15 de janeiro de 2018

Cultural Sunday [Take 2].


   O prometido é devido. Ontem, mantendo-me fiel ao que delimitei para este início de ano, fui ao encontro de mais um dos inúmeros monumentos que Lisboa tem para nos oferecer, o Palácio Nacional da Ajuda. Quanto ao percurso, nada há a enganar: o 28 até Belém, seguindo-se o 29, para quem não quer subir a calçada da Ajuda, até ao palácio. Quando chegamos ao alto da calçada, deparamo-nos com as traseiras do palácio, que como se sabe, está inacabado. Contornamo-lo pela direita e rapidamente chegamos à entrada principal, imponente. Poderão verificar.


Sumptuoso, é o adjectivo possível

   O Palácio Nacional da Ajuda é uma obra novecentista. Importa fazer certa contextualização histórica, mui sucinta. Nos terrenos em que se situa o palácio, erguia-se a Real Barraca da Ajuda, surgida com a fobia de Dom José a recintos fechados, na sequência do sismo. A Real Barraca ardeu em 1794, e Dom João VI, príncipe regente, ordenou que se lançasse a primeira pedra do futuro paço da Ajuda, construído ao longo de várias dezenas de anos - até à actualidade. A consolidação do liberalismo retirou peso político à coroa e transferiu-a para o governo constitucional, daí que o palácio mantenha fachadas por concluir até aos nossos dias. Por lá ocorreram alguns dos episódios mais significativos da nossa história, desde a comunicação aos portugueses dos motivos que levavam a corte para o Brasil, passando pela aclamação de Dom Miguel e pelo juramento de Dom Pedro IV à Carta Constitucional de 1826. Todavia, o casal régio Dom Luís e Dona Maria Pia, que o tomaram por residência, deram, ao palácio, a configuração, inclusive no seu rico recheio, que lhe conhecemos. Na Ajuda, nasceram os infantes Dom Afonso e o futuro Dom Carlos, penúltima cabeça a reinar em Portugal, de desditoso destino. Ainda hoje, para cerimónias solenes, o palácio é utilizado pela Presidência da República. Deixo-vos algumas fotos das setenta - sim, contabilizei-as - que tirei.




Na primeira foto, um óleo do século XIX, contemporâneo dos retratados. Surgem Dona Maria Pia de Saboia, os infantes Dom Carlos e Dom Afonso e Dom Luís. Na segunda, umas das salas mais bonitas do Palácio Nacional da Ajuda: a Sala Rosa.



Na primeira foto, a sala de jantar, onde a família real se deleitava com cozinhados que tão mal faziam à saúde, muito à base de carnes de porco e fumados. Assuntos políticos e coscuvilhices ficavam de fora. Na segunda, o grande salão de banquetes, ainda hoje usado pela Presidência da República em alguns eventos.


   Quem me segue através de outras plataformas, vai tendo acesso ao acervo. Não quero saturar a publicação com fotos, e o Blogger não tem um mecanismo muito fácil, do ponto de vista do utilizador, para publicar várias num único post com um efeito final agradável à vista. Ando a pensar em criar uma conta de Tumblr para o blogue, que na verdade já existe. Aí colocaria as fotos. Bom, ficam com uma ideia geral.
   O palácio é encantador. Tem a sala do trono, várias antecâmaras, os aposentos reais. Um mimo! No final da visita, pelo menos passou-se comigo, ficamos com a sensação de tudo visto. Subimos e descemos escadarias até perder a conta. Claro está que há divisões fechadas ao público, mas compensa, sim. Não poderei dizer o mesmo de Queluz e da Pena, maravilhosos, seguramente, e valem muito a pena, mas parece que nos reservam umas salinhas para dar a ligeira impressão de que ficamos a conhecer os palácios.


  Uma palavrinha para sábado. Estive na gala de entrega dos Prémios Arco-Íris, da ILGA Portugal. Tive de sair mais cedo, mas gostei do que vi, da organização, do espaço, que conhecia, e da atmosfera. A vibe era boa. Aqui fica o testemunho em imagem. :)



   E assim termina mais um relato de domingo. O palácio consumiu-me a manhã toda. Não vi mais nada. Passeei à beira-rio. Também convém, para ir tendo sempre o que ver. E por falar em ver, já sei o que farei no próximo domingo, e onde irei, mas vocês saberão no devido momento. :)


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.






6 comentários:

  1. Tudo isto é de um esplendor e de uma riqueza cultural ímpar. Também aprecio muito estas programações e estou sempre a fazê-las por aqui.

    Beijão e obrigado por compartilhar estes aspectos notáveis da história.

    Beijão

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    1. Ainda bem que gosta, meu amigo.

      Um abraço, amigo. :)

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  2. A Maria Pia se deve em grande parte o gosto decorativo presente neste palácio.
    Apesar de pensar que este palácio é adequado, confesso que nutro uma certa má vontade por esta rainha esbanjadora, sobretudo do dinheiro dos outros (nas obras pias a que se dedicou, e não foram poucas, é verdade, usou igualmente o dinheiro que não era dela ... percebo o que está na base, e em certa medida pode ser considerado meritório, mas poderia ter feito mais e gasto menos).
    E, quando admoestada sobre o endividamento a que se entregava, respondia: "Quem quer rainhas paga-as!", ora aí está, nem mais!
    Em abono da verdade, também devo acrescentar que não teria qualquer vontade em ter o final de vida que teve, pois, por muito que não gostasse dela, não lhe desejaria igualmente tamanha desgraça.
    Não admira que a monarquia estivesse por um fio e acabou mesmo por cair, que o povo de um país aguenta muito, mas não é tolo de todo.
    Agrada-me o facto de não estarmos sujeitos a este tipo de mulherzinhas que, não sendo escolhidas por uma população, adoravam gastar-lhes o dinheiro impunemente, e faziam-no como se isso fosse um direito, sem necessidade de deveres.
    Claro que estamos sujeitos a outras vicissitudes, como ter uma "Múmia Paralítica" em Belém, mas graças a este sistema político que nos governa, em boa hora se foi, apesar de tarde (nunca dois mandatos me pareceram tão grandes!!!!).
    Igualmente nos poderia acontecer pior, claro, como ter uma Carlota Joaquina, despudorada, cheia de ganância e mal formada, ou políticos totalitários que, aparecendo a coberto de uma pele de ovelha, com pezinhos de lã, com ares de competência ... ficam para a vida!!!!
    Outros governam-se durante o mandato de 1º ministro, e ainda há pouco tempo aí tivemos um "belíssimo" exemplar, não obstante ele andar aí pelos jornais a berrar que é uma injustiça, como se "Calimero" fosse!

    Regressando ao Palácio da Ajuda, o "elevador da rainha", que foi mandado instalar em finais do século XIX (1888), é uma graça. Daqueles com "jaula" de ferro trabalhado, cheio de dourados e passamanarias, espelhos e vitrais, assentos revestidos a veludo vermelho "capitonné", e que anda a passo de caracol, para que se tenha a oportunidade de ver tuuuudo muiiiiito bem (seguramente o sistema de impulsão já foi alterado, pois o original era hidráulico).

    É uma arte conseguir redigir um comentário com meia dúzia de palavras, mas não consigo ... sou um caso perdido.
    Uma boa semana
    Manel

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    1. Conhecia essa frase atribuída a Dona Maria Pia. Ao que consta, era uma senhora vaidosa, sim, mas mui amiga de ajudar os carenciados. E, para ser sincero, tem razão - a admitir que a frase não é apócrifa. Querer a monarquia implica dar-lhe dignidade. Uma rainha não deve andar "rota".

      Teve um final triste. Louca, exilada, longe da família, e ainda hoje não descansa em paz. Os restos mortais estão em Itália contra a sua vontade.

      Eu não concordo com o que pensa sobre Carlota Joaquina. Era uma mulher determinada, de carácter, e os liberais, que foram os vencedores e escreveram a história, como sempre sucede, trataram de a demonizar. Chegaram a atribuir-lhe uma relação incestuosa com o filho. Quis reinar por direito próprio. Se ainda hoje uma mulher de coragem é vista com desdém, imagine naquele tempo. Escrevi sobre Carlota em 2012. Se quiser ler, aqui tem: http://asaventurasdemark.blogspot.pt/search?q=carlota+joaquina

      Oh, gosto dos seus comentários. Trazem algo de útil. São uma mais-valia, como lhe disse. :)

      Um bom final de semana,
      Abraço.

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