10 de outubro de 2009

Amália

Dia 6 deste mês fez 10 anos sobre a morte de Amália Rodrigues. Apesar de ser muito pequeno ainda, lembro-me perfeitamente que estava na carrinha do colégio, a caminho de casa, quando ouvi a empregada dizer: - " Morreu a Amália! ". E aquela expressão era como se tivesse partido alguém da família, alguém muito próximo. Quando cheguei a casa já os noticiários relatavam a morte da diva do Fado e sentia-se no ar um sentimento estranho de orfandade. Eu também fui absorvido por esse sentimento de tal forma que visualizo perfeitamente esse dia na minha cabeça.
Aprendi a gostar de Amália com a mãe, sempre fã dos fados, especialmente de Povo Que Lavas no Rio e Estranha Forma de Vida. E, apesar de não ser o estilo musical mais popular na minha faixa etária, a verdade é que gosto dos fados de Amália devido a terem uma portugalidade estranha, tão estranha quanto o Sebastianismo ou o velho do Restelo. Mas é esta estranheza que dá a identidade a um povo, a umas gerações.
Amália representou mais do que Portugal durante o Estado Novo; era a menina invejada, a dama inalcançável. Salazarista ou não, do seu talento ninguém pode duvidar. Encantou palcos em Portugal e no mundo com a sua voz única e os seus maneirismos inimitáveis.
O verdadeiro dom dos intérpretes musicais é precisamente esse: morrer fisicamente, mas não na memória e nos ouvidos do povo.

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