6 de outubro de 2010

Amália, Onze Anos Depois...




...a saudade permanece...

23-07-1920 / 6-10-1999


 (Texto do 10º aniversário sobre a morte de Amália, post de Outubro de 2009, aqui).

5 de outubro de 2010

Centenário da Implantação da República (1910 - 2010)


Hoje comemoram-se os 100 anos desde a implantação da República em Portugal, no dia 5 de Outubro de 1910.
Tal como hoje em dia, a viragem do século XIX para o século XX não foi fácil no nosso país. A qualidade de vida do operariado e da classe média deteriorava-se a cada dia, aumentando assim o enorme descontentamento. Para a descrença da Monarquia, também em muito contribuiu o célebre Ultimatum inglês, vinte anos antes, em 1890. A enorme humilhação a que os portugueses foram sujeitos aumentaram os sentimentos republicanos patentes em discursos e manifestações, nomeadamente a fracassada Revolta do 31 de Janeiro de 1891. A instabilidade vivida na época era agravada pelo sentimento de abandono que os portugueses sentiam. O rei D. Carlos era conhecido pelo seu gosto na pintura, oceanografia e até mesmo pelas recentes inovações tecnológicas que faziam antever um século promissor, menosprezando dessa forma os problemas reais do país. A 1 de Fevereiro de 1908, o rei e o seu filho primogénito, D. Luís Filipe, foram assassinados num atentado no Terreiro do Paço (Lisboa), do qual apenas a rainha D. Amélia e o príncipe D. Manuel escaparam ilesos. A monarquia tinha os dias contados.
Haveria de cair, efectivamente, a 5 de Outubro de 1910, aquando da Implantação da República nos Paços do Concelho de Lisboa. Os revolucionários formaram um Governo Provisório liderado por Teófilo Braga. O primeiro Presidente da República Portuguesa seria Manuel de Arriaga.
Os tempos da I República não foram nada fáceis. Até ao seu «fim», com o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, sucederam-se 7 eleições gerais para o Congresso, 8 para a Presidência e 45 governos. Uma instabilidade sem precedentes. Todavia, iniciava-se uma nova era para Portugal, abrindo os caminhos que nos levariam até à actualidade.

4 de outubro de 2010

Quando o ar falta... (II)



A noite de ontem foi horrível. Como já o disse no blogue, eu tenho bronquite asmática desde os oito meses de idade. Não é a pior das doenças mas é incomodativa e já me causou sérios problemas. Apesar de ser acompanhado por um dos melhores alergologistas do país (o Drº José Rosado Pinto, a quem presto este tributo), de vez em quando tenho crises graves. A última dessas crises foi a 21 de Fevereiro (por acaso até relatei no blogue).
Acordei eram quatro da madrugada com imensa falta de ar. Este tempo chuvoso e ventoso agrava a situação. Saí da cama e fui até à sala de estar. Sentei-me, baixei a cabeça e fiquei assim durante um bom tempo. Estava mesmo aflito. Tive de acordar a mãe. Ela foi imediatamente buscar a minha medicação em caso de crise, o Bricanyl, um pó que aspiro quando já não suporto mais. Felizmente, é um medicamento forte que provoca um alívio imediato. Voltei ao quarto e deitei-me na cama com a mãe à cabeceira. Ainda me perguntou se queria que ligasse ao Pedrinho (o meu irmão) para irmos ao hospital, mas eu não quis incomodar o rapaz que estava a dormir certamente. Ou não, sábado à noite ele tem por hábito sair com amigos. Vou explicar: a mãe também me podia levar no seu carro, mas ela gosta de ficar ao meu lado enquanto alguém conduz, não vá eu sufocar (lol, é o que lhe digo na brincadeira). Melhorei.
Esta doença já me causou tantos dissabores. Já levei vacinas vindas da Alemanha, já tomei todo o tipo de medicamentos... Disseram-me que poderia passar com a mudança de idade... até hoje...
Para piorar, aí por volta das seis da manhã comecei a chorar, o que é prejudicial à minha condição. Lembrei-me de quando tinha crises no colégio e uma certa pessoa estava ao meu lado, abraçava-me quando estava aflito (escondidos quando ninguém via...), acompanhava-me até a mãe ou o pai me virem buscar, tirava-me o medicamento da mochila, telefonava-me para saber se estava melhor... Inconscientemente, dei por mim a chorar com saudades desses tempos e da pessoa também, por que não dizê-lo. Sei que podia pegar no telefone e ligar-lhe. O tempo é outro e já se passaram alguns anos, mas não me desligaria o telefone na cara. Se bobeasse ( adoro esta conjugação verbal brasileira :) ) até vinha ter comigo. Porém, não. Algumas atitudes são impossíveis de esquecer, por mais que me custe.
Amanhã não sei se irei para a faculdade. Tudo depende de como acordar. Mas na minha mala vai o aerossol, que remédio.

3 de outubro de 2010

Ambição vs Sinceridade



Ontem, durante uma aula na faculdade, fizemos as apresentações dos alunos. A princípio estranhei, uma vez que ainda não tinha acontecido alguma apresentação na faculdade. No entanto, notei que este professor era bastante acessível e simpático, o que nos coloca bem mais à vontade. Trata-se de um senhor na casa dos cinquenta, magro e com um sorriso constante no rosto. Gostei dele. Começou por falar do programa da cadeira, seguido do seu método de ensino, das taxas de aprovação, dos livros aconselhados, até que chegou a altura das apresentações. Começámos um por um. Até chegar à minha vez, ninguém era de Lisboa. Senti-me estranho por ser da capital, o que é realmente estranho. Bom, disse o meu nome, idade e os meus objectivos. Foi, no fundo, uma apresentação-síntese. Uma das minhas colegas, muito gira por sinal, que estava sentada mais atrás, começou a fazer a sua apresentação. É loura e tem um estilo que combina o sóbrio com o informal. Mal a vi, apercebi-me do seu espírito livre e irreverente. Vi nela um pouco de mim. Lá disse de onde vinha (por acaso de Lisboa), a idade, e quando chegou aos objectivos disse que, e passo a citar, «quero ter um cargo importante» e que «tudo o que for abaixo de ministra não me interessa.».
Foi o suficiente para ser mal interpretada. Ouvi logo uns zum-zuns e uns murmúrios vindos de toda a sala. O professor reagiu com um sorriso e nada disse que pudesse constranger aquela aluna. À saída, pude testemunhar como as pessoas são mesquinhas e maldosas. Disseram que ela era convencida, que tinha a mania, entre outras delícias...
Eu não me manifestei, mas comecei a falar com essa colega. Não a conhecia e o facto de ter sido marginalizada levou a que me aproximasse dela. Ela tem todo o direito em pensar como pensa e em querer atingir mais e melhor. Foi sincera e a honestidade é um grande trunfo. Creio que é esse sentimento menor e conformista que germina no nosso país que leva a que poucos ambicionem muito. Podia ter sido discreta? Sim, sim, mas o que é a discrição? Compartilho da sua opinião. Também estou ali para chegar alto, bem alto, quanto mais alto melhor, de preferência Juiz-Presidente do Supremo. Ambiciono, acredito em mim e nas minhas capacidades. E a ambição, controlada e medida, é o motor do desenvolvimento. O mundo foi, é e será dos que ousaram.