Há dias, numa publicação, abri a porta, passo a expressão, a que leitores me deixassem sugestões de espaços a visitar. Visava monumentos, museus, sobretudo. Entretanto, recebi um e-mail curioso de um leitor que me segue há três anos, mas que nunca comenta. Um leitor e seguidor fiel que me deixou uma ideia no ar. Juntei-a àquela que já tinha, de escrever sobre o blogue a propósito do ano comemorativo do 10º aniversário (mais uma vez, e outras se seguirão), e de fazer uma pequena reflexão sobre a linha que venho adoptando, um tanto ou quanto diferente.
Comecemos pelos leitores que não "conhecemos". Há uns anos, era habitual (não rotineiro) receber e-mails de pessoas que me liam com atenção, sem todavia se darem a conhecer. Vulgarmente esquecemo-nos de que é possível, julgando que só nos lê quem nos comenta. Não corresponde, de todo, à verdade. Esse leitor, que não identificarei, deixou-me um desafio: enumerar os blogues que sigo e com os quais continua a haver interacção. Pensei em como responder a este desafio, e cheguei à conclusão de que não me sentiria à vontade a divulgar os blogues que leio. Não porque leia blogues de teor duvidoso ou que me possam envergonhar - até gostava, para animar - mas porque não me agrada fazer publicidade a ninguém. Também por outro motivo - o mais importante: não sigo verdadeiramente nenhum blogue. Sigo vários, se considerarmos seguir como tê-los na minha lista; em todo o caso, clico quando me apetece, esporadicamente. Às vezes, lembro-me de que há muito não visito determinado blogue, e lá decido aparecer. Serão em torno de uns cinco. Houve uns que deixei de seguir, e de acompanhar, quer porque já não existiam, quer porque deixaram de me interessar.
No que respeita à reflexão, o blogue, desde o começo do ano (embora venha passando por transformações pouco perceptíveis e contínuas há muito), mudou um pouco, e não mudou deliberadamente. Mudou sobretudo, e o leitor também identificou esse aspecto, porque a blogosfera mudou. Gerir um blogue é quase como gerir um negócio. Temos de nos adaptar, senão a coisa morre sem glória, cedendo ao cansaço e ao desânimo (paradoxalmente, Janeiro de 2018 foi o mês em que mais publiquei desde Janeiro de 2012). Fez todo o sentido escrever sobre os reis de Portugal há uns anos, ou enquadrar o suicídio no ordenamento jurídico português; hoje, não o faria. As pessoas não se interessam, não lêem - não há público de blogues para isso, não na blogosfera em que me insiro. Também escrevia sobre pormenores da minha vida privada; actualmente, seria quase como dar o ouro ao bandido, quando os anos passam e ganhamos anticorpos, ou seja, pessoas que se divertiriam tendo conhecimento de cada desaire nosso. Há particularidades que ficam melhor guardadas connosco, e também aprendi isso - aliás, havia-o aprendido há muito, que há anos que deixei de escrever sobre o meu lado mais pessoal. Passei a dedicar-me a crónicas e, pontualmente, a um artigo histórico (inovei no ano passado, ao introduzir, com frequência, críticas cinematográficas). E as crónicas, essas, diminuíram drasticamente; ainda só abordei temas políticos uma vez.
Continuo a escrever sobre História, adaptando-a aos meus roteiros. É um outro modo de fazer o mesmo. Se tiver interesse, torno a escrever sobre Direito, mas não exaustivamente numa publicação. Quem escreve um blogue, e ainda que o negue, não escreve apenas para si. Dar sem receber cansa e é injusto. Importante, sim, é que as pessoas continuem sempre a rever-me em cada linha que publico, escreva lá eu sobre o que escrever, que tudo o que faço, faço por gosto. Jamais tornaria o blogue numa plataforma alheia à minha personalidade e à minha postura pública e pessoal apenas pelo reconhecimento. Posso, dentro daquilo que sou, adaptar-me às circunstâncias, e é isso que venho fazendo.