrás, como escreve uma bichona por aí, e não só é feio como é redundante e errado) que estaria a viver em Espanha, no noroeste, num lugar rural e tranquilo, casado, com a minha casa com piscina, a conduzir, com um homem fantástico, médico, prestigiado, que me ama e que eu amo, não acreditaria. A minha vida mudou muito, muito mesmo, e não é algo que aconteça tão frequentemente assim. Vocês, por exemplo. Eu leio os vossos desabafos, o vosso quotidiano, e não sinto que as vossas vidas tenham mudado muito. E não me refiro a mudanças positivas ou negativas. Refiro-me a mudanças. Talvez vocês até estejam melhor do que eu, mas parece-me que nada muda nas vossas vidas; nada de significante. E é um padrão que se repete com a maior parte das pessoas. A minha vida não. Sempre foi uma avalanche; melhor dizendo, uma erupção vulcânica. Está anos na pasmaceira, e de repente entra em convulsão, mudando tudo. Se calhar o nome correcto seria terramoto. Arrasa tudo e constrói diferente, e quase sempre implica sofrimento, até estabilizar. E é imprevisível.
Sentimentalmente, a minha vida, mudou. Para pior. Mas mudou. Nisso não posso dizer que esteja igual, porque não estou. Aliás mudou do dia para a noite, e ainda estou a tentar perceber a extensão da mudança. E como vai ser daqui para a frente.
ResponderEliminarSobre o "há de anos atrás", assumo que tenho esse péssimo hábito. Shame on me.
Sim, mas a minha vida mudou TODA. Não foi só sentimental. Mudei de casa, de país, perdi a minha família toda, estou casado, com animais. Mudou tudo, tipo terramoto e construção.
EliminarPodes ter esse hábito, mas se há coisa que não vejo em ti é arrogância. És um tipo humilde.