5 de junho de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 21].


   Neste sábado, como vos havia dito, ultrapassei a barreira administrativa da cidade de Lisboa. Não o fiz sozinho, contudo. Um amigo, de Coimbra, acompanhou-me. 
   Temi que chovesse, pela nebulosidade, o que não se verificou. A neblina, que me acompanhara em Dezembro, aquando da minha visita à Pena, é que, afinal, se fez sentir. Já terão uma ideia de por onde andei, não é? Sim, estive na deslumbrante vila de Sintra, com a sua serra característica, inserida naquele microclima que lhe confere uma misticidade única. Mais concretamente na Quinta da Regaleira, uma estreia para mim.



   O meu amigo tem carro próprio. Apanhou-me no Oriente, e seguimos de imediato. Pusemo-nos lá em menos de nada. A região de Lisboa tem óptimas acessibilidades rodoviárias entre a periferia. Como imaginam, estacionar na zona histórica da vila exige alguma paciência e algum engenho.



   A Quinta da Regaleira, também conhecida pela sua outra designação, Palácio do Monteiro dos Milhões, andou de mão em mão até ser adquirida pelo proprietário que lhe mandou imprimir as feições actuais que conhecemos, António Augusto de Carvalho Monteiro, incumbindo, para o efeito, o arquitecto Luigi Manini. Estávamos no dealbar do século passado.
   Envolta em bosques, numa aura de mistério, a entrada não é gratuita, mas o preço é mais do que razoável tendo em conta tudo aquilo que nos é permitido ver, e muito é. A par dos frondosos jardins e do palacete, há fontes, quedas d'água, labirintos e túneis, trilhos sinuosos, poços e grutas.



   Beneficiando da ampla publicidade que Sintra goza, a Regaleira é alvo da curiosidade de muitos turistas. Aventurarmo-nos nos seus túneis e caminhos implica estarmos rodeados de senhores e senhoras de meia-idade, estrangeiros, que se passeiam e procuram registar, em fotografia, os melhores momentos no palácio.

   Os poços são incríveis. Húmidos e lúgubres, com goteiras, bem assim como os labirintos, que nos levam até ao lago, às quedas d'água, que já referi, e a outros recônditos enigmáticos.


   O Poço da Iniciação é uma das principais atracções da Quinta. Diz-se que, por lá, a Maçonaria organizava reuniões e rituais secretos.


   Saltitar de pedrinha em pedrinha, no lago, também é bastante engraçado. Não temam, porque as pedras não são escorregadias. A profundidade não vai além dos 80 cm.


   O palacete deve ser visitado. É evidente que a vegetação nos arrebata e nos consome a maior parte do tempo que despendemos na visita. Não deixem de passar também pela capela, de estilo revivalista manuelino e renascentista. Um encanto.







Muito mais haveria para vos mostrar, mas o dia não acabou em Sintra. Poderão ainda, como sabem, acompanhar todas as fotos que irei publicando através do Instagram e do Facebook. De tudo o que já pude visitar na vila, a Regaleira é, de longe, o que melhor guardarei na memória. É um local magnífico, apaixonante. Excede, em meu entender, o Palácio da Pena.

    O meu amigo é de rotinas fixas e de horários que se cumprem. Propôs-me irmos almoçar a Carcavelos, a um restaurante que frequenta assiduamente quando anda por estas bandas. Aceitei, claro. Tive de me antecipar e fazer a reserva, enquanto ele arranjava lugar para estacionar. Segundo me disse, os grelhados são a grande especialidade. A julgar pela espetada de porco preto que comemos, deliciosa, seguida de um doce da casa soberbo, compreende-se a fama. Satisfeitos, passeámos pela localidade do concelho de Cascais, junto à praia.


   Acabámos a conversar no Parque das Nações, pelas 19h, animados e de espírito cheio. O dia havia sido longo e proveitoso. Só pensava em regressar a casa para acompanhar o jogo de preparação de Portugal frente à Bélgica.

   Para o sábado que se adivinha, e antes, então, do interregno por conta do Mundial de 2018, que pretendo acompanhar, tenho em mente o que farei. Será, tal como a Regaleira, uma novidade. Devo dizer que se trata de um local que há muito quero conhecer. Curiosos? Falta pouco para que tudo saibam.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

8 comentários:

  1. Da próxima passa em Monserrate. Lindo. E dá um salto às Azenhas do Mar.

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    1. Sim, estivemos para ir a Montserrate. Aliás, é visível desde a Quinta. Fica para uma próxima. :)

      Obrigado pelas sugestões.

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  2. Belo passeio de fim de semana

    abraço amigo

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  3. Uma das primeiras vezes que me apaixonei por alguém, não foi muito longe do Palácio da Regaleira, assim, o edifício está-me "na massa do sangue", e, passados tantos anos, ainda mexe comigo.

    Creio que a Torre Iniciática é anterior à construção do Palácio por Carvalho Monteiro. Este senhor, quando foi para o Brasil, já tinha fortuna própria, mas o Novo Mundo multiplicou-lha.
    É conhecida a quantidade de obras que referem a ligação desta edificação à Maçonaria e a uma gramática decorativa relacionada com a seita albigense dos Cátaros.
    Por vezes fico a pensar se o que se escreve hoje em dia é uma pura invenção/criação, ou se na realidade está relacionado com alguma base real ou não.
    Mas, quem escreve, jura a "pés juntos", e sobre os Evangelhos, que tudo é como referem. Eu confesso que fico sempre na dúvida, pois a criatividade humana ultrapassa em muito a verdade, transformando-se numa grande invenção.
    A construção, sendo um grande "pastiche", não é destituída de valor arquitetónico, mas ...
    O passeio foi bonito, efetivamente.
    Uma boa semana
    Manel

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    1. Olá, Manel.

      Sim. De certa forma, creio que se criaram mitos em torno do palácio. O da Maçonaria talvez seja um deles. É preciso incorporar aquela aura de mistério, e dar-lhe história. Tal qual o conhecemos, é um imóvel relativamente recente. Como é apaixonante, pelas paisagens, pela serra, pelos traços arquitectónicos, contam-nos… contos. :)

      Muito obrigado pelas suas palavras. Permita-me um desabafo: estou sempre à espera delas.

      Uma boa semana!

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  4. É com prazer que comento este seu blog, como sabe, pois já lho referi.
    Comento outros, igualmente com prazer, pois não o saberia fazer doutra forma.

    Quando o tema é apaixonante, como é o caso de algumas edificações/museus/peças de arte ou outros tópicos do meu interesse que inclui nestes seus textos, e quando conheço bem as obras, então tenho muito prazer em partilhar consigo o pouco que sei (ou muito, depende dos meus conhecimentos sobre determinado assunto), e, algumas vezes, confesso que fico com pena por não conseguir ter o seu feedback instantâneo, em direto.
    Gosto de poder debater conceitos, teorias, ideias bem fundamentadas, que é o mundo que afinal me interessa.
    Sou curioso sobre a forma como as novas gerações percecionam o mundo atual, e, ainda mais, o futuro, do qual sinto que me encontro algo desligado ou mesmo divorciado - erro meu, sei!
    É através da análise do passado, coadjuvado com o presente, que, algumas vezes, se pode extrapolar para o futuro. Falta-me esta habilidade/capacidade.

    Tenho prazer em gente culta, sem ideias feitas, nem catalogadas, e, sobretudo, que sabe pensar pela sua própria cabeça, como creio ser o seu caso.
    Mas estou certo que tem mais que fazer do que estar a aturar gente de outras eras - e não estou a minimizar-me, nem a atirar comigo para guetos de velhos, não faz o meu género, de todo; sei o meu lugar, e sei que cada geração deve habitar espaços contextualizados, senão acabamos em atropelos ou em monólogos.
    Ou, pior ainda, no ridículo de parecer "jovens" fora de época.
    Anna Magnani ficava irritadíssima quando lhe queriam retocar as rugas, referia que elas lhe tinham custado muito sangue, suor e lágrimas!!!

    Não obstante, agradeço-lhe as suas palavras, que me dão algum alívio, pois, temo que, algumas vezes, pareça demasiado pedante e com ideias que parecem fixas - julgo que tal não me faz justiça, e há poucas coisas piores, pois, por norma, e, quando inseguro, tento estar sempre aberto a outras formas de ver, novas formas de pensar, que conduzam a outras interpretações.
    Daí o gosto pelo debate.

    Um bom final de semana, que já se aproxima, e que o vai conduzir a novas aventuras :) Oxalá! Estou curioso!
    Não necessita de publicar este "relambório" todo, nada tem a ver com o seu post

    Manel

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    1. Eu agradeço-lhe que partilhe os seus conhecimentos comigo. Sendo mais novo do que o Manel, seguramente que ainda terei muito a aprender, e gosto de o fazer com quem sabe. Desde já, obrigado por me ter como culto. Não serei falso modesto: creio que o sou, sobretudo se tomarmos como objecto de análise a generalidade das pessoas da minha faixa etária.

      Oh, não diga isso. Não o "aturo". Gosto muito de o ler. Já lho disse. O Manel, pelo que viveu, traz-me sempre perspectivas de alguém experiente, que viajou mais do que eu, que leu mais do que eu, que conhece, em suma, mais do que eu. Como costumo dizer, "serei verdadeiramente interessante aos 60 anos", se lá chegar. Não quero com isto dizer que o Manel andará pelos 60. Longe de mim. Foi um exemplo!

      Não se preocupe com falsas percepções da minha parte. Já fui tido por pedante e acusado de pedantismo em diversas ocasiões. Creio até ser natural em pessoas que se distinguem. Quando nos destacamos por algum motivo, tornamo-nos alvos fáceis de comentários maldosos. Presumo que tenha sido o seu caso. Foi o meu caso.

      O debate frente a frente é sempre mais interessante. Se, um dia, o Manel andar por Lisboa e quiser conversar pessoalmente comigo, sabe como o fazer.

      Um bom fim de semana, e obrigado.

      p.s.: Sim, novas aventuras! Irei a um local que não conheço, que nunca visitei. Bem, a maioria deles tem sido uma novidade, exceptuando uns poucos museus e monumentos.

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