Pus-me a ver uma entrevista do Kiko is Hot no As Três da Manhã da Renascença. Eu acho que todos os que andam aqui, nos meios virtuais, sabem quem é o Kiko is Hot, mas, para quem não sabe, é um tipo que começou a gravar vídeos para o Youtube em 2011, que depressa se tornaram virais. Ainda tudo muito rudimentar, sem microfone nem nada. Lá insistiu e foi persistente. Hoje tem, entre o Insta e o Tik Tok, mais de um milhão de seguidores. Parecem fama e dinheiro fáceis. Não são. Para se ser youtuber (agora está passado de moda) e ter impacto, era preciso ter imaginação com os vídeos, insistir-se muito, e mesmo assim às vezes não era suficiente. Quem conseguia, de facto alcançava fama virtual, e daí dinheiro com as visualizações. Eu comecei a gravar vídeos para o Youtube antes do boom de youtubers, em 2008. Recebi tanto hate, como o Kiko, de resto, mas, à diferença dele, não insisti. Apaguei tudo e criei este blogue, um espaço mais reservado, que porém nunca me deu nada. Não é que eu quisesse fama ou dinheiro, não; é ver que gente com muito menos capacidades do que eu chegou lá, e eu não. Fiquei pelo caminho. Não só nestes meios virtuais. Em tudo.
Quando me matriculei na Faculdade de Direito de Lisboa, o meu pai foi comigo. Nesse dia -quem conhece a FDUL sabe como é- estavam imensas "barraquinhas" dos vários partidos políticos ao longo da sua ampla entrada. O meu pai disse-me: "Mete-te na política". Não o fiz. Hoje poderia ser alguém de sucesso, renomado, cheio de dinheiro. Não tenho mais do que aquilo que preciso, contudo, está sempre aqui o "e se?". E se tenho arriscado no Youtube naqueles anos? E se tenho entrado na política como o meu pai me aconselhara? E se?
Sinto que passei ao lado de uma grande carreira, de uma grande vida, e só me posso culpar a mim mesmo, pela inércia; porque a verdade é que não gosto de fazer nada. Sou demasiado preguiçoso, indolente, e em tudo há que ter determinação; capacidades não me faltam: sei o que valho; sei que, além de inteligente, sou esperto e tenho lábia. Falta-me o resto: determinação, sentido de oportunidade, obstinação, inteligência emocional.
Agora será demasiado tarde. Ficam a mágoa e a revolta - e a culpa, a quem só posso atribuir a mim.
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