22 de dezembro de 2016

Christmas Gifts.


    O Natal é, por excelência, o período de confraternização familiar. O ano culmina no Natal. Há quem se refira a estes dias que aí virão como os «melhores do ano». Não sou avesso à ideia. Efectivamente, sejamos ou não religiosos, poucos são os que prescindem de uma foto, de um texto, de uma referência, por menor que seja. A troca de presentes, tão censurada, parece-me uma manifestação de carinho e cuidado. Ofertar os que nos são mais próximos não deve necessariamente ser encarado como um acto de devaneio perdulário.

    Andei pela Baixa e pelo El Corte Inglés. Muito embora não se assemelhe a um Harrods, o ECI, com a sua inauguração, em 2001, rapidamente se transformou no melhor centro comercial da cidade. Em rigor, é um armazém com as melhores marcas. Desde há uns anos a esta data, verifico que tem vindo a perder o brilho. Está demasiado massificado. Nem os funcionários mantêm a mesma elegância no atendimento. Consegui, ainda que em plena azáfama consumista, comprar três presentes, um dos quais para mim (que faço questão de pedir para embrulhar, agindo como se desconhecesse o conteúdo).

     Em virtude de não ter encontrado tudo o que queria, a Baixa é uma boa opção, e o comércio tradicional merece-nos um estímulo. Deparei-me com um artigo original, que certamente ela (a avó) jamais suporia, e o encanto de oferecer reside também no factor surpresa.
     Diminuí drasticamente nos gastos, inclusive comigo. Só adquiri o que necessitava, e permiti-me a três pequenas extravagâncias, aqui não no sentido do preço. Vejo que fiz bem, porque a árvore está recheadamente composta.


     Mudando de assunto. Perguntaram-me sobre o lanche de sábado. Correu bastante bem. Juntámos um grupo pequenino numa confeitaria conceituada. Percorremos o centro da cidade, como havia sido planeado, sob toda aquela iluminação costumeira da quadra. A Câmara Municipal esmerou-se neste Natal, todavia.

14 de dezembro de 2016

Dear Jesus.



   Lisboa, 14 de Dezembro de 2016,

   A Ti,


   Por tradição, por crença, por angústia - não descarto - cumpro com o costume de Te endereçar uma carta, sem o entusiasmo que, todavia, imprimo na invocação que habitualmente Te dirijo. Nem a fé permanece intacta ao desalento e ao desencanto que comporta viver. Dizem, os entendidos, que a Tua ausência no quotidiano dos homens se deve ao desígnio de testar até que ponto a lealdade resiste a tamanha provação. Não existiríamos em vão; o livre-arbítrio deixa-nos por nossa conta e risco. Até Tu careces de uma manifestação do nosso amor.

   Aqueles há que são pragmáticos. Se não vêem, não crêem. Recusam-se a acreditar num ser que se faz sentir desde o primeiro momento, por imposição, e que condiciona todas as nossas acções, seja por respeito ou por temor. De certo modo, lutam contra a solidão ao seu jeito, e percebem que melhor será interiorizar que estamos sós e que temos de zelar uns pelos outros. São auto-suficientes. Há os que que refutam a evidência do abandono, procurando incessantemente pelo conforto nos braços de um desconhecido, de que ninguém conhece o rosto, de que ninguém escutou a voz. Por fim, uns estão no meio-termo, no limbo entre a constatação do vazio e a imperiosa necessidade, umbilical, porventura, de encontrar um Pai celestial que os encaminhe. Eu estarei entre os últimos.

   As preces e as cartas não deixam de ser falaciosas. Um ser omnisciente conhecerá melhor o que queremos do que nós. E se a bonomia é infinita, o sofrimento dever-se-á às escolhas precipitadas. Há quem não tenha podido usufruir dessa oportunidade de ouro de poder decidir-se. Poderemos imputar-lhes um erro e, consequentemente, aplicar-lhes o castigo, na relação causa-efeito? À compreensão dos homens, soa a injusto. Os entendidos também dizem que a nossa linguagem e o nosso entendimento são inábeis para compreender os Teus motivos. Assemelha-se-me a cobardia, a resignação. Se não posso explicar, desisto e submeto-me sem questionar. É uma contradição, pois o homem é um ser pensante, que busca razões, que questiona o seu propósito na Terra. E culpa alguma terá por duvidar. Duvidar é legítimo, quando os nossos sentidos não captam essa força activa. Se me deparar com o vácuo, não acreditarei que estarei diante de um muro. A dúvida tem sido, pelos tempos, o motor do desenvolvimento em qualquer ciência. Seguramente que o Criador se congratula com o salto qualitativo entre o fogo e a lâmpada eléctrica. Somos impelidos à perfeição, o que se verifica nas leis que criamos para regular as nossas relações. Da barbárie, passámos, não sem dor, a sociedades mais justas e equilibradas. Se o homem é mau, eu diria que busca por ser bom; porém, na medida em que é imperfeito, tropeça no seu carácter.

   O bom pai zela pelos seus filhos, ajuda-os quando estes clamam pelo seu auxílio. E perdoa-lhes os falhos. Entre tamanho brilho, luzes, merchandising, não sei onde estás. Algures por aí, entre as guloseimas e os embrulhos. Haverá quem se lembre. Não gostaria de tamanho aparato pelo meu aniversário, devo dizer-Te. O que me indigna, e perdoar-me-ás a blasfémia, é que continuemos a fazer a festa, a comemorar sem o aniversariante. Já vai sendo tempo de surgires, de te evadires algures de uma caixa de oferta depositada aos pés da árvore, gesticulando e vociferando: «Hey, estou aqui! Não andaram iludidos. Tenho olhado por vocês desde aqui de cima». Até lá, não censures a descrença. É legítima, pois tudo o que temos e sabemos está numa compilação de livros a que nos sujeitam desde tenra idade e em representações, pouco fidedignas, diga-se, de uma religião que se queria tão-só da palavra, e não da imagem. Mas a presença é fundamental.

    Enquanto pensas em se hás-de encarar a minha sugestão com seriedade ou desconsiderar o meu atrevimento, peço-te que olhes por todos, e com um cumprimento reverencial me despeço.


lots of love,
Mark


10 de dezembro de 2016

Lanche de Natal.


   No último jantar da blogosfera, surgiu-me a ideia de se organizar um lanche de Natal, algo muito simples, sem grande aparato, numa confeitaria previamente escolhida. Com a colaboração do adolescente e com a imprescindível ajuda de uma leitora, a Magg, resolvemos avançar no propósito.

    Pois bem, o lanche realizar-se-á no sábado, dia 17, e todos estão convidados a participar. Poderão inscrever-se através do email disponibilizado no blogue do adolescente, que é quem está, gentilmente, a tomar as rédeas do evento. Em todo o caso, estão à vontade para me contactar, entretanto, pelo email do blogue (disponibilizado logo acima dos Seguidores). Será através do email que facultaremos todas as informações que pretendam obter.

    A pouco mais de oito dias, achei por bem divulgar a iniciativa. Após o lanche, pensei numa caminhada pela avenida da Liberdade, requintadamente ornamentada.


(o banner é da autoria da Magg)



3 de dezembro de 2016

Moments.


   No domingo passado, com um tempo não tão pouco convidativo, aceitei o convite de um amigo para assistir à sessão da tarde no Amoreiras, aproveitando para pôr a conversa em dia, jantando por lá. Devo dizer que aprecio imenso o tempo chuvoso, as noites longas, os dias pequenos, simultaneamente. Para sair de casa, com efeito, não é aconselhável.

   Assim foi. A escolha recaiu num filme que está em cartaz, American Honey, do qual, em verdade, não gostei muito. Aborda a vida tal qual ela é, nua e crua, no excitante desafio da sobrevivência. Todavia, é demasiado extenso para o objecto em questão, repetindo-se a lógica com excessiva recorrência. O filme é pouco inovador. Talvez seja o meu sentido estético e crítico que é pouco apurado. Não recomendo, portanto.

   Optámos por um restaurante ali mesmo, no centro comercial, que, pela noite, as portas do céu abriram-se sobre nós. Felizmente, tenho uma mãe-galinha que me obriga a sair de casa munido de guarda-chuva. Levo sempre um mínimo, o modelo mais pequeno que alguma vez vi à venda. Bom, como calculam, o meu amigo molhou-se todo, enfim. Com os meus problemas respiratórios, não o pude acompanhar na mística que comporta descer a Rua das Amoreiras à chuva.

    Quis levar-me a um bar gay-friendly, ou, como ele diz, ironizando, straight-friendly. Purex. Não conhecia; aliás, saí pouquíssimas vezes à noite. Evito sair à noite. Não gosto de bares, nem de discotecas. Tinha música ambiente, bebi já-não-sei-o-quê, sem álcool, evidentemente, e ficámos a trocar ideias, até que me acompanhou a casa. Cedo, que não sou pessoa de andar na rua até horas tardias.

     Uma semana depois, sugeriu-me a visita a alguns museus, amanhã de manhã, e um almoço, em seguida. Com o tempo assim, estou na dúvida em aceitar.
     Antes que magiquem tontarias nessas mentes fecundas e perversas, somos amigos, tão-só amigos. Convida-me porque gosta da minha companhia, sem idealizações românticas. Acredito que com muitos já andasse aos beijos (Mark, como és ingénuo!; beijos?), porque ele até nem é nada de se deitar fora. Deus Nosso Senhor deu-me olhos, e bons, segundo o oftalmologista, da última vez que me submeti a um exame à visão.

      Já está, escrevi um pouquinho sobre mim. Um texto trivial, que é o que se quer, para não se pensar muito.