28 de fevereiro de 2018

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri and Phantom Thread.


   Fiz maratona, fiz, mas estou decidido a ver (quase) todos os filmes nomeados para o Oscar de Melhor Filme. Esta terça, decidi-me por estes dois. Como não gosto de piratear nada - e ainda que gostasse, não o saberia fazer - vou educadamente ao cinema e valorizo o trabalho dos realizadores, actores e por aí fora.

  Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Individualmente, adorei as interpretações de Sam Rockwell e de Frances McDormand, ele no papel daquele policial violento, antissocial e traumatizado e ela enquanto órfã de filha - pois é, a nossa língua continua a ser insuficiente para definir essa dor maior - mulher magoada e profundamente revoltada (a caracterização é sublime). Há crimes quase perfeitos. O filme é igualmente bom no retrato cru que faz dos estados mais a sul dos EUA, rurais, com todo o racismo (e machismo...) que sobreviveu ao esclavagismo e à guerra civil que quase provocou a secessão. Gostei da perseverança daquela mãe, pragmática e contundente, e da sua luta obstinada por justiça, nem que para tal se socorresse de actos marginais e perigosos, pondo-se e aos outros em risco. Os diálogos são marcantes. Curiosamente, e embora a tónica seja claramente dramática, há momentos de humor, curto e sem delongas. Frances e Sam merecem as nomeações para os Oscars.

  Phantom Thread. Mais de duas horas de planos lentos, estáticos. Embora requintado, torna-se cansativo acompanhar aquela relação estranhíssima, de mútua dependência, quase - ou seguramente - doentia. É uma história de amor, sim, indicada para quem gosta de amores pouco convencionais. O realizador explorou um lado interessante: o do sacrifício, o da abnegação, em prol da concretização profissional e do sucesso. Aquele costureiro elegante, Reynolds Woodcook, que trabalha para a alta sociedade, muitíssimo bem interpretado por Daniel Day-Lewis, é um homem azedo, insuportável, roçando a mesquinhez, que decididamente não sabe amar, e que encontra alguém que lhe é compatível nesse modo estranho de se dar a outro. Uma palavra para a actriz que faz de sua irmã, Lesley Manville, indicada que está para o Oscar de Melhor Actriz Secundária. Desempenhou com maestria o papel da irmã mais velha, protectora, autoritária, ciosa do seu lugar e do que representa na vida do irmão.

2 comentários:

  1. Gostei muito de " Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" .... :)

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    1. Não sei se chegaste a ver o Phantom também. :)

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Um pouco da vossa magia... :)