24 de fevereiro de 2026

Quatro anos de guerra.


   Foi há quatro anos que começou a guerra da Ucrânia. Como eu temia, a Rússia não vai ceder um milímetro. Quer não só o território ocupado ilegalmente à Ucrânia como quer ainda determinar a política externa e interna do país vizinho, que considera seu. Aí reside o problema. A questão ucraniana não é circunstancial; é de fundo. Para a Rússia, a Ucrânia não merece ser independente. Quando assim é, não há nenhuma chance de paz duradoura para os ucranianos. Ainda que a guerra termine agora, despoletará de novo em dez, vinte, trinta anos. Será sempre uma bomba prestes a estalar, porque a Rússia não respeita a existência da Ucrânia. Quer integrá-la no seu território, ou sujeitá-la totalmente, como sucede com a Bielorrússia, um Estado fantoche e cúmplice. 

  Tenho imensa pena pelo povo ucraniano. Nenhuma solução será boa. Só o fim do regime de Putin poderia trazer alguma tranquilidade na região, o que se vê difícil para todos os efeitos.

23 de fevereiro de 2026

Gisberta (1960-2006).


   Ontem passaram-se vinte anos desde a morte de Gisberta. Eu escrevi sobre a Gisberta em 2011 (texto que poderão ler aqui). Creio que a história pessoal e as circunstâncias da morte de Gisberta são sobejamente conhecidas pela população em geral, e a LGBT+ em particular. A Gisberta foi uma transexual brasileira, imigrante em Portugal. Figura destacada na noite portuense por ser uma mulher bonita e elegante no trato, caiu no mundo das drogas e da prostituição. Algures em 1996 contraiu o HIV, talvez pelas drogas, talvez pela prostituição que exercia na Rua de Santa Catarina. A degradação começou, e a queda foi abrupta. Gisberta deixou de ter dinheiro para ter uma casa e acabou na rua, como sem-abrigo. Ia a associações de apoio a pessoas sem recursos, onde comia e podia fazer a sua higiene. Padecia de tuberculose. A sua situação de seropositiva evoluíra entretanto para SIDA.

    Foi num cenário de total miséria humana que, algures no início de 2006, um grupo de delinquentes começou a parar no edifício em obras onde Gisberta se abrigava. Da curiosidade inicial, vieram os ataques. A determinado momento, agrediram-na. Vinham todos os dias bater-lhe, ofendê-la, sujeitá-la a sevícias (foi sodomizada com um pau). Gisberta, cada vez mais fraca, só lhes pedia que a deixassem em paz. Quando, certo dia, já não se mexia, julgaram-na morta e atiraram-na para um poço para se desfazerem dela. Gisberta estava viva. Morreu afogada.




  O caso ganhou uma enorme repercussão nacional e internacional. Gisberta é, hoje, merecidamente, um símbolo da causa LGBT+. Não será despiciendo dizer que é uma mártir. Foi agredida, violada e assassinada por ser uma transexual; uma pessoa que estava numa situação de absoluta pobreza, doente, enfraquecida. O que aconteceu a Gisberta pode ocorrer a qualquer um de nós. É difícil subir, conquistar um espaço seguro e uma vida digna; é muito fácil cair-se em desgraça e perder tudo.

      Eu não esquecerei jamais a Gisberta.

22 de fevereiro de 2026

Já cheira a Primavera.


   Foi uma frase dita pelo meu marido, ontem ou anteontem. “Já cheira a Primavera”. Sim, é verdade, mas ainda virá por aí muita chuvinha - desculpem, é uma constatação. Estamos fartos dela, o que não significa que o calor esteja à porta. Os dias são mais quentes. Em contrapartida, as manhãs e as noites continuam frescas. Os dias também são maiores. Há luz por mais tempo. Os passarinhos cantam. O sol entra-se-me pela casa. Aquece-a. As flores florescem, passo a redundância, quer no jardim, quer na minha varanda. É o M. quem cuida do jardim. Ele adora. E sim, cheira a Primavera.





21 de fevereiro de 2026

Sushi.


   A 50km aqui da minha casa, abriu, há uns meses, um restaurante de comida japonesa. Eu poderia dizer de sushi, mas na realidade é de comida japonesa, porque não tem apenas sushi; tem uma quantidade enorme de comida japonesa, incluindo carnes, sopa miso, wakame, tataki, carpaccio, etc, porém, do que eu mais gosto é do sashimi. Vamos várias vezes. É quase um ritual de fim-de-semana. Aproveitamos e vamos à livraria, compramos livros, ou apenas os folheamos, e de vez em quando compramos roupa de que não necessitamos. É aquele vício compulsivo. Bem, e é tudo. Hoje fomos ao sushi e adorei, como sempre. Estava muito fresquinho.