12 de novembro de 2010

Como conquistar um hetero em dez passos...



Ao navegar pelo Youtube, dei por este vídeo engraçado que nos mostra como conquistar um hetero em dez simples passos. Existe aquele mito de que hetero que é hetero jamais se relacionará com um gay. Muito bem. Seria tudo fantástico se não existisse a famosa Escala de Kinsey. Para quem não conhece, esta escala permite-nos analisar o nosso grau quanto à orientação sexual. Kinsey, através dos seus estudos, provou que uma pequena minoria da população mundial é exclusivamente heterossexual. Concluindo: tudo é possível.
Por isso, se é essa a vossa situação, o vídeo deixa-nos importantes e valiosas dicas. ;)

E o rapazinho cai que nem um patinho. Ahahahahah. :)







... que também poderão, eventualmente, servir para mim. É que ainda não sei qual a sua orientação sexual...

11 de novembro de 2010

Doce Sabor

O dia começou com aulas no auditório. Eu gosto das aulas em auditório. Gosto da sensação de estar a ouvir uma pessoa mais velha e experiente a falar. Gosto, sobretudo, de aprender mais. Aprender com quem tem algo para ensinar. Aprender as matérias, mas também aprender o que é a vida real. Na faculdade, pelo menos em algumas cadeiras, aprendemos que existe uma vida que se sobrepõe e completa os programas leccionados. Aprendemos o dever de responsabilidade, ouvimos os conselhos de quem deseja que sejamos a esperança única de um país desiludido com o seu futuro. Aprendemos, por fim, que lá fora existe injustiça que é necessário combater. Lá aprendemos a teoria, a vida encarregar-se-á de nos ensinar a prática.
Estava tão concentrado no discurso do professor que não senti o R. a sentar-se ao meu lado. Apenas senti o som da cadeira móvel a baixar e de alguém que tinha acabado de chegar. Dei pela sua presença e trocámos o habitual «olá». Hoje estava sério, calado. Sentou-se confortavelmente e ficou a escutar o professor com atenção. Que estranho, pensei. Parece-me mais magro do que quando o conheci. As mangas da camisola arregaçadas para cima revelavam os seus braços morenos e vigorosos. Estava totalmente relaxado com os braços sobre a superfície de madeira enquanto eu tirava apontamentos atentamente. Ao parar, também eu me encostei para trás. Passados uns minutos, sinto o seu braço a atravessar as minhas costas, de forma a que ficou com o braço esquerdo sobre a superfície de madeira da fila imediatamente atrás da nossa. Ou seja, envolveu-me por completo. Creio que me estou a fazer entender. Parecia que queria colocar o braço sobre os meus ombros. Intimidou-me. Senti o cheiro do seu after-shave e do detergente suave da sua roupa. O seu braço é tão masculino, com algumas veias salientes e alguns pelitos castanhos claros. Eu olhava assustado para a sua cara mas ele não desviava o olhar do professor. O meu coração batia profundamente sob o efeito daqueles aromas exalados por ele. Desejei que me tocasse. As suas pernas abriam-se cada vez mais. Travei o meu ímpeto selvagem de o tocar com a mão. Olhei para e vi uma proeminência anormal. Um alto vigoroso surgia querendo sair por entre as suas calças. Uma colega sentou-se do meu lado esquerdo.
Comecei a falar com ela e simultaneamente com ele. Apercebi-me de que a vida é feita destes pequenos momentos. Mark, parvo, ele está com o braço a envolver-te sem te tocar, está ao teu lado, está a falar contigo, aproveita! Fala, brinca, ri-te, manda-lhe olhares, saboreia o momento! Para o ano ele pode já não estar e podes nunca mais o ver.
Foi o que fiz.
Levei o resto da aula a fazer tudo o que descrevi acima. Aproveitei e é tudo tão inocente. São só pequenos gestos mas eu consigo interpretar o que ele quer. Digamos que os namorados beijam-se, amam-se publicamente; ele, como não pode fazer isso, tenta demonstrar carinho por mim da forma como pode. Da forma como é aceite. É um pouco triste, eu sei, mas a vida é assim.
Ainda fomos todos (eu, ele e uma colega) à papelaria da faculdade, ao bar e até ao jardim. Vou aproveitando cada dia. Cada um é único e irrepetível. Quem conhece o amanhã? A nossa química é muda, contudo, compreensível.
Respeito-o e ele respeita-me. Gosto da sua companhia e creio que ele gosta da minha.
Retiro das suas acções todo o doce sabor de cada olhar, toque ou palavra.

9 de novembro de 2010

Ousadia


Hoje foi um dos dias em que decidi alterar um pouco o ritmo que a situação estava a levar. Este vai-que-não-vai deixou-me verdadeiramente em alerta, e se é verdade que não estou atrás de nada, não é menos verdade que quero saber o que se passa. Nesse sentido, a noite passada, enquanto estive a estudar, pensei numa forma de descobrir mais alguma coisa, ter mais alguma certeza. Conjecturei o seguinte plano: ir para a faculdade um pouco mais ousado (ainda mais...) de forma a retirar algumas conclusões...
Hoje, depois da minha rotina diária, decidi vestir algo mais provocante. Vesti uns jeans bem justos, uns novos que ainda nem tinha estreado. Ficam bem apertados ao rabito, dando um contorno delineado às nádegas. Digamos que fica proeminente... Por baixo, vesti um slip preto, curtinho, daqueles que deixam tudo por descobrir, mas atenção, não era fio dental! Para cima, estreei uma camisa justíssima e concluí com um casaco novo em tons cinzento claro. Dei um toque mais irreverente no cabelo, de forma a deixá-lo mais volumoso. Usei o corpo como arma, verdade seja dita. Teve mesmo de ser.
E lá fui, lindo e belo para a faculdade, qual pimpolho do dia. Quando cheguei ao auditório, o R. já estava sentado numa fila com um amigo. Já tinha constatado que ele fica irrequieto quando me vê. Notei que retirou o casaco do banco do lado, pensando que eu me iria sentar perto de si. Mas não o fiz. Sentei-me na fila imediatamente à frente, propositadamente para o provocar. Estava a falar com o rapaz do lado sobre futebol... Coloquei a minha mala no banco e despi o casaco.
Despi o casaco sem retirar os olhos dele. Não o fitava directamente, mas sim através do canto do olho. O casaco deslizou suavemente pelas minhas costas, revelando o meu rabito proeminente e ousado que se escondia sob as calças não menos provocantes de justas. Parte do slip surgia do nada, apertado contra a pele. Sim!, ele olhou para o meu rabito! Eu vi. Tive a prova necessária. Olhou discretamente, mas olhou. Mais: estava com as mãos sobre a mesa e, de momento, colocou uma mão em baixo... Terá ido dar um jeito a alguma coisa que se ergueu inesperadamente? Ahahahahahah. Fingi que puxava as calças para cima, mas a verdade é que puxava o slip para baixo, de forma a mostrar-lhe um pouco do rabito. Bom, isto passou-se tudo em um minuto, não obstante toda esta descrição pormenorizada. Ao sentar-me, disse-lhe «olá».
É claro que dei uma bandeira monumental. Nem quero imaginar no que o rapaz que estava ao lado dele está a pensar. O pior de mim, certamente. Valha-nos o auditório que ainda tinha poucas pessoas. :) Passou a aula toda com as habituais piadinhas. E eu, histérico, ria-me tanto que coloquei o professor a olhar para mim. Não consigo evitar: ele é um palhaço autêntico. Mas um palhaço másculo. É tão macho que nem sei o que pensar. É mesmo homem. Não tem um jeito, nem a falar, andar ou mesmo no simples acto de estar socialmente. É tão... straight...
Hoje (só se for mesmo cego) viu bem o que estava em jogo. É claro que ninguém tocou no assunto. Ele não disse uma palavra ou fez uma piada sobre o episódio das calças durante todo o dia de aulas. Nem falámos da tarde de domingo, quanto mais. Está a deixar-me confuso: se não se afasta, é porque está a gostar; porém, se não avança, é porque não quer. Deve ser masculino demais até para interiorizar que teve uma erecção comigo! Sim, aposto que teve.
Que ele não é indiferente, já eu sei. Da minha parte, está tudo feito.

8 de novembro de 2010

Tarde de Estudo


A nossa tarde de estudo correu bem. Combinámos uma hora e ele revelou uma pontualidade fantástica. No dia anterior, ontem, ainda lhe disse que iria ter ao seu encontro a um qualquer lugar que combinássemos. Ele rejeitou de imediato. Quis vir sozinho. É muito independente e, já constatei, não gosta de incomodar ninguém. Gosta, no fundo, de resolver tudo por si só. Restou-me dizer o endereço da minha casa e os transportes a apanhar. E, às quinze horas, estava à minha porta.
Convidei-o a entrar. Tentei ser o mais simples possível, o que da minha parte é difícil, convenhamos. Mal o vi, o meu coração bateu sofregamente no meu peito. Ele vestia uma t-shirt branca sob um casaco preto com capuz. Trazia a mochila da Eastpak (também tenho duas: uma preta e uma com padrões, mas já não ligo). Muito desportivo. Estava com uns jeans desbotados, como se usa e os ténis habituais, assim já meio usados mas que lhe dão um ar tão apetecível. Adoro aquele ar rebelde e descontraído. O seu cabelo é curto e está sempre despenteado. Mas é natural. E depois, ele tem um jeito: passa a mão no cabelo para ainda o colocar mais despenteado.
Recebeu-me com um «olá» simpático e com um aperto de mão. A sua mão quente e máscula apertou com força a minha mão mais delicada. Senti, mais uma vez, a sua masculinidade a tomar-me de assalto. Notei na forma dele olhar para a decoração da casa. Sentiu-se estranho, intimidado e sem jeito. Comecei a falar das aulas para o relaxar e perguntei-lhe se queria comer alguma coisa. Disse-me que talvez mais tarde e começou finalmente a sorrir, provavelmente quando lhe disse que estávamos sozinhos. Pensou, naturalmente, que estavam pessoas em casa e, conhecendo-me, teve receio de que fossem todos uns grandes queques que o achariam uma atracção. Soube interpretar esse receio legítimo e mesmo por isso não quis que o lanche/estudo fosse na casa da avó. Não pela avó, mas sim pelos acessórios (tios, primos, sobrinhos, etc). Ainda para mais num domingo!
Fomos estudar. Encaminhei-o até ao escritório da mãe. Os livros já estavam dispostos sobre a mesa. Convidei-o a sentar-se e disse-lhe:
-"R., relaxa. Estamos só nós. Fica à vontade. Fala, brinca, faz o que quiseres. Somos pessoas normais. Não te impressiones com a casa." (ri)
Não tardou e começámos a estudar, contrariamente ao que pensava. Mas estudávamos e falávamos ao mesmo tempo. As coisas fluiram naturalmente. Ficámos no lado de fora da secretária da mãe, onde estão dois cadeirões, um ao lado do outro. A um dado momento, ele aproximou a sua cadeira da minha, de forma a que ficámos juntos, debruçados sobre o livro. Sentia a sua respiração nas minhas mãos. A proximidade da sua boca colocou-me nervoso. Ele fingia uma naturalidade inexistente. Esteve perto, mas nada aconteceu. Ficámos naquele vai-que-não-vai e ainda bem. As horas passaram. Coloquei uma música suave para escutarmos. Até isso preparei. Fui buscar um álbum do Pedrinho, The Joshua Tree, dos U2, um género de música que não gosto, mas sei que é do seu agrado. Já o tinha ido buscar antes da sua chegada. O meu irmão do meio deixou cá em casa uma colecção considerável de músicas que não gosto, mas que dão sempre jeito.
Às dezassete fomos lanchar. A essa altura, ele já brincava comigo, já sorria, enfim, parecia que estava na faculdade. Sabem que mais? Gostou da decoração da mesa. Disse-lhe qualquer coisa do género:
-"Espero que gostes. Já me conheces minimamente. Faço tudo assim. Foi com carinho."
Tive a melhor das reacções. Ele brincou, lógico, principalmente com a cor dos guardanapos. Mas sei que gostou. Comeu duas fatias do bolo de chocolate, salgados e uma sandwich (não sei como se mantém magro). Perdi o protocolo. Sentei-me descontraidamente. Brincámos, rimos imenso. Foi tão divertido. Reparei em vários detalhes. Ele está sempre de pernas abertas. É mesmo homem. Ahahahah. A forma de segurar nos talheres, de mastigar, de beber o sumo... Reparei num outro detalhe: em toda a tarde, só mexeu no telemóvel uma vez. Num domingo? Provavelmente não tem namorada. E da única vez que mexeu, foi para atender uma chamada da... mãe. Fiquei ligeiramente contente.
Depois do lanche, levei-o a conhecer a casa. Subimos as escadas e  fomos ao meu quarto. Mostrei-lhe os meus cd's, os meus jogos da Playstation, os meus livros, os meus animais de pelúcia (sim, tenho muitos e bem fofos), etc. Se vissem a sua timidez ao entrar. É tão educado. Vê-lo a entrar no meu quarto foi algo indescritível. Sentámo-nos na cama e mostrei-lhe a minha colecção da Mariah. Logo à entrada, ele viu o meu quadro gigante com uma foto da Mariah que está por cima da cama e apanha grande parte da parede. Riu imenso. Fi-lo prometer que não gozaria comigo. :) Mostrei-lhe todos os cd's dela, os seus perfumes, os livros que fiz com todos os recortes de revistas e jornais que tenho e outros artigos. Disse-me que não era um género de música de que gostasse muito, mas disse que, por mim, ia tirar algumas músicas dela para ouvir. :)
O tempo passa depressa. No conto geral, estudámos mais do que eu pensei. Por volta das vinte horas (oito da noite), perguntei-lhe se queria jantar. A Ana deixa sempre algo preparado. Disse-me que estava muito bem e que era melhor ir andando devido aos transportes. Para além disso, amanhã é segunda.
Despedimo-nos à porta. Agradeceu-me a amabilidade. Foi uma despedida sentida. Custou-me um pouco. Vi-o a afastar-se com uma nostalgia estranha. Com as mãos nos bolsos e de mochila às costas, desapareceu no horizonte.
Fechei a porta. Abri talvez uma outra na minha vida.