As imagens das invasões populares aos órgãos de soberania brasileiros são impressionantes. Independentemente dos motivos. Lembraram-me o saque de Roma pelos bárbaros. Admiro sempre quando um povo se mobiliza, e o uso deste verbo não deve ser mal-interpretado. Admirar não significa que apoie ou condene. Admiro a coragem. Condeno os motivos, neste caso, e os modos. A imagem que passa é a de selvajaria, desordem total, descontrolo, de democracia em fanicos. Agora repare-se: segundo o meu pai (eu não vou a Portugal há quase um ano), o tempo de espera por lá nos hospitais públicos é de vinte horas, há cerca de 10.000 (em numeração assusta mais) pessoas a viver na condição de sem abrigo e metade da população portuguesa está em risco de pobreza. O pais bateu no fundo. Só que ali não há colhões para fazer o mesmo em São Bento e arredores.
10 de janeiro de 2023
7 de janeiro de 2023
I Wanna Dance with Somebody.
Nunca tinha vivido tão perto de um cinema, que me lembre. E há tantos anos que não podia ir à sessão das 22h. Recuperei un petit peu das minhas rotinas urbanas. O filme é que… meh. É um argumento fraco, embora Naomi Ackie tenha estado francamente bem. A vida de Whitney Houston não deve ter sido tão aborrecida, e ela tão desinteressante. São duas horas e meia de um enredo superficial e entediante. Salvam-se os velhos clássicos de uma geração e a mímica da actriz.
31 de dezembro de 2022
O ano, o ano terrível.
Neste fim de ano não irei, pela primeira vez em muitos anos, fazer uma revista aos doze meses. Foi um ano tão horrível a título pessoal que inclusive por uma questão de dignidade me irei poupar a essa tarefa. Houve temas nacionais e internacionais que naturalmente mereceriam uma pequena abordagem em jeito de síntese, em todo o caso, o que me aconteceu sobrepõe-se a tudo, e portanto 2022 ficará entre as minhas piores recordações.
Quero desejar-lhes um ano novo com o que peço para mim: tranquilidade e paz de espírito, o que menos tenho e o que mais necessito.
Vemo-nos em 2023, creio eu. O blogue tem estado um pouco à margem da minha atenção. Definhou como eu. Se me recupero, é provável que o recupere. Sem promessas.
30 de dezembro de 2022
Cem anos da constituição da União Soviética.
A União Soviética foi formalmente criada há cem anos, a 30 de Dezembro de 1922. Surgiu dum ideal de igualdade social que nunca se concretizou, quiçá porque a igualdade seja uma utopia, uma bonita utopia cujo sonho de alcançar é meritório. Do sonho veio o pesadelo, e uma vez mais matou-se em nome de uma ideologia. É o que temos feito desde que existimos, portanto, mais do que escrever uma efeméride de exaltação ou condenação, quero tão-somente recordar a constituição de um Estado que escreveu, em autoria ou co-autoria, todos os manuais de História do século XX.
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