7 de setembro de 2010

Processo Casa Pia



Prometi a mim mesmo que não iria abordar no blogue o Processo Casa Pia, porque acho que está devidamente explorado na blogosfera, nos noticiários televisivos, nos jornais e na internet, de um modo geral. No entanto, foi-me impossível escapar a este mediatismo e, naturalmente, também tenho uma opinião formada.
Existem vítimas. Isso é claro. Vários jovens, durante anos e anos, foram sistematicamente abusados por homens, anónimos e conhecidos, menos poderosos e mais poderosos. Não conheço o processo, por isso, não estou habilitado para falar em concreto de factos, apesar dos mesmos terem sido divulgados por vários órgãos de Comunicação Social. Aliás, o processo passou-me um pouco ao lado, até porque era pequeno quando o grande escândalo rebentou (2002).
Já vi o site de Carlos Cruz e noto algumas incongruências por parte daqueles jovens. Estarão baralhados? Será que o factor espaço temporal teve consequências ao nível das suas memórias?
Quem dirá a verdade?
Quando olho para os rostos dos arguidos, nenhum sentimento me causam, exceptuando Carlos Cruz. Eu não vejo naquele homem uma má pessoa, um abusador de menores. Lembro-me dos seus programas, das birras com a mãe porque gostava de ver as Noites Marcianas (que passava bastante tarde) e no dia seguinte tinha de acordar cedo para ir para o colégio, do seu inegável profissionalismo... Gostava dele. E, ao olhar para os seus olhos, vejo um homem cansado, esgotado e triste. Não me parece que seja culpado. Claro que é apenas o que sinto, o que poderá corresponder, ou não, à verdade. O tempo e a justiça o dirão. Não sou indiferente a esta primeira condenação, mas vou esperar pelo último recurso para fundamentar aquilo que sinto.
Há um dado mais do que adquirido: a Casa Pia falhou no seu propósito. Surgiu como uma instituição que deveria proteger os jovens em risco, com estruturas familiares abaladas, e acabou por se revelar um verdadeiro inferno para todas aquelas crianças e adolescentes abusados ao longo de vários anos. Também ela deveria estar no banco dos réus. No fundo, toda a sociedade compactuou com a monstruosidade que sobreviveu até há poucos anos na Casa Pia. Sabiam-no, mas não falavam.
Este processo, todavia, também teve consequências para mim. Ganhei um interesse especial pelo Direito. Se tinha algumas dúvidas entre Direito e História, essas dúvidas dissiparam-se com o Caso Casa Pia. Há uma beleza na Lei, nas sessões dos tribunais e em todo o protocolo judicial que me encantou. Agora sei que quero seguir Direito.
Que a Justiça fale mais alto. Apure e julgue os factos de forma imparcial e cega, seja qual for o desfecho.

6 comentários:

  1. em relação àquilo que dizes sobre o Carlos Cruz, concordo plenamente. não vejo nele um culpado, um abusador, ou seja o que for.

    ResponderEliminar
  2. Já somos Três com essa opinião! Ha quem diga que ha fotos, videos, etc, como tal não percebo porque não foram usadas em tribunal ou divulgadas pela imprensa. Muitos "factos" foram divulgados pela comunicação social, é verdade, mas eles publicam o que vai vender e gerar polémica suficiente para vender ainda mais.

    ResponderEliminar
  3. É um processo muito desgastante, Tiago. Uns dizem umas coisas, outros dizem outras...
    A nós, resta-nos as nossas convicções (até prova em contrário...).

    ResponderEliminar
  4. Finalmente alguém da blogosfera que fala civilizadamente deste caso. Faz-me uma impressão aqueles que vieram logo para os blogues ofender os arguidos sem conhecerem o processo. De facto pelo que vi na segunda-feira não fiquei convencido da culpa do Carlos Cruz, o tribunal não apresentou provas. E como ele através do site têm vindo a mostrar contradições nos testemunhos das vítimas mantenho também em aberto a minha opinião sobre a sua culpa. Se bem que, de momento, é-me mais credível a ideia de que o incriminaram.

    ResponderEliminar
  5. Amigo Mark
    viste ontem o Prós e Contras?
    Achei brilhantes todas as intervenções de Daniel Oliveira, que posso resumir numa palavra dele que é igual à minha: DÚVIDA!!!!!
    Estou cheio de dúvidas e esse mesmo jornalista terminou com uma pertinente questão: porque é que em mais de novecentos depoimentos, nunca houve um que dissesse "este senhor X, fez-me isto neste sítio, nesta hora" e que houvesse provas disso?
    Há realmente vítimas, como dizes, e muitas mais do que aqueles que depuseram, mas e abusadores? Estes foram? Todos eles? E os que sempre ficaram na sombra, antes dos factos agora averiguados?
    Vamos ver o que isto dá, mas ainda vai haver muita água a correr debaixo desta "ponte"...

    ResponderEliminar
  6. Francisco: Exacto, ao visualizar aqueles vídeos, as minhas dúvidas aumentaram. E, para o Carlos Cruz falar assim, é porque o tribunal não tem muitas provas... Vamor ver no que isto dá...

    Amigo Pinguim: Sim, vi um pouco do programa. Achei o debate interessante e, como sempre, adorei o Daniel Oliveira. Eu gosto muito dele. :)
    Tens toda a razão. Eu era pequeno, mas recordo-me que houve quase uma "caça às bruxas". Às tantas, qualquer figura pública podia estar envolvida... Bah!
    Há vítimas, há culpados, e lá estão os tribunais para provarem esses factos: façam-no de forma simples e clara.

    ResponderEliminar

Um pouco da vossa magia... :)