2 de maio de 2018

The Death of Stalin.


   Tenho-vos falado de comédias, péssimas comédias. A que vi hoje, The Death of Stalin, ou A Morte de Estaline, em português, é soberba. Enquadramento histórico perfeito, com aquele humor que não nos estupidifica. As crueldades e a tirania estão lá. Bastante salientes, de resto. O filme acompanha o último dia da vida do líder soviético e os meandros que envolveram a sua sucessão, inclusive no pomposo funeral de estado que teve. Após a sua morte, os homens que lhe eram mais próximos, do Comité Central do PCUS, digladiaram-se pelo poder, tendo um deles, Beria, sido efectivamente acusado de conspiração e executado sumariamente. As intrigas que se seguiram viriam a dar o supremo cargo a Nikita Kruschev.

   A narrativa põe, de igual modo, a descoberto algumas curiosas fragilidades. Quando deram com Stalin prostrado, envolto numa mancha de urina, vítima de um ataque apoplético, não havia um bom médico disponível em Moscovo. Todos haviam sido acusados de crimes e deportados. Stalin munia-se de duplos, de sósias, que provavelmente o substituiriam em ocasiões muito particulares. Descobrimos que aquele homem vivia rodeado de inimigos, de pessoas que o bajulavam por medo. Beria foi um deles. Simultaneamente, numa característica comum a todos os totalitarismos, Stalin comportava-se como ser caprichoso, intolerante, a quem ninguém ousava contrariar ou negar fosse o que fosse. As perseguições políticas e as execuções sucediam-se impiedosamente, sem julgamentos prévios. Listas, com detalhes mórbidos pormenorizados, eram enviadas à polícia política, a NKVD, para que esta pusesse em marcha o processo de eliminação dos inimigos do Estado.

   O filme também explora o lado familiar de Stalin. Não a sua relação com os filhos, que o Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética morre logo no início, mas sim os próprios filhos. Svetlana e Vasily, ambos estranhíssimos, o que não admira, tendo como pai um indivíduo que não seria dos mais extremosos. Vasily, muitíssimo bem apessoado, que lhe vi fotos reais na internet, parecia sofrer mesmo de distúrbios mentais.

   Com interpretações boas, fidedignas e bem dirigido, o filme, em suma, é uma sátira muito bem conseguida ao regime de atrocidades da União Soviética, com as lutas pela liderança de um dos aparelhos estatais mais estratificados, misteriosos e complexos de inícios dos anos 50.

4 comentários:

  1. Fiquei curioso em ver :)

    abraço amigo

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    1. As minhas crónicas ajudam, claro. :)

      um abraço, amigo.

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  2. A par de Hitler, e com outra dimensão, este foi um dos maiores facínoras da história do século XX.
    E foi-lhe permitido morrer rápido, vítima de um ataque misericordioso, que não mereceu, mercê do estrago profundo que produziu em todo o estrato social/político da URSS da época.
    Não gosto de me pensar rancoroso, nem creio que defina, de todo, a minha forma de estar na vida, mas ... teria preferido que tivesse tido um final mais consentâneo com aquele que ditou a uma quantidade significativa dos seus concidadãos.
    Há gente que tem a sorte de não merecer a morte que teve, este foi um deles. Infelizmente, Hitler também ...
    Uma boa semana
    Manel

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    1. Estaline terá matado mais de 20 milhões de pessoas. Foram 30 anos de governação. Inclusive, tem um genocídio na lista de atrocidades: na Ucrânia, as grandes fomes, que mataram milhões e milhões.

      Uma boa semana, Manel.

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