Meados de Setembro. Regressei à faculdade. Um silêncio perturbador. É tão estranho percorrer aqueles corredores sem ouvir o menor ruído. Acostumamo-nos ao reboliço, à algazarra, aos alunos de código na mão, correndo, sorrindo, chorando...; outros, imprimem casos práticos, tiram fotocópias, compram, sabe-se lá, livros disto e daquilo (a propósito, a minha biblioteca jurídica está bem apreciável; se alguém precisar de um livrinho, desde que eu o tenha, já sabe).
A minha especialização é em Direito Penal. Foi, como disse há tempos, o ramo da extensa família do Direito que melhor despertou o meu instinto jurídico. Até então, ao terceiro ano, apenas Direito Constitucional tinha conseguido efeito semelhante, não o suficiente para dar a escolha que fiz no final do Secundário como a mais acertada. Tinha, se tanto, o pendor de tornar aquelas horas minimamente suportáveis. Ao dar-me conta dos meandros que Penal tem, fiquei (não direi apaixonado) mais interessado, participando, intervindo nas aulas. Parece que o demais vem por acréscimo e, a páginas tantas, já tudo tinha outra cor. Entre indecisões e conflitos, resolvi seguir no mestrado, e a tese que viria, evidentemente, seria na área em que me licenciei.
Os livros que leio, de Direito, são de Penal. Como é de calcular, tenho dezenas de livros de outros ramos, dadas as disciplinas que tive. Alguns de direito público continuam a despertar o meu interesse, como de Constitucional, Administrativo. Assim pudesse eu escrever sobre Penal, aqui, e fá-lo-ia. Não se proporciona, a menos que haja um crime qualquer por aí e sinta apelo tal nesse sentido. Faço-o, sim, pensando na tese que terei de elaborar, tarde ou cedo, e o tempo não se demora na passagem. Pretendo conversar com a orientadora. A preguiça tem sido uma das mais acérrimas inimigas. Os temas que gosto estão dissecados à exaustão; os temas que sobram, ou são extenuantes demais, ou não suscitam tanto interesse da parte de quem avalia. Não esquecer, claro, a defesa da tese (falar em público não é, como quem me conhece sabe, o meu ponto forte; baralho-me todo, para não falar de uma troca de sílabas e de palavras, no discurso oral, que tenho percebido - será dislexia? - e de um pouquinho de disfemia (gaguez) ao pronunciar certas palavras, sobretudo quando começo a falar ou quando retomo após ter estado algum tempo calado). É provável que seja uma reacção fisiológica qualquer por estar nervoso.
O meu raciocínio escrito é mais profuso. De sempre prefiro escrever a falar, inversamente à maioria. Passei anos brincando sozinho. Conversava sozinho. Creio que a falta de interacção com os meus pares, exceptuando-se no colégio, ajudou ao incremento desta barreira. Ou não terá nada a ver. Teria de consultar um especialista. Não me apoquenta.
Estou crente de que ano algum quis uma dinâmica como agora. Sou dado ao tédio, facilmente me aborreço. Nunca tanto quanto neste momento em particular da minha vida.
Um dia de cada vez.
O meu raciocínio escrito é mais profuso. De sempre prefiro escrever a falar, inversamente à maioria. Passei anos brincando sozinho. Conversava sozinho. Creio que a falta de interacção com os meus pares, exceptuando-se no colégio, ajudou ao incremento desta barreira. Ou não terá nada a ver. Teria de consultar um especialista. Não me apoquenta.
Estou crente de que ano algum quis uma dinâmica como agora. Sou dado ao tédio, facilmente me aborreço. Nunca tanto quanto neste momento em particular da minha vida.
Um dia de cada vez.