Este ano cumprirei 40 anos. Se lá chegar. Dizem os entendidos que entramos na chamada ternura dos quarenta. Eu não sei se é terna ou não, mas não trocaria os meus 40 pelos meus 20. Há vinte anos, por esta altura, sensivelmente, os meus pais já estavam em adiantado processo de separação. Iniciava-se 2006. Eu tinha quase vinte anos, mas psiquicamente era muito mais imaturo. A separação, em Fevereiro, abateu-se sobre mim como um terramoto. Dois mil e seis foi, para todos os efeitos, o pior ano da minha vida até agora. Em termos globais -sofrimento, inquietação, instabilidade-, nem o ano da morte da minha mãe se lhe pode equiparar. No ano em que ela morreu, 2022, eu sofri por ela; em 2006, sofri por mim, e em grande parte por culpa dela.
Há vinte anos, em Janeiro, fazia um frio de rachar. Eu estava muito doente. Não vem ao caso, mas tinha -e tenho- uma doença auto-imune que hoje está controlada, mas que naquela altura nem sabia que a tinha. Basicamente, todo o meu organismo estava a colapsar. A qualquer altura caía para o lado e puff, acabava-se tudo. A essa minha condição física, juntou-se toda a instabilidade familiar, psicológica, estrutural mesmo. As expectativas não eram nenhumas. Só via sofrimento diante de mim.
Vinte anos transcorridos, estou muito melhor, a todos os níveis: saúde, maturidade, tranquilidade, estabilidade. E não posso afirmar que tudo isto tenha sido uma expectativa. Não o foi. Era demasiado pessimista. O futuro assemelhava-se-me negro. E agora, que entro na dita ternura, tenho uma paz de espírito como nunca antes tivera, salpicada, aqui e ali, por problemas pontuais. Faz parte da vida.
Não criem expectativas.
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