9 de maio de 2026

O Diabo Veste Prada, 1 e 2.


   Nunca antes escrevera sobre O Diabo Veste Prada. Eu gostei muito do primeiro filme, que vi anos depois de ter estreado. Achei-o divertido, agitado, fresco, com interpretações fantásticas, principalmente da inenarrável Meryl Streep, a minha actriz favorita. Ela encarnou uma Miranda Priestly na perfeição. Autoritária, arrogante, exigente, ácida, mas também capaz de reconhecer o mérito individual. Hoje fui ao cinema ver a sequela, e devo dizer que me desapontou. Pareceu-me que o realizador, ou a realizadora, não faço ideia, procurou desesperadamente dar um sentido à estória. 




    Perdeu-se a acidez mordaz e provocadora de Miranda. Meryl Streep quase cedeu o protagonismo a Emily Blunt. A tentativa de encaixar o papel de Anne Hathaway na prestigiada (mas decadente) revista Runway não foi conseguido, na minha perspectiva. Foi forçado e até, diria mesmo, trivial. Contudo, o que desaponta mesmo é Miranda Priestly, que ficou apagada durante toda a sequência. Este segundo take é mais glamoroso do que o primeiro. Há uma aposta forte nos figurinos, e uma mensagem de inclusão, onde corpos que aparentemente não encaixam e defeitos físicos têm lugar. Contudo, o roteiro é menor forte e demasiado polido, contrastando com o carácter incisivo do primeiro. É um caso claríssimo de um filme que deveria ter ficado arrumado com a longa de 2006. Acontece muito. Não será o último.

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