Antes de falar da noite eleitoral, convém dizer que sim, fiz quatrocentos quilómetros para votar. Creio que os deputados do CHEGA têm sido dos poucos a alertar para a vergonha que supõe sujeitar os emigrantes -milhões, como eu- a fazer centenas de quilómetros para ir votar. Eu voto em Vigo, a duzentos quilómetros. Fui e vim, de carro. Conduzi eu. Cansaço, gasolina, mas senti que tinha de ir, ou ficaria a ruminar. A minha consciência é forte.
Votei Cotrim de Figueiredo. Não tenho problema algum em falar do meu voto. Fi-lo por estratégia. Sabia que Ventura passaria, e quis evitar ao máximo que Seguro passasse. Não se confirmou. Nesse sentido, e como todo o sistema se vai unir para que Seguro ganhe na segunda volta, decidi, também em consciência, não ir votar na segunda volta. Parece que os portugueses são masoquistas, além de estúpidos.
Esta eleição presidencial foi a mais conturbada que vivi. Acho sinceramente que Seguro beneficiou das sondagens, que as houve todos os dias para todos os gostos. Recordo-me que quando se começou a falar em presidenciais, era quase certo que ganharia o Almirante. Não passou. Depois, Marques Mendes era o grande favorito. Não passou, e não só não passou como foi uma estrondosa e sonora derrota pessoal e da AD. E Seguro, que partiu cá de trás, subestimado, foi galvanizando apoios e simpatias. Ninguém dava nada por ele.
Sei também que se os emigrantes portugueses se mobilizassem todos para votar, Ventura ganharia. Ele é querido nas comunidades portuguesas. Às vezes há que sair de Portugal para ver como a sociedade portuguesa está dominada pelo socialismo tóxico que tem arrastado o país para a cauda da Europa desde há cinquenta anos. Arejar faz bem. É como ver desde cima. Temos outra perspectiva.
Quanto a mim, cumpri com o meu dever. Vocês que se amanhem, que vivem aí.
Sem comentários:
Enviar um comentário