7 de maio de 2021
Miniférias... na Corunha.
5 de maio de 2021
Las elecciones autonómicas de Madrid.
España es, al revés de Portugal, un estado de naciones, un estado regional dotado de autonomías. Cada una de esas regiones ha ganado el derecho a elegir a sus representantes locales. Podemos comparar su estatuto con lo que tienen las autonomías portuguesas, las Azores y Madeira. Ayer, los madrileños han elegido a su gobierno autonómico. El PP ha obtenido una extraordinaria victoria a expensas de las izquierdas, en particular de Pablo Iglesias, que quedó en último lugar. Los socialistas del PSOE tampoco pueden quedarse tranquilos con el resultado, el peor de siempre en la comunidad.
Evidentemente, hay una extrapolación de este resultado regional a la política nacional. En este contexto de pandemia, son muchos los que ven un fracaso de las políticas de Pedro Sanchéz en la gestión sanitaria, un desgaste que probablemente conducirá al PP o incluso a la extrema derecha a La Moncloa. Pablo Iglesias ha comunicado al país que abandonaría la política, una decisión in extremis, una autoresponsabilización inevitable, alejándose mientras recupera su condición de uno de los grandes líderes de la izquierda española.
Yo he seguido estas elecciones con relativa indiferencia, no queriendo atribuirles una importancia excesiva. Además, hay otros asuntos que, en este momento, me merecen más atención. En los últimos tiempos, he aprendido que no debemos perder demasiado tiempo con circunstancias puntuales. La realidad cambia a toda prisa. La pérdida de energía con la política y sus sucíos meandros no es dignificante y nos aleja de lo esencial.
3 de maio de 2021
XIII Aniversário.
Passaram-se treze anos desde o dia em que inaugurei o blogue, e este ano farei uma exposição diferente das habituais que têm por único mote assinalar a efeméride. Dar-lhes-ei conta de uma mudança que provavelmente foi perceptível para a maior parte dos que me acompanham. Uma mudança que teve repercussões nas poucas interacções que ainda mantinha após o longo período de incerteza que envolveu a chamada blogosfera.
Durante anos, fiz parte, como quase todos, de um esquema que gradualmente me foi provocando alguma repulsa. Apercebi-me de que a maioria não escrevia por gosto ou apetência, mas tão-somente para receber aquilo que considerei ser estímulos ao ego, comentários de bajulação, que não justificavam o que entendia dever ser a prioridade numa rede social não tão imediata, e disso me fui dando conta com algumas participações de pessoas que verdadeiramente liam e interpretavam, opinavam de modo esclarecido, contribuíam para desenvolver ou aprofundar temas que apresentava.
Ter-me-ia sido mais fácil recolher-me ao silêncio (quando nada tens de bom para dizer, nada digas), mas não. Passei a ser absolutamente transparente nas minhas posições sobre o que lia, criticando, admitindo que roçando até a aspereza, também de certa forma para provocar alguma reacção. Ser o revés daquilo que se esperava, ainda daquela lógica da adulação virtual que não mais me fazia qualquer sentido, afinal, se seguia determinados espaços e se as pessoas os têm públicos, com a opção de comentários disponível, porque não escrever o que se me ocorria dizer?
Fui alvo de todo o tipo de ataques de índole pessoal, inclusive de mortos que ressurgiram sabe-se lá de onde para me procurar achincalhar (um deles com quem tive um desaguisado em 2010 e que, onze anos depois, surgiu do nada para tirar ilações não sobre mim, que isso é possível e legítimo à luz do que escrevo, mas sobre a minha vida pessoal). Quando comentava os blogues e ia além dos limites do outro, fazia-o tendo em conta a interpretação prévia àquilo que acabara de ler; não é verdade que não possamos conhecer alguém somente pelo que escreve, sobretudo quando quem escreve elabora textos de cariz íntimo, pessoal. Como eu acabo por passar a ideia de mal-educado e arrogante, quem leio assume, perante mim, um esboço, e começo a formular uma concepção acerca da personalidade daquela pessoa. Nalguns casos, são blogues que acompanho há mais de uma década.
De todas as inimizades -se é que é um termo apropriado neste contexto- que fui colhendo aqui e acolá, custa-me relativamente apenas a de um rapaz, e ele sabe quem é, que conheço... já lhe perdi a conta... e que reconhecia como sendo um amigo real. No demais, concebo que cada um possa reagir como quer. As publicações que me visaram, e serei de novo absolutamente transparente, foram recebidas por mim com tranquilidade e algum humor. Há três pessoas que me importam e que sei que me amam, a minha mãe, o meu pai e o meu marido. Tudo o que sobeja, com excepção de algumas poucas pessoas (o tal rapaz que referi ali está incluído, e um querido amigo que anda ausente, o M.), são contactos pontuais. No caso dos blogues, há uma plataforma, há um texto. Há ainda uma caixa de comentários. Comento, se quiser, sem ânimo de procurar rebaixar e sem me preocupar excessivamente com o reflexo em quem lê.
O blogue continuará a existir, como já o disse, enquanto me fizer sentido. Escrevo -e também o disse- para mim. Não necessito sequer que me leiam. Eu sou eu e sou ainda o meu entorno querido, independentemente de ser malquisto pelo resto, que é... resto.
Obrigado aos que continuam aí, não obstante.
Mark
2 de maio de 2021
Nomadland.
“Nomadland” trata da quebra dos vínculos sociais a ponto de uma total dessocialização, uma ausência de ligação à colectividade, excepto aos que partilham dos mesmos valores de erraticidade e desprendimento.
Frances McDormand iguala Meryl Streep em prémios Oscar, e merecidamente, que a sua interpretação é inenarrável. No entanto, há que fazer uma pequena ressalva: McDormand esteve como peixe na água, permitam-me a expressão. Em “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”, a actriz interpretou, se a memória não me falha, uma mulher com uma vivência rural e desagregada que provavelmente terá motivado a sua escolha para este “terra nómada”.
É uma estória deprimente? É-o, como a vida sem as cores que lhe damos para a tornar mais suportável. Há quem se recuse a cumprir com os padrões estabelecidos e tome efectivamente as rédeas do seu destino, ignorando automatismos sociais, normas comportamentais, obrigações decorrentes da própria manutenção daquilo que consideramos ser um patamar de dignidade. Na “terra dos nómadas”, há dignidade, há normas, mas não há uma escravidão ao trabalho, ao dinheiro; uma preocupação com a aparência. Existências numa primeira análise desprovidas de raízes, ainda que as tenham no espírito de cooperação que se estabelece entre quem divide um estilo de vida comum.