13 de fevereiro de 2018

Cultural Sunday [take 6].


   Sendo sincero, já não sei que introdução atribuir aos meus domingos culturais. Sabem que eu vou, pelo que posso perfeitamente contornar as partes introdutórias. Querem saber mesmo onde fui (talvez nem vos importe...), não é? Sem rodeios, pois bem, a minha escolha incidiu sobre o Museu Nacional do Azulejo e, atendendo à sugestão de uma leitora, o Museu da Água.

   Comecemos pelo Museu Nacional do Azulejo, que não conhecia e que adorei. Fica em Xabregas, a uns dois quilómetros adiante da estação de comboios de Santa Apolónia. Em todo o caso, e fi-lo pelas ameaças de chuva, apanhei o autocarro (794). Aconselho-vos. Também se não quiserem andar muito. Ainda se anda um bom bocado.

   É um museu lindíssimo, situado no Mosteiro da Madre de Deus, uma jóia que sobreviveu ao terramoto de 1755. Tem dois pisos (ou três?), munidos das melhores colecções de azulejos, desde a Idade Moderna até ao Cargaleiro. Enfim, visitem que vale a pena. Eu, no meu preconceito, julguei: "Meh, azulejos...". Sim, azulejos, azulejaria que faz parte de nós, da portugalidade, do que fomos. Herdámos a tradição dos árabes e mantivemo-la, aperfeiçoando-a e tornando-a num traço distintivo da nossa cultura. Tirei várias fotos, deixando-vos algumas delas.



Na primeira foto, Pã, deus grego. Azulejaria do século XVII, bem como na segunda foto, também do mesmo século.

   O Mosteiro, como vos disse, é uma maravilha. Não pude deixar de captar uma foto dos seus claustros.


    A igreja do mosteiro é extraordinária também. Estou certo de que a adorarão. Repito-me, mas não dava nada pelo museu e saí de coração, olhos e telemóvel cheios. Quem me segue nas demais redes sociais - Facebook  e Instagram - e é uma parte substancial dos meus leitores, vai acompanhando as fotos que, gradualmente, publico.


   A meio caminho entre Santa Apolónia e o Museu Nacional do Azulejo fica o Museu da Água, subindo-se a Calçada dos Barbadinhos. Geralmente, procuro coordenar bem as visitas, de modo a que, num mesmo domingo, não tenha de me movimentar por pontos opostos da cidade. Nem sempre é possível. Desta vez, contudo, foi.

   O Museu da Água não tem muito para ver. Dispõe de uma sala didáctica, onde nos informam sobre o que é a água, os seus componentes químicos, os seus estados, o uso que lhe damos, a distribuição doméstica, a distribuição na cidade de Lisboa e o seu processo histórico, etc. Tudo bem explicado e de modo muito atractivo, e até interactivo.


   Do lado esquerdo, há um pequeno corredor com um painel no chão. Pisando-o, julgamos estar a caminhar sobre a água. Inquietou-me! Como podem ver na foto, parece que estamos rodeados de água. Pretendem que fiquemos com essa impressão.
   O museu estava vazio. Tive-o para mim. Vi tudo com calma e com toda a atenção Detesto confusões - o Museu do Azulejo estava cheio. Este, provavelmente por se situar ao fundo de um beco, bem escondido, não tinha vivalma.

    Prosseguindo na visita, resta-nos a sala das máquinas. Tem uma no piso inferior e outra, a mais bonita, no piso superior, e nisto fez-me lembrar o Museu da Electricidade, que conheci em 2015, e que também lá tem as suas máquinas.


   Finda a visita, tempo de almoçar, que se fazia tarde.
  Foi um domingo giríssimo, melhor do que o anterior, quando fui ao MNAA. Nem cheguei a publicar fotos da exposição acerca do arquipélago da Madeira, verdadeiro motivo que me levou lá. Uma vez mais, quem me acompanha noutras plataformas vai tendo acesso aos registos.

   Esta semana, curiosamente, decidi logo no domingo à noite onde iria. Todavia, como da praxe, só o saberão no momento oportuno. Aliás, acrescento mais: sei onde irei nos domingos seguintes, pelo menos nos próximos três. Assim sendo, sintam-se à vontade para, através do e-mail, me fazerem chegar sugestões. Não se acanhem. Não sou daqueles que julgam que não precisam de ninguém - como os há por aí - e que em tudo são auto-suficientes  - quando nem corresponde à verdade. Sugestões, venham elas! Aceito-as e até as agradeço. Pode ser que já tenha pensado nelas, pode ser que não.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.

6 comentários:

  1. Bons domingos culturais

    abraço amigo

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  2. O Museu do Azulejo é um dos favoritos.
    Tanto que, a partir de certa altura comecei a adquirir azulejo antigo (muitos consigo reaproveitar dos contentores de entulho das obras, sobretudo quando no centro da cidade) os quais vou paulatinamente colocando nas paredes da minha casa.
    Quando estão partidos faço como Gaudí, e revisto como se mosaico se tratasse.
    Lá vou esburacando a parede e coloco-os como se fazia em épocas passadas, para que possam ser retirados posteriormente se necessário. Não quero azulejos colocados "de pedra e cal", gosto que pensar que alguém, no futuro, os reutilizará noutro qualquer sítio, se assim for o desejo.
    Agrada-me a plasticidade destes materiais de revestimento tão fantásticos, que têm a vantagem de conseguir reconstruir um ambiente de forma tão portuguesa. Possuem igualmente a vantagem de recrear um ambiente palaciano por algumas dezenas de euros.
    Uma boa semana
    Manel

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    Respostas
    1. Também se tornou um dos meus favoritos. Adorei o mosteiro. É lindo!

      Gosto, igualmente, da nossa azulejaria, e culpo-me por ter subestimado tal arte. As pessoas não imaginam o processo moroso de confecção de um azulejo. Há desenhos incríveis, originais, distantes desses azulejos feitos em série que conhecemos. Pode ser um trabalho bem exclusivo e cheio de requinte e maestria.

      Uma boa semana, Manel.

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