“Uma casa feita de livros”. Foi desta forma que José Saramago definiu a sua residência dos últimos dezassete anos de vida. Foi, realmente, a visita mais interessante da estadia em Lanzarote e uma das mais interessantes que fiz na vida. Curioso, não? Podia eleger o British Museum ou outro qualquer, e tive muito mais prazer numa casa singela, sem luxos, decorada com gosto e com quadros bonitos, é certo, mas uma casa comum. Poderia ser a minha casa.
Tivemos a sorte de ser os únicos da visita (lembrei-me imediatamente da minha visita à casa de Amália Rodrigues, em que também fui o único). Passámos pela entrada, pelo escritório, o quarto (onde morreu, no Verão de 2010), a sala, a cozinha, o jardim -no qual contemplava o oceano-, e depois, noutro recinto em frente à casa, do outro lado da rua, a sua gigantesca biblioteca composta por milhares de exemplares.
Aparentemente sem nada de especial, foi uma visita muito significativa para mim. À saída, na loja, adquiri várias obras de Saramago e mais umas quantas lembranças. O guia, espanhol, foi excepcional. Contou-nos algumas curiosidades sobre a casa e o próprio Saramago. Sendo os únicos, pudemos usufruir de uma atenção personalizada.
Para terminar, um pouco da história da casa. Saramago e Pilar compraram aqueles terrenos, mandaram construir a casa, e Saramago estabeleceu lá a sua residência em 1993, em virtude de um dos seus livros, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ter sido vetado pelo governo de Cavaco a um prémio literário europeu. Todas as obras a partir de então foram escritas em Lanzarote, muito embora Saramago tivesse um apartamento em Lisboa que, aliás, continuou a ser a sua residência oficial, e onde vinha com frequência. Recomendo.







