27 de outubro de 2026

As manifestações pela habitação.


   Aquilo a que temos vindo a assistir na Europa é, no mínimo, desconcertante. Tudo começou em Espanha, com as manifestações à volta do desahucio, como se diz aqui (despejo, em português), de uma velha que tinha uma reforma apreciável, propriedades e que, ainda assim, queria viver em pleno coração de Madrid a preço de banana. Depressa se estendeu a França e, por fim, a Portugal, onde, devo dizer, tenho visto, pela televisão, uma Lisboa irreconhecível. Estes agentes perturbadores não são classe obreira; são extremistas de esquerda que necessitam de uma causa para dar sentido à sua existência vazia regada a drogas e álcool. Sem querer ser minimalista ou redutor, todos obedecem ao mesmo padrão: mau aspecto, cabelo às cores, piercings, e muito, muito tempo livre, demasiado, porque quem trabalha -quem trabalha de verdade- não tem tempo para aquelas palhaçadas. Naturalmente, a polícia tem de intervir perante acampamentos ilegais, no meio das cidades, que transtornam a vida dos cidadãos. Estou com as forças de segurança incondicionalmente. É evidente que defendo, necessariamente, o aumento dos salários, que acompanhe o aumento do custo de vida. Em Portugal pratica-se, desde sempre, uma cultura de salários baixos, e a especulação imobiliária tornou impossível a vida em cidades como Lisboa, Porto, Madrid ou Barcelona. Eu estou numa posição privilegiada, porque conheço bem a realidade de ambos os países, ao ser originariamente português e simultaneamente cidadão espanhol. Ou seja, não retiro a culpa à classe política nem diminuo as dificuldades reais com as quais se deparam as famílias, todos os dias, no acesso à habitação e aos bens de consumo; eu não posso é concordar com a desobediência de dezenas de hippies que, dito inclusive por alguns, quando confrontados pelos jornalistas, nem passam qualquer dificuldade: estão ali por estar, porque são desordeiros e não respeitam a lei nem a ordem pública. E, com isso, jamais poderei concordar, compreender e menos ainda apoiar.

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