Uma vez que as eleições presidenciais se aproximam rapidamente, creio que é necessária alguma reflexão sobre os candidatos e o futuro do país. Sempre me interessei imenso por política, não só devido ao contexto familiar em que estou inserido, mas também porque me provoca uma enorme avidez por mais informação. Afinal, é o cargo mais importante e de maior responsabilidade em Portugal (apesar da figura omnipresente do Primeiro- Ministro).
Bom, vamos aos candidatos.
Aníbal Cavaco Silva. Abomino. A mãe e toda a família materna veneram o homem, considerando-o eficaz e imprescindível para o país. Para mim, é uma pessoa demasiadamente conservadora, daquele conservadorismo saloio e despropositado. É daquelas pessoas para as quais "o amor" é feito de luz apagada e sempre na velha posição do missionário. Será imprudente julgá-lo por mais do que a sua mera actividade política, no entanto, tenho a sensação de que se o conhecesse não gostaria dele. Antipatizo fortemente com a sua cara. Para além de todos os motivos enunciados, defendo a renovação política nos cargos e, sobretudo, de rostos. Cavaco Silva foi Primeiro-Ministro de 1985 a 1995 e Presidente da República Portuguesa de 2006 até ao dia de hoje. Já chega.
Manuel Alegre. Era o meu candidato desde o início. Senhor de uma Esquerda liberal e democrática, parecia-me o homem indicado para o cargo. Contudo, ao reflectir melhor, o que é que um poeta percebe de política? E quando chegar a hora de tomar decisões? Será que vai rezar ao Luís de Camões e ao Fernando Pessoa? É melhor que se deixe ficar pelos manuscritos...
Fernando Nobre. Não sei o que esse senhor é ou pensa. É de Esquerda, é de Direita, é o quê? Em que campo se posiciona? Eu sei que a dicotomia "Esquerda - Direita" está ultrapassada, mas ainda é a que se utiliza. Quais são as suas opiniões e convicções nos assuntos cruciais e decisivos? A mim, surge-me como um grande ponto de interrogação. Quer, no fundo, agradar a todos; não vai agradar a nenhum, pois vai ganhar nada mais do que juízo.
Quanto ao candidato comunista, lamento mas não me pronuncio. Na minha modesta e franca opinião, o Partido Comunista Português devia ter passado por uma enorme reestruturação à semelhança dos partidos comunistas de outros países europeus: nuns, extinguiram-se; noutros, mudaram de nome. A União Soviética já acabou oficialmente há vinte anos e Cuba aguarda pela morte de Fidel para seguir o seu caminho. O tempo do PCP já era.
Ainda existem outros candidatos, mas são tão insignificantes em ideias e em percentagem eleitoral que nem merecem qualquer observação. É verdade, nem sei bem quem são.
Perguntarão: "Vais abster-te?" Não, não vou. O dever de todo o cidadão é votar nas eleições do seu país logo que possa. Só assim adquirimos legitimamente o direito de poder criticar. Quem não escolhe, deixa que escolham por si.
É evidente que irei votar. Irei contemplá-los com um lindo e maravilhoso voto nulo. Vou desenhar uma borboleta fantástica no boletim e perfumá-la com um toque de Hugo Boss. Está decidido... Hum, surgiu-me uma outra ideia: mando-os, a todos, para um sítio que eu cá sei. É de ponderar, é de ponderar...
Cambada de inúteis. Mais cinco anos de razia e infortúnio.



