21 de março de 2018

Final Portrait.


   Quando o Call Me By Your Name estreou, andaram por aí uns quantos malucos com o Armie Hammer, excepto eu. Ele é giro, sim, mas enfim. Preferi o Chalamet, como se sabe. Este Final Portrait, entretanto, vem na sequência, para mim, do outro filme. Descobri o Hammer, e tive curiosidade em revê-lo no grande ecrã.

   Final Portrait aborda a relação de amizade que se estabelece entre um velho artista plástico, que existiu efectivamente, Albert Giacometti, e um correspondente e jornalista norte-americano, James Lord, na Paris dos anos 60 do século passado. O filme desenrola-se inteiramente no estúdio de Giacometti, casado, todavia em regime liberal, mantendo relacionamentos extraconjugais, bem como a sua complacente e tolerante esposa, com prostitutas de baixo calão. Giacometti é o tradicional artista: meio louco, absolutamente inconformado e insatisfeito com o seu trabalho, desapegado do dinheiro e dos bens materiais. Fiquei com a ideia de que a finalização do quadro de Lord jamais se daria porque Giacometti precisava daquele amigo presente, que o visitava diariamente; que se preocupava, inclusive, com o seu estado de saúde.

  Tendi a não gostar do filme, a considerá-lo quase tortuoso. Os planos são estáticos, e demoram-se muito. Reflectindo mais, cheguei à conclusão de que é uma história com interesse, tão simples como pode ser a natureza humana. Entramos no quotidiano de um génio, com as suas manias e o seu trato difícil, que consegue, apesar disso, ser de um desprendimento surpreendente, de um carisma inigualável e de uma ingenuidade quase ternurenta.

  Hammer, que esteve meio canastrão em Call Me By Your Name, julgo que se terá redimido aqui. Quanto a Geoffrey Rush, foi impecável na caracterização, recriando, com esmero, Albert Giacometti e as suas sessões artísticas intermináveis.

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