12 de abril de 2026

Os ficheiros do caso Carlos Castro.


    Aquando da morte do Carlos Castro, eu deixei a minha primeira reacção no dia seguinte, aqui. Foi algo simples, mas muito sentido. No fundo, foi o que me ocorreu naquele momento. Os anos passaram, e já se passaram quinze anos (parece que foi ontem), e o caso ficou arrumado. É daquelas situações horrorosas que nunca esquecemos completamente. Há dias, o jornal Observador decidiu fazer um podcast sobre o assassinato do cronista, revelando dados inéditos. Eu tive tanta curiosidade em ouvir os seis episódios que os devorei de uma assentada. Recuperei a assinatura digital do jornal só para ter acesso ao conteúdo.

   Agora, como há quinze anos, a minha opinião é a mesma, quer dizer. Nada justifica aquela barbaridade. Estou convencido de que o tipo não era gay, o Renato, e de que se aproximou do Carlos para conseguir algo no mundo da moda, uma vez que ia a castings atrás de castings e não conseguia nada. O Carlos apaixonou-se, obviamente. Um miúdo de 21 anos, atlético. Pensou que seria bom enquanto durasse: ver-se na companhia daquele miúdo aqui e ali fazia-o sentir-se bem. No entanto, naquela tarde fatídica, alguma coisa aconteceu, que nunca foi esclarecida. Dos implicados, um morreu e o outro não quer falar. Na minha opinião, que vale o que vale, houve uma mistura de frustração, com nojo e com algum desequilíbrio mental associado. O pior de tudo é ver que há quem esteja do lado daquele assassino. É o que vou lendo pelas redes: que, “coitadinho”, foi enganado pelo velho; chegam a dizer que nem deveria estar preso. As pessoas perderam realmente a noção do que dizem. Nada justifica um homicídio, e menos ainda naquelas circunstâncias e com aqueles requintes de perversidade. Está preso e bem preso, e que fique assim por muitos anos mais.

10 comentários:

  1. Muito pano para mangas, creio que houve uma filha de um Jornalista Português que estava de férias em Nova York no mesmo hotel, ter assistido a uma parte da discussão. Onde o rapaz estava a falar com 2 americanas quando o outro teve um acesso de raiva de ciumes, imagino o que terá acontecido para alguém se passar e fazer o que fez...
    Posso tentar entender, mas não consigo compreender
    Abraço amigo

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    1. Sim, no podcast dizem isso mesmo, que o tipo estaria a falar com duas americanas. Como referi no post, na minha opinião o tal do Renato não é mesmo gay, e aquilo o Carlos deve ter dito alguma coisa, ou ameaçou-o, e ele, numa mistura de ódio, frustração e doença mental, matou-o. Mas só os dois sabem o que aconteceu naquele quarto. Entretanto, a forma como o Carlos morreu é mórbida. Só podemos especular.

      Um abraço.

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  2. Olha! Na semana passada estava a ouvir um podcast do Observador e começou esse, logo em seguida. O Jornal divulga o seu podcast de crime e investigação fazendo upload dos novos episódios diretamente no espaço de outros podcasts. Fica difícil não ter conhecimento… Posto isto, não consegui parar de ouvir! Não reativarei a subscrição, contudo. Vou acompanhando.

    Quando se deu o crime eu estava no secundário, e certa vez ouvi um amigo dizer ao meu explicador de matemática - que se chamava Carlos

    “Carlos! Castro?”.

    Dias depois um colega brincava com a seguinte frase: “Renato se abra!”; “Carlos te castro!”

    Enfim, adolescência.

    Um abraço, Mark

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    1. Olá, Diogo.

      Foi um caso que, na altura, mexeu muito comigo. Depois daquele primeiro post de 2011, ainda escrevi outro, logo de seguida, onde fazia uma reflexão mais ponderada de tudo. E, apesar de o tempo se ir encarregando de nos fazer esquecer as coisas, este caso ficou aqui num cantinho do meu cérebro. É uma mistura de curiosidade mórbida com choque. E como se trata de um crime “gay”, embora um dos intervenientes muito provavelmente não o seja, ajuda a aguçar a intriga.

      Eu estava no primeiro semestre do primeiro ano de Direito. Lembro-me bem dessas piadas.

      Relativamente ao Observador, eu subscrevi o jornal online durante uns anos, juntamente com o Público. Depois percebi que era muito dinheiro gasto em assinaturas de jornais e deixei “cair” o Observador. Fiquei com o Público uns anos mais. Recentemente também cancelei a assinatura do Público. Estive uns meses no Expresso + SIC Notícias, mas também não me compensava, sobretudo porque a aplicação da SIC Notícias travava a todo o momento, e mesmo a do Expresso (jornal) é má e pouco intuitiva. Além disso, praticamente não via a SIC Notícias. Era dinheiro deitado à rua. Há dias, devido a este podcast, reactivei a assinatura no Observador, que por acaso ficou-me em 2 euros e algo no primeiro mês. Logo verei se me vale a pena ou não. Talvez valha, porque esta tem uma rádio, a Rádio Observador, que vou ouvindo no carro através da Apple Car. O meu problema com estas aplicações de jornais é que não as acompanho assim tanto que justifique pagar uma assinatura.

      Grande abraço!

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    2. Olá, Mark!

      Continuo a ouvir semanalmente. Fico com a sensação de que o Carlos não tinha muitos amigos :( Eventualmente, a Lili Caneças parece tê-lo chamado à razão, ou pelo menos é o que diz. Uma antiga editora mencionava o seu profissionalismo.

      Eu mantenho a assinatura do Expresso, mas que, em 2025, depois de muitos e muitos anos a custar cerca de 50€, custa agora perto de 90€. Não leio o suficiente, mas também não quero abdicar. Hábitos. O Público também tenho, mas gratuito, através da Universidade. O Observador faz bom jornalismo, mas a opinião… é um género. Gostava muito de um cronista/crítico de literatura, entretanto falecido, que se chamava Paulo Tunhas, e da Joana Emídio Marques.

      Abraço, do Diogo.

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    3. Olá, Diogo, uma vez mais.

      Eu ouvi-os todos de uma assentada. Ficaram logo disponíveis. Assinei o Observador para isso mesmo. Sabes o que mais me choca nesse caso além do bárbaro assassinato em si? O sentimento de compaixão que um assassino como Renato Seabra suscita nas pessoas. Isso tem uma dupla leitura, a meu ver: primeiro, o Carlos Castros era alguém que não caía nas boas graças do público, e acho que o mesmo se deve ao facto de, durante muitos anos, ele ter sido ostensivamente feminino, e era gozado e ridicularizado por isso; segundo, e vem ao encontro do primeiro, há um certo sentimento de repulsa numa relação entre dois homens, e para piorar entre dois homens de idades tão díspares, fosse qual fosse a natureza dessa relação. E o facto de o Carlos ser bastante feminino torna-o um monstro aos olhos dessas pessoas; um “predador” que seduziu um pobre rapaz que nem sequer era homossexual. Em suma, é homofobia. É ódio àquilo que o Carlos Castro representava, à sua feminilidade e à sua homossexualidade aberta. E atenção que não era uma pessoa de que gostasse. Nem gostava, nem desgostava. Apenas me limito a analisar o que vejo.

      Quanto às assinaturas, tive o Público muitos anos. Deixei-o porque não me identificava com aquela linha tão à esquerda. De momento estou com o Observador, até ver. Tenho muitas despesas on-line com o iPhone, Netflix, etc. Não quero juntar muito mais.

      Um abraço.

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    4. Olá, novamente, Mark.

      Sim, concordo com os teus argumentos. O feminino é sempre combustível para muito ódio. Efetivamente. O Carlos foi sempre muito corajoso na sua abordagem à vida.

      As pessoas não olham para o Renato como um homem feito, que estaria consciente da natureza da relação que mantinha com o Carlos Castro. Ambos se aproveitaram um do outro.

      Fico com pena que o Carlos não tenha procurado uma vida diferente, mas isto é um juízo meu. As pessoas à sua volta não o respeitavam propriamente. Com 60 anos espero estar casado e descansado.

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    5. Olá, Diogo.

      Correcto. Esquecem-se de que esse Renato tinha 20/21 anos. Sabia perfeitamente distinguir o bem do mal. Vêem-no como uma pobre vítima. Ocorresse o que ocorresse, metia-se num avião e voltava. Não o fez. Matou barbaramente um homem muito mais velho, e com requintes de perversidade e malvadez. Não tem desculpa possível. E acho realmente que a imagem pública de Carlos Castro, sobretudo a sua feminilidade, ajudam a criar esta percepção de “crime menor”.

      Um abraço.

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  3. Sim, nada justifica tirar a vida ao outro (neste caso). O miúdo também estava iludido com a cena de uma vida fácil e depois... Também não tinha maturidade para gerir esta situação.

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    1. O “miúdo” é um assassino bárbaro. Não queria, não ia. Não fazia. Não dava conversa. Matou um homem de uma forma vil e cruel, sem desculpa nenhuma. Mas estes 25 anos, pelo menos, na pildra vão-lhe fazer bem.

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