30 de setembro de 2025

O Elevador da Glória.


   Foi no nosso segundo dia de férias. Tínhamos acabado de chegar a Fuerteventura quando o M. me disse: “Houbo un accidente en Lisboa”. Quando soube, nem quis acreditar. Que tragédia, meu Deus. Dezasseis ou dezassete mortos e vários feridos. Um cenário surreal numa cidade tão turística como Lisboa. Erros e falhas na manutenção de um dos ícones da capital. Será que a responsabilidade vai morrer solteira uma vez mais? A julgar pela forma como a comunicação social se esqueceu do assunto, não me admiraria.

18 de setembro de 2025

As férias.


   Olá, como estão? Pela primeira vez em anos, passam-se semanas sem vir ao blogue e sem me lembrar disto. Ando aqui a fazer uma força enorme para não deixar o estaminé morrer, mas realmente não há vontade nenhuma. Não há nada que me puxe para vir aqui. Estímulo. 

     Bom, adiante. Vim de férias. Estive em Vinhais, no norte do país, dois dias, e depois estive em Fuerteventura durante duas semanas, a conhecer a ilha, a fazer praia, piscina, essas coisas de que gosto tanto. Espero que por aí esteja tudo bem. Foi só mesmo uma passagem de médico para publicar quatro palavras.

26 de agosto de 2025

Os alfaiates da democracia.


   Em Lisboa, o Palácio Ratton não costura vestidos, mas corta leis. Com tesoura invisível e linha jurídica, os senhores da toga ajustam a bainha da República. E, tal como um alfaiate que decide que o cliente fica melhor sem mangas, podem devolver ao Parlamento uma lei cuidadosamente cosida… agora reduzida a trapos.

   Nos Estados Unidos, este ofício é velho. Lá, nove alfaiates supremos, vitalícios e bem pagos, reparam há muito tempo que a Constituição é um tecido elástico: estica quando convém, encolhe quando muda o vento. Um dia cabe um direito ao aborto; noutro, já não. É a magia da interpretação, essa arte discreta de mudar o mundo sem sujar as mãos de votos.

   Portugal sempre teve menos paciência para estas alfaiatarias. Mas o veto à lei dos estrangeiros mostrou que também por cá se faz alta-costura política. A maioria parlamentar quis alargar a roupa da cidadania; os juízes apertaram-na. Tecnicamente, a peça tinha defeito. Politicamente, foi um ajuste que alterou o modelo inteiro.

   Chamam a isto judicialização da política; quando a passadeira do poder passa pela sala de audiências. É um desfile peculiar: os deputados são modelos de ocasião, desfilam com as suas leis novas, e no fim os juízes decidem se o corte está dentro das tendências constitucionais.

   A democracia veste-se de preto e jura que é apenas guarda-roupa. Mas quando os alfaiates começam a ditar a moda, é caso para perguntar: quem manda, afinal? O povo que escolhe os tecidos ou os juízes que decidem se a saia é demasiado curta?


21 de agosto de 2025

Incêndios.


   Gira o disco e toca o mesmo, e não pensem que é só em Portugal. Em Espanha é igual. Este ano foi-me particularmente terrível, porque pela primeira vez soube o que é lidar com um incêndio. Vivo numa das províncias espanholas mais afectadas pelos terríveis incêndios deste ano. Tive-o aqui, atrás de casa, muito perto, a ameaçar o que temos. A nós e a outros vizinhos. Os montes circundantes estão calcinados. Foi uma tragédia. Na noite de domingo para segunda, ninguém dormiu. O meu marido fora, de mangueira na mão. Vizinhos a ajudá-lo. Outros que estavam nas suas próprias guerras. O fogo ameaçou todos. Aqui, em vários concelhos. Parecia um cenário apocalíptico. Eu saí em torno das 2h da madrugada. Não aguentava mais. Fui tentar dormir um pouco. O M. entrou em casa às 7h da manhã, cansadíssimo. O fogo estava controlado. Felizmente temos um vinhedo enorme atrás, e as vinhas não ardem com facilidade.






    Ficou o stress pós-traumático, além do fumo entranhado nos pulmões. As fotos que lhes deixo são elucidativas.