20 de março de 2013

Quotidiano.


     Desde que o semestre começou, por meados de Fevereiro, voltei à velha rotina de sempre: acompanhar as aulas, fazer resumos das matérias e, sobretudo, dos livros de milhares de páginas que tenho de ler. Exemplificando, digamos que ando verdadeiramente metido entre crimes, dolo, negligência e outros conceitos que tais, que tantas dores de cabeça me dão. A par disso, há professores que adoram complicar, esquecendo-se de que não temos apenas uma disciplina por semestre, sendo que o dia continua a ter vinte e quatro horas. Pergunto-me, por vezes, como é que faziam... Anular-se-iam por completo, não se alimentando devidamente, não dormindo, não olhando o céu, não bebendo um sumo fresco numa esplanada? Coloco estas hipóteses de forma muito contundente, considerando que um assistente nos disse no início do 1º ano:

   " Congelem as vossas vidas por quatro anos. "

     Eu não consigo congelar a minha vida nem por um dia. Não sou um autómato programado para absorver tudo, cada palavra, cada linha de orientação e doutrina defendidas por esta ou por aquela alta individualidade, creditada por anos de experiência e pareceres técnico-jurídicos. Sou mais normal do que isso. Porém, a realidade é transparente como a água: se me atraso na matéria, forma-se uma espécie de avalanche que, tarde ou cedo, cairá sobre a minha cabeça. Nas frequências do semestre passado pude comprovar a teoria: olhava para o enunciado e não conseguia (em casos pontuais, claro, mal de mim!) decifrar de imediato o que se pretendia, ou seja, algo estava a correr mal. A sensação de insegurança é uma forte inimiga que, apoderando-se de mim, toma as rédeas, o controlo. Comprometi-me de que lutaria contra isso, tentando antever o que os professores poderiam esperar da nossa parte. Coloquei-me nos seus lugares e pensei acerca do que poderiam querer de um aluno, começando pelo elementar e subindo progressivamente. É o que tenho feito ultimamente.
   
     A par do que referi, em jeito de curiosidade, o R. é meu colega novamente devido à alteração da disciplina optativa que leva à mudança de turma, na maioria dos casos. Tenho evitado sentar-me ao seu lado, mas ontem não consegui evitar visto todos os lugares estarem preenchidos. Foi incómodo, no mínimo. Não que me diga seja o que for, conquanto é impossível passar um pano por tudo e tratá-lo como um mero desconhecido. Pelo menos eu não costumo anular as pessoas assim, a menos que me dêem motivos para tal.

       Anseio pelo final de Maio.

13 de março de 2013

Dunas


     Desde sempre gostei de músicas antigas, partilhando da ideia generalizada de que o que se produz na área musical, actualmente, deixa muito a desejar. Imbuído nesse espírito, procurei, ontem, pelo single Dunas dos GNR, grupo simpático e que, graças ao seu talento, já me provocou vários sorrisos no rosto. Deparei-me, então, com este videoclip de 1985, do mesmo single, que aqui em baixo reproduzo.

    À primeira vista parecia-me tratar-se de um casal heterossexual, quando - para minha estupefacção - apercebo-me de que é um casal homossexual, adolescente, algo que jamais poderia equacionar atendendo à época e a um Portugal arcaico prestes a aderir à CEE. Reportando-me de novo aos nossos tempos, creio que até hoje seria difícil encontrar uma banda disposta a enfrentar os preconceitos ainda sedimentados neste país.

    O vídeo é muito erotizado e, confesso, tive dificuldade em localizar o papel de Rui Reininho no enredo, insípido, claro, mas cuja inovação ofusca por completo a eventual parca qualidade. Se já gostava dos GNR, não dissimularei uma admiração que brotou do nada. Admiro-os por terem ousado desta forma e, talvez por isso mesmo, condenado o vídeo a um papel mais do que secundário - eu não o conhecia e tenho a certeza de que não será conhecido por aí além... A música, essa sim, é dos seus sucessos mais significativos, a qual aprecio imenso.





7 de março de 2013

Exposição 360º Ciência Descoberta


    Soube que a Fundação Gulbenkian inaugurou uma exposição sobre os Descobrimentos, nomeadamente ibéricos; na minha perspectiva, os mais interessantes, uma vez que portugueses e espanhóis foram os primeiros a ousar enfrentar os mares " nunca antes navegados ", lançando-se numa aventura sem igual, séculos antes do Homem partir em busca do espaço e da Lua.

   Os meus olhos brilharam porque, apaixonado que sou por História, não poderia deixar passar esta oportunidade. Além disso, o enquadramento interessa-me imenso. Aborda a ciência nos séculos XV e XVI, o contacto dos povos peninsulares com os habitantes do Novo Mundo, os progressos técnicos e científicos que proliferaram naqueles tempos, ao contrário da Idade Média em que, segundo a maioria da doutrina, onde me incluo, houve um retrocesso civilizacional enorme desde a queda do Império Romano do Ocidente (476 d. C.).



      Num período de contenção orçamental, eu entendo que o grande público corte um pouco - ou muito - na cultura, no entanto, é uma exposição que considero interessantíssima até como meros conhecimentos gerais. O preço dos bilhetes é acessível - bastante - e, segundo vi no site da Fundação, aos domingos é gratuito. Eu irei, certamente, enquanto as aulas mo permitirem...
       Não deixa de ser um cruzar do passado com o presente, afinal, a humanidade não seria a mesma se aqueles homens não tivessem sentido o apelo da curiosidade. Uniram os continentes e criaram a primeira vertente da globalização que agora tanto está na moda. Depois da visita guiada, podem também passear nos jardins da Gulbenkian, o que é sempre maravilhoso. :D

        Deixo-vos o link aqui para mais informações.

1 de março de 2013

Limites.


    Ignorei o amontoado de pessoas à porta da faculdade. Contudo, alertado por uma amiga e pela presença significativa da Comunicação Social, deduzimos que algo se passava. Fomos, então, informados de que receberíamos a visita do primeiro-ministro.

   Professores, dos críticos acérrimos até aos defensores incondicionais, passavam agitadamente pelos corredores, um dos quais não se coibia de dizer horrores do homem que agora o fazia movimentar-se com impaciência. Telefones que tocavam sem parar, alunas que choravam por não o terem visto entrar, pessoas que gritavam palavras de ordem, erguendo cartazes e entoando cânticos agressivos. Adivinhasse aquele cenário e teria me refugiado na biblioteca.

    
     Ensinaram-me algo sobre a liberdade. Disseram-me que ela termina exactamente onde começa a dos outros. Recorrendo a uma analogia grotesca: " a minha liberdade para esmurrar alguém termina no seu nariz ". Podemos, mais, devemos insurgir-nos contra o que nos parece injusto, inadequado. A lei enuncia o nosso direito à indignação, à livre expressão, à manifestação, pacífica e sem armas. Contudo, o decoro e o bom senso deveriam ter uma palavra a dizer. Quando não dispomos destes atributos, podemos sempre fazer um exercício simples: colocamo-nos no lugar da pessoa que pretendemos atingir e analisamos a justiça do método utilizado. No meu caso, tendo por sobrenome Coelho, não gostaria de ver um mamífero da espécie enforcado, de verdade ou simuladamente, com vista a criticar a minha actuação. Entenderia como algo pessoal e de muito mau gosto. Portanto, não o faria a outrem. Numa outra perspectiva, as sevícias a animais e a subsequente exposição pública dos mesmos revelam instintos bárbaros e primitivos que julgava ultrapassados, mormente em alunos do ensino superior. Ingenuidade.

     Não somos iguais e, claro está, isto seria o que eu faria no caso. Não posso esperar que todos agissem de igual modo. Partilho da preocupação com o estado do país, mas conheço o significado da palavra limite. Há limites e no dia em que não forem respeitados, pego numa mala e emigro para a selva. Para conviver com animais selvagens, opto pelas girafas (fofinhas), elefantes e, quiçá, leões, com os quais até simpatizo. Se, pelo contrário, continuamos racionais, façamos por o demonstrar. Seguramente, a coabitação por aqui será bem mais agradável.