Não gosto dos anfiteatros novos. O seu aspecto demasiadamente moderno, as linhas assimétricas e curvilíneas provocam-me espasmos intelectuais. Os assentos, numa imitação vulgar de pinho, cedem constantemente mal nos sentemos, revelando uma fragilidade que não se coaduna com o tempo de utilização.
Sempre o mesmo ritual, cumprido escrupulosamente. O professor-vigilante faz cara de mau, tentando impor um respeito que não caberá no seu metro e cinquenta e na sua cara de eternos dezasseis. Aumenta o tom de voz, a aspereza do timbre, numa tentativa de suster os ânimos exaltados de uma tribuna nervosa. Alunos, mal educados, sussurram ofensas de baixo nível por entre os dentes, exibindo um ódio recalcado, situações vindas de outras paragens, mágoas que perduram através das folhas grotescas de exame.
Entra o regente. Abrem as portas de saída, imediatamente atrás de nós. Corre um ar fresco que entra pela minha t-shirt, aliviando-me o peso das horas. Um pardal pousa entre a porta e o recinto exterior. Não entra. Afinal, quem entraria de bom grado podendo-o evitar?
O regente sorri-me. Conhece-me das aulas plenárias, da minha pontualidade quase britânica às suas aulas, da minha mão cansada que segue o ritmo da sua voz. Senti-me especial sem o ser. Senti-me patético.
Entreguei o exame e saí. Evitei os olhares inquisitórios e as perguntas cínicas da praxe. Cá fora, já no amplo átrio em direcção ao jardim da faculdade, invejei a liberdade do pardal, procurando-o enquanto olhava o céu.
Dei os rounds por terminados, num primeiro momento, mas habituei-me à volatilidade das certezas.
Sempre o mesmo ritual, cumprido escrupulosamente. O professor-vigilante faz cara de mau, tentando impor um respeito que não caberá no seu metro e cinquenta e na sua cara de eternos dezasseis. Aumenta o tom de voz, a aspereza do timbre, numa tentativa de suster os ânimos exaltados de uma tribuna nervosa. Alunos, mal educados, sussurram ofensas de baixo nível por entre os dentes, exibindo um ódio recalcado, situações vindas de outras paragens, mágoas que perduram através das folhas grotescas de exame.
Entra o regente. Abrem as portas de saída, imediatamente atrás de nós. Corre um ar fresco que entra pela minha t-shirt, aliviando-me o peso das horas. Um pardal pousa entre a porta e o recinto exterior. Não entra. Afinal, quem entraria de bom grado podendo-o evitar?
O regente sorri-me. Conhece-me das aulas plenárias, da minha pontualidade quase britânica às suas aulas, da minha mão cansada que segue o ritmo da sua voz. Senti-me especial sem o ser. Senti-me patético.
Entreguei o exame e saí. Evitei os olhares inquisitórios e as perguntas cínicas da praxe. Cá fora, já no amplo átrio em direcção ao jardim da faculdade, invejei a liberdade do pardal, procurando-o enquanto olhava o céu.
Dei os rounds por terminados, num primeiro momento, mas habituei-me à volatilidade das certezas.
Correu-te bem o exame? ^^
ResponderEliminarHughie :33
Correu-me mais ou menos. :)
ResponderEliminarhughie :33
Boa sorte para a nota :)
ResponderEliminarAbraço amigo
Obrigado, Francisco. :)
ResponderEliminarabraço :3
Espero que você tire excelentes notas. Um grande Abraço.
ResponderEliminarObrigado, Citizen. :)
ResponderEliminarabraço grande :33
:) ah, essas expressões tão peculiares, desconhecia a "eternos dezasseis". o que significa? obstipação? :D
ResponderEliminarestranho ler isto, contudo; tens uma escrita quase etérea, escapa-me por entre os dedos...
mas gosto, :)
bjs.
Margarida, a "eternos dezasseis" significa o seu rosto ainda muito juvenil. Deverá ser um homem perto dos trinta com cara de adolescente. :)
ResponderEliminarObrigado pelo carinho. <3
beijinho grande :*
ah, neste caso, que trenga sou... não associei.
ResponderEliminar:)
bjs.
Oh, de trenga não tens mesmo nada. És cultíssima. :)
ResponderEliminarbeijinhos :*
"correr mais ou menos" para ti é ter boa nota, mas não a melhor e que tu ambicionavas, suponho.
ResponderEliminarSe eu estivesse num exame e um pardal entrasse na sala, eu abandonava o exame e fugia a sete pés, tal a minha fobia em relação aos pássaros.
Oh, João, obrigado pela tua confiança nas minhas capacidades. Espero corresponder a essas expectativas. :)
ResponderEliminarEu tenho fobia em relação a insectos. :S
abraço :3
"invejei a liberdade do pardal, (...) mas habituei-me à volatilidade das certezas."
ResponderEliminarGostei muito.
Um abraço grande com sapiência para esta fase!
Daniel: O meu muito obrigado! :')
ResponderEliminarabraço grande :3