Só o título já me dá vontade de rir. O Francisco é o culpado. Eu já o conheço há muitos anos, e certa vez, quando andámos meio às turras, ele mandou-me uma boquinha de que eu vivia atrás do sol posto. Não foi novidade para mim tal expressão. É corriqueira em Portugal. Ficou-se-me, entretanto, gravada na memória, como se me tivessem dito algo que já sabia, mas em versão flecha, ou seja, algo que vai directo ao alvo.
Bom, viver atrás do sol posto tem muitas vantagens. E algumas desvantagens. Eu diria que as vantagens suplantam as desvantagens, vendo o mundo como está, cada vez pior. Tenho sossego. Não há ruído. Não há stress com os transportes públicos e os horários a cumprir. Alimento-me de forma mais saudável. O ar é menos poluído. Sem dúvida alguma, algo que, com praticamente quarenta anos, valorizo, e muito. As desvantagens serão não ter, por exemplo, universidade perto, para fazer um mestrado (que gostaria). Não vejo mais nenhuma, realmente, porque a 50 quilómetros tenho um centro comercial com tudo, e a menos de 10 tenho hipermercados, algumas livrarias, algum comércio, serviços básicos, centro de saúde e hospital. Não estou tão isolado assim. É certo, é rural, e eu estou habituado. O tempo passa. Vivo aqui há seis anos.
E ter estas vistas não é para todos.


