20 de fevereiro de 2011

Tarde de Compras


Ontem resolvi tirar o dia para mim. Fui às compras, sozinho. Apeteceu-me estar apenas comigo. Às vezes necessitamos de um tempo só para nós, um bocadinho em que estejamos sossegados, fazendo o que nos apetece. Precisava de refletir sobre algumas coisas da minha vida e, se bem que muitas pessoas o façam isoladas, prefiro ir às compras. Reflito melhor quando estou num shopping cheio de pessoas.
Acordei, tomei banho, bebi uma chávena de café com leite e fui por essa Lisboa fora. Não fui apenas às grandes superfícies, mas também às lojas tradicionais, ao comércio de rua, principalmente na Baixa. Vi algumas coisas que me interessaram; outras nem tanto. Comprei presentes para as pessoas que me são queridas: comprei um perfume para a mãe, um casaco para a avó, uma blusa para a mana, uma camisola com capuz para o mano (ele é assim todo desportivo nos dias informais) e mais umas coisas para outros familiares. Não é Natal, mas apeteceu-me.
Desliguei os telemóveis. À hora do almoço passei num restaurante e almocei. Há imenso tempo que não almoçava fora, sozinho. É ótimo. Não ouvir ninguém na nossa mesa e não estar dependente das vontades de terceiros é do melhor que pode haver.
Da parte da tarde fui ao Centro Vasco da Gama. Passei na loja da Nike e comprei uns ténis / sapatilhas que achei o máximo. São um modelo, estilo bota, em cinzento, que adorei. Fui à Pull & Bear e comprei mais dois pares de calças skinny, pretas e ganga normal, modelo ultrajusto. Entretanto, tive fome e fui até ao Mac para comer uma daquelas saladas que eles têm. Não é que sejam fantásticas, do mais saudável que existe e nutritivas, mas não têm carne. Voltei.
Gostei deste programa comigo e irei repetir, com toda a certeza. Serviu para colocar as ideias em ordem e decidir o que pretendo fazer em relação a determinadas situações. Decidi - e bem - que não vou fazer nada. Vou apenas afastar-me e ignorá-lo. Afinal, eu sou mais eu e existem imensas pessoas interessantes por esse mundo fora, porventura até mais.
Continuarei a seguir o meu caminho como sempre o fiz. E não pensem que estou triste ou desapontado: não estou.
Sinto-me bem, aliás, muito bem. :)

17 de fevereiro de 2011

Eu Não Quero Voltar Sozinho



Eu adoro curtas-metragens. Recordo-me, aqui há uns anos, de estar acordado até de madrugada para ver umas fantásticas curtas-metragens que passavam na RTP2. Como são curtas, dão especial atenção a pequenos pormenores muitas vezes esquecidos nas grandes produções.
Esta curta retrata a história de dois rapazes e uma rapariga que se vêem envolvidos num triângulo amoroso. Um dos rapazes, invisual, apaixona-se pelo seu recente colega, o que desperta algum ciúme por parte da sua amiga de longa data. Quero salientar a beleza da descoberta do amor gay por parte dos dois rapazes.
É uma pequena história que contém uma importante mensagem de descoberta e de como o amor nas nossas idades - aqui falo enquanto jovem - pode ser mágico.
Espero que gostem como eu gostei.

15 de fevereiro de 2011

O Retomar de Uma Vida Estudantil


Foi difícil, é a palavra que me ocorre de momento. :) Digamos que todo o meu metabolismo estava a acomodar-se à situação de estar tanto tempo parado. Como sabem - ou deverão saber - o calendário de aulas do Ensino Superior é diferente do calendário do Ensino Secundário. Durante o mês de Janeiro estamos em exames e orais e só retomamos em Fevereiro. Janeiro é, por isso, um mês em que não se faz nada a não ser estudar, o que não implica que nos levantemos muito cedo (falo por mim). O meu corpo estava a começar a ganhar os vícios da ociosidade, nomeadamente a preguiça e o não querer acordar de manhã cedo. Nunca estivera tanto tempo parado desde que entrei no ensino pré-escolar, com três anos.
Hoje foi mais um dia em que fiquei a conhecer uma nova disciplina, vulgo cadeira. Terei duas novas neste semestre. São acessíveis, acho, sendo que uma foi optativa. Os livros é que recomeçam a pedir, desde as prateleiras, que eu os compre. :) São tantos que vocês não conseguem ter uma ideia. Para além de tudo, terei de ler um em alemão, visto que não existe tradução em língua portuguesa, de momento. A mãe conhece alguns alemães devido aos negócios, alguns dos quais radicados em Portugal, mas não me seduziu a ideia. Tenciono, portanto, frequentar uma escola de línguas. Aliás, é uma ideia que há muito sobrevoa o meu pensamento. Já sei até qual pretendo frequentar e vou amanhã mesmo oficializar a minha matrícula em inglês e alemão. O alemão - e agora vou fazer uma pequena referência - é uma língua que, a par do espanhol (castelhano), ganha cada vez mais importância na Europa, pese embora o facto de ter muito menos falantes do que o português. E soube, recentemente, que apanharei uma quantidade significativa de livros em alemão, logo, não convém vacilar. :)
Quanto aos pormenores universitários extracurriculares, ou seja, o R. (LOL), tudo continua na mesma. Hoje, depois das aulas, almoçámos na faculdade sozinhos. As conversas são sempre as mesmas e confesso que começo a perder o interesse e o entusiasmo. O rapazinho só sabe falar das aulas, do Sporting, da crise no Egito, etc. Não tem a mínima sensibilidade para ver que eu estou ali e que podia perfeitamente avançar qualquer coisa. Ao mesmo tempo, não se retrai. Não consigo perceber, mas, se querem que vos diga, já nem quero. Começo a duvidar seriamente da sua inteligência. Ele ainda não percebeu?!
Quanto ao vizinho da avó (LOL), cheguei à conclusão de que estava a ser ridículo. Não, tudo bem que vá a casa da avó e, se o vir, o cumprimente e até tente, mas ir lá de propósito para ver um rapaz que não conheço de lado algum é, no mínimo, absurdo.
Todavia, há factos que merecem alguma reflexão da minha parte. Daquilo de que me tenho apercebido, as taxas de reprovação / insucesso são elevadíssimas. Há ali meninos cujos paizinhos fazem tudo por eles e mesmo assim não se dedicam minimamente ao estudo, revelando uma falta de empenho gritante. Pelo menos o menino aqui, cujos paizinhos também fazem tudo, dedica-se ao estudo e tem, modéstia à parte, notas muito boas. Recompenso os meus pais de alguma forma. O seu a seu dono: há alunos que estão com bolsas de estudo, ainda trabalham e tiram boas notas. Nem só de preguiçosos vive o nosso espectro universitário.




Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico.

O As Aventuras de Mark passará a aplicar, a partir de hoje, as regras vigentes relativamente à ortografia oficial da Língua Portuguesa. Contudo - e porque estas mudanças são graduais - podem ocorrer ocasionalmente erros da parte do autor, nomeadamente no que concerne a palavras escritas ainda com a ortografia antiga. Pede-se, por esse facto, a vossa compreensão.


13 de fevereiro de 2011

Casa da Avó


Hoje fui almoçar a casa da avó. Aqueles típicos almoços de domingo (o que vale é que são apenas de quinze em quinze dias). Eu vou a casa da avó durante a semana, mas os almoços são enfadonhos.
Depois do almoço, da parte da tarde, fui um pouco até ao jardim da avó. É um jardim extenso. Devido ao frio, fui para uma parte coberta do jardim. A avó adora flores, logo, teve a ideia (peregrina...) de mandar construir uma pequena estufa. Ela diverte-se a fazer aquelas coisas quando não está na sua vida social, ou seja, almoços com os amigos, lá as festas deles, viagens, etc. Ora, há uma parte do jardim, perto de um gradeamento, que dá para visualizar a casa do seu vizinho. Digamos que tem uma boa vista. O vizinho da avó é um homem de meia-idade, casado e com dois filhos. Um deles deve (digo deve porque não tenho qualquer intimidade ou relação próxima com ele) ter sensivelmente a minha idade e tem o hábito de jogar à bola com uns amigos faça chuva ou sol. Claro, quando chove pouco. Hoje observei-o mais. Ele é muito engraçado. É assim para o atlético. É alto e tem aquelas pernas de jogador.
Quando cheguei ao jardim, vi que estava a dar uns toques na bola. Vestia aquele equipamento desportivo dos jogadores. Tentei não olhar fixamente para ele, mas a um dado momento, ele apercebeu-se de que eu estava a observá-lo. Já é um hábito aos domingos. Ele já reparou nisso, certamente. Aliás, sempre que vou a casa da avó, passo pelo jardim para ver se o vejo. Pela primeira vez, acenou-me com a mão e deu-me as «boas tardes». Correspondi, claro e, embora não seja de meter conversa, perguntei-lhe se não tinha frio para estar a jogar futebol e, ainda por cima, num tempo chuvoso. Lá se desenvolveu a conversa e só a partir de certa altura me apercebi que estava a beber um ice tea pela palhinha.
"O que é que o rapaz estará a pensar de mim?"
Ficámos assim na conversa até que chegaram uns amigos dele (os do costume) para jogarem futebol. Como constatou que eu continuava a vê-los, perguntou-me se queria jogar com eles.
"Wtf?, eu, jogar à bola?"
Agradeci e respondi que não. Senti-me meio ridículo e voltei para dentro de casa. A avó estava a falar com a mãe e os tios. Quando a apanhei sozinha, resolvi questioná-la sobre o vizinho. Disse-me coisas que eu já sabia, nomeadamente que ele comprou a casa há dois ou três anos (a avó é demais; então e eu não me recordava dos vizinhos antigos?) e que trabalhava ali e blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Quando a avó viu a minha cara de tédio, perguntou-me:
-"Queres saber do filho, não é verdade?"
Eu creio que o disse aqui no blogue, no ano passado, num dos meus posts. A avó é uma mulher de uma enorme sensibilidade, compreensão e amizade. É uma senhora em todas as acepções da palavra. Somos mais do que avó e neto: somos amigos. E tenho uma relação com esta avó que não tenho com a outra. Por todos estes motivos, a avó sabe coisas sobre mim que eu próprio não sabia quando ainda não tinha idade para as compreender. Perceberam? Sei que sim. ;)
À frente. Disse-me que, afinal, é mais velho do que eu dois anos, estuda Engenharia, não tem namorada (que ela saiba), conduz e é extremamente simpático. Resumindo: disse-me tudo o que sabia. E disse-me mais uma coisa: que o vê várias vezes a dar toques na bola sozinho. E depois perguntou-me o óbvio: porque é que não falo com ele?
Vou tentar. Ele diz-me qualquer coisa e aquilo com o R. não desenvolve. Vou ver se amanhã, depois da porcaria da faculdade, passo por casa da avó e o vejo. E agora tenho a avó como aliada. :)
Bem sei, bem sei, isto é algo obtuso e nem sei se o rapaz namora com uma rapariga. Ele é um estranho para mim, completamente. Chega a parecer ridículo, mas nada tenho a perder. Sei lá, gostava de falar com ele. É legítimo, não é?
Afinal, tudo começa de alguma forma. :)