De certeza que alguns de vocês querem saber o que tem acontecido entre mim e o R. Bom, tenho-vos a dizer que nada. Creio mesmo que tem existido algum afastamento da parte dele. Talvez eu tenha criado expectativas demais. Talvez. A verdade é que eu também não avanço porque não faz parte da minha natureza. Detesto andar atrás, conquistar, etc. Gosto que me façam, não gosto de o fazer. E uma vez que ele não o faz, eu não farei, mas de certeza absoluta.
Tem dias que já não se senta perto de onde eu estou. Fica mais atrás. Acredito que ele pense exactamente o mesmo de mim. Eu pouco olho para ele propositadamente. Não quero que pense que lhe dou importância. Quando ele já lá está, sou eu que me sento longe dele. Ainda mais longe do que ele quando eu já lá estou. Mudo mesmo de bancada ou avanço e recuo umas boas filas, tanto no auditório como nas salas.
Ontem, no meio de uma aula, saí para estudar mais um pouco. O auditório estava cheio. Fui para o banheiro da faculdade estudar, dentro das cabines individuais. Eu estudo nos locais mais imprevisíveis. Gosto de falar enquanto estudo, de forma a memorizar os conteúdos. Como faço figuras tristes a estudar, vou para o banheiro para ninguém me ver. Ahahahah.
Regressei para a aula seguinte. Uma colega disse-me que o professor não tinha gostado da minha saída. Que estranho. Então, disse-me que, passados alguns minutos, houve um outro rapaz que saiu, o que levou o professor a dizer que «uma indisposição é normal, duas já é demais....».
Adivinhem quem saiu? Sim.
A minha faculdade tem inúmeros banheiros. Fui para o mais distante. Um que fica mesmo escondido, para estar à vontade. Quando saí, dei com ele a andar por ali... Isto não quer dizer nada, claro, mas então saiu porquê? E logo a seguir a mim.
A verdade é que o meu coração bate à sua presença e sinto que não lhe sou indiferente. Estamos num verdadeiro impasse. Tento manter-me o mais normal possível quando estou perto dele, o que não é possível integralmente. Acho que somos diferentes demais. Há diferenças inultrapassáveis. Teria de me modificar e ele teria, naturalmente, de se modificar também. Chego à conclusão de que devo manter-me mais dentro do meu círculo. Há pessoas interessantíssimas com as quais não tenho um relacionamento próximo porque, simplesmente, rejeitava um contacto directo. Refiro-me a algumas pessoas que têm interesse em mim, mas que eu, porque não me agradam, não dava importância. Há uns quantos.
Para concluir, ontem recebi um diploma por Mérito e Excelência de melhor aluno do 12º ano, atribuído pelo colégio onde estudei. Só os melhores alunos o receberam. Foi uma honra e uma cerimónia agradável. Não gosto de o dizer - pensam logo que sou presunçoso - mas não é qualquer um que tira 20 a tudo no 3º Período do 12º ano... Sabem, no fundo, ser inteligente tem as suas contrapartidas. Pensamos mais do que devíamos. A minha cabeça nunca pára. Está constantemente em raciocínio pleno, exceptuando quando durmo. Sempre fui hiperactivo. Surgem-me mil ideias ao mesmo tempo. Muitas vezes, a minha mão (a escrever) não acompanha o meu intelecto.
Gostava de ser burro.
Vivem bem melhor...



