30 de julho de 2023

Jornadas Mundiais da Juventude.


   A polémica está instalada, e eu associo-me. Desde os gastos milionários aos transportes públicos, a Câmara Municipal de Lisboa preocupa-se mais com um evento extraordinário do que com a qualidade de vida dos lisboetas. Palcos de custos astronómicos, transportes públicos gratuitos para os peregrinos, ao passo que viver em Lisboa é cada vez mais uma tarefa impossível, incomportável para a carteira do português médio. Não tem que ver com nenhum sentimento anti-religioso; tem que ver com a hipocrisia: para um evento religioso, sim, tudo; para os lisboetas, para as pessoas que vivem na cidade, nada, ou pouco.





   Por parte da Igreja, não esperaria mais. Sabemos como tudo funciona no seio daquela instituição. Luxo e ostentação, sapatos da Prada para o Papa, muito ouro, dinheiro, interesses. Ascetismo e sobriedade apenas na teoria, e sempre desde que se aplique ao fiel. Os números da Igreja, porém, não se resumem apenas às cifras. Há outros, de que todos se parecem esquecer.


6 comentários:

  1. Vai ser uma semana complicada para os Lisboetas
    Abraço amigo

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    1. Se fossem apenas os transtornos pontuais. É tudo o que gira em torno disto: o dinheiro (para quem vai), a pompa, o luxo!

      Mark

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  2. Estou plenamente de acordo consigo.
    Porque é que dos meus impostos têm de sair milhões para fazer face a uma despesa que nada tem a ver comigo, que nem sequer sou religioso.
    Afinal não temos um estado laico?
    Se a igreja quer fazer uma coisa destas, pois ela que a pague do seu próprio bolso, que deverá estar mais recheado do que o dos portugueses, e se não estiver, então que não o façam, nem sobrecarreguem outros países com estes eventos.
    Porque é que não o fazem no estado do Vaticano?
    Porque lhe vão estragar os jardins? Porque implica um gasto excessivo ... pois que não o façam. Tenham vergonha na cara!!!!!
    Ainda há pouco tempo estive na basílica de S. Pedro em Roma, para além de ter vasculhado todos os museus vaticanos, e a quantidade de riqueza acumulada é algo de sobre humano, ultrapassa a imaginação mais delirante!!!!!
    Não vejo que vantagens tem para Portugal este tipo de evento, a não ser sobrecarregar ainda mais o país e os lisboetas em particular, que, nesta altura, deveriam estar a gozar merecidas férias, e ter uma cidade mais vazia para poder passar bons momentos. Visitar um museu sem a pressa dos horários laborais, passear pelos jardins ou simplesmente pela cidade, apanhar um transporte à vontade, sem ir "enlatado", ir ao cinema, deambular pelas ruas de forma tranquila, sem ter montes de adolescentes ou jovens aos guinchos por todo o lado. Não há direito!!!!!!!
    O meu voto refletirá estas decisões, disso poderão estar seguros os senhores políticos e senhores autarcas.
    Aliás, quantos não estão a aproveitar-se destas movimentações, pois vários "peregrinos" angolanos já declararam que abandonavam o movimento, e se recusavam a regressar a Angola. Foi uma passagem gratuita para a Europa, e o acolhimento num país à revelia das leis da imigração.
    Se isto não é um aproveitamento o que será?
    Malditos políticos (que arranjam sempre forma de se atrelar a estas manifestações, quando lhes cheira a dividendos políticos), e malditas religiões que continuam a colocar sobre nós o ónus das suas práticas e decisões à margem do direito dos cidadãos!!!!
    Como se não tivéssemos já sofrido bastante às mãos destes movimentos religiosos, sobretudo da religião católica. Cada vez fico mais aliviado por não pertencer a esta histeria, e continuo sem perceber a vontade de pertencer a estas congregações feita por aproveitadores e "chulos" da sociedade!!!!
    Espero que estas decisões se paguem caro, oxalá!!!!
    Abraço, ainda que cheio de irritação
    Manel

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    1. Olá, Manel

      Compreendo a sua indignação. É a minha também. Ainda ontem li uma notícia que dizia algo mais ou menos assim: “de dia, religiosos; à noite, na ramboia pelos bares da cidade de Lisboa”. Enfim. São jovens. Tudo é pretexto para viver a vida, celebrar. Tudo é uma permanente festa.

      Eu, por acaso, sou-lhe sincero, tenho acompanhado, pelas plataformas digitais da RTP, estas JMJ (nunca antes vira nenhumas), e têm sido cerimónias, se é que lhes podemos chamar assim, bonitas. É pena que a cidade não esteja preparada para esta afluência, e é pena também que estejam envolvidos números (cifras, entenda-se…) tão elevados.

      No demais, deixarei para ulterior publicação o que penso de Francisco.

      Um abraço grande,
      Mark

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  3. Há dez anos tivemos cá no Brasil um JMJ e a polêmica foi a mesma. Não sou contra, mas acho que os custos deviam ser cobertos pela igreja católica e jamais pelo Estado, que em tese, deveria ser laico. Ou faz-se o mesmo para todas as religiões ou não se faz para nenhuma delas, o que considero mais republicano.
    Abraço, Riccardo.

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    1. Totalmente de acordo. O Estado não deve financiar nada que diga respeito a estes eventos, mesmo considerando a fé da maioria da população.

      Um abraço,
      Mark

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