7 de fevereiro de 2010

dodó - a ave que não tinha medo dos homens

O dodó é um animal que sempre me fascinou. Representa algo mítico; um animal misterioso que se extinguiu, ou melhor, extinguiram-no por volta do século XVII. Como todos os animais extintos, o dodó ficou para a eternidade como um dos símbolos dos ecologistas que lutam pelos direitos dos animais. Por algum motivo, o dodó é um dos símbolos máximos da causa ecológica.
O dodó era um animal que vivia pacificamente na ilha Maurícia, sem inimigos que o levassem à extinção, até à chegada dos primeiros colonos europeus (portugueses) à ilha, nos inícios do século XVI. Era um bichinho (digo-o carinhosamente) muito sociável, que não tinha medo dos humanos (erro fatal!!!). Deixava-se tocar, apanhar e andava de um jeito muito especial, daí o seu nome "dodó", que no português da época significaria algo como "doido" ou "doudo". O dodó era, por isso, uma presa fácil para os esfomeados colonos da época. Pesava uma média de 16 quilos, sendo muito nutritivo e apetecível... Foi caçado até à extinção. O último dodó morreu em meados do século XVII. De uma forma egoísta e totalmente antropocêntrica, o ser humano extinguiu um animal com a única justificação na sua alimentação, na sua subsistência. Com toda a certeza, a existência do dodó não teve como única finalidade a alimentação humana. O dodó, bem como todos os animais extintos pela acção humana, tinha o direito de viver. E nós, enquanto seres racionais e intelectualmente superiores, tínhamos a obrigação de o defender, proteger e preservar para as gerações futuras. Fizemos (e continuamos a fazer...) o oposto. Destruímos o habitat de vários animais, para além das caçadas intensivas e ilegais que fazemos. É caso para dizer: o Homem não aprende. Longe dos seres humanos, todos os animais estão a salvo. A Natureza deu-lhes condições para sobreviverem por si só.
O dodó morreu por gostar da nossa companhia.

5 de fevereiro de 2010

O Filho do Senhor Drº...

Às sextas não tenho aulas. Costumo ficar em casa a estudar, fazer trabalhos ou simplesmente a descansar. Hoje foi um bocado diferente. Levantei-me cedo (à mesma), porque precisava de acabar uma ficha de História (tenho teste na quarta ^^). De facto, só me faltavam quatro perguntas de nove, por isso não demorei muito tempo. A mãe hoje tirou um dia de descanso e combinámos ir dar uma volta. Acho que nunca o disse por aqui, mas os meus pais estão separados há quatro anos. Desde essa altura, a mãe voltou a casar com um homem horrível (em todos os sentidos), mas aquele casamento também já teve melhores dias...
Hoje, a mãe combinou sair comigo, com um senhor que, por acaso, é um empresário com o qual a empresa tem negócios e com os filhos dele. Depois de ter concluído a ficha, o senhor empresário veio buscar-nos a casa na sua carrinha de nove lugares. Não o conhecia. Bom, é um quarentão charmoso e supé educado. Mas, a melhor surpresa estava para vir. Um dos filhos tem cinco anos e é uma graça, um querido. E o outro... tem vinte anos e é, bom, incrível.
Sentei-me discretamente no carro e ele ficou ao meu lado. Cumprimentou-me com um aperto de mão e foi muito coloquial. Meti logo conversa, enquanto a mãe falava com o pai dele. Perguntei-lhe o nome... "Martim?, Ai, que nome fixe..." Soou um pouco indiscreto, mas não consegui evitar. Durante o caminho, começou a falar de f-u-t-e-b-o-l. Logo comigo, que não percebo nada (nem quero!) de semelhante coisa. É do Sporting.
Fomos a um restaurante fantástico em S. Pedro do Estoril. O srº Drº puxou a cadeirinha à mãe, e eu na esperança que o filho me fizesse o mesmo.. Lol Ficámos na frente um do outro. Ele tem perto de um 1,90 m. É altíssimo, mas encorpado. Soube, durante o almoço, que pratica desporto. Não fala muito, mas foi sempre simpático. Às vezes, olhava para ele a tentar descobrir uma pista, algo que me garantisse o que queria saber.
Soube, mais cedo do que pensava...
"Eu quis trazer a minha namorada, mas ela não pôde vir... ... "
Quase que engolia uma espinha do salmão. Fiquei assim com uma sensação de queda sem pára-quedas.
No fim do almoço, demos uma voltinha por aqueles lados. A mãe e o srº Drº na frente; eu, o Martim e o miúdo atrás. Eu a tentar meter conversa e o miúdo a interromper, o vento a despentear-me todo. Chegou uma altura em que fiquei para trás de todos. Parecia que estava a segurar a vela da mãe e do Drº e dos filhos do Drº...
No caminho para casa, no carro, trocámos os números de telemóvel, porque segundo o srº Drº, nós ainda vamos ser muito amigos. Convidou-nos, caso quiséssemos, para irmos à festa de aniversário do miúdo na semana que vem. Para além disso, o Martim está na faculdade e pode me dar explicações. Só me apeteceu dizer que não precisava! Quando chegámos, despedi-me do srº Drº, do miúdo e do filho-do-srº-Drº-futuro-srº-Drº.
A mãe, quando entrámos em casa, disse-me estar encantada com a educação do srº Drº e dos seus filhos. Disse-me para enviar uma mensagem ao Martim, de modo a estreitarmos amizade. Pior, disse que também vai à festa de aniversário e quer que eu vá.
Pelos vistos, para a semana, vou à casa do filho do srº Drº.

3 de fevereiro de 2010

Rosa Lobato de Faria

Não sei bem por que motivo, mas fiquei muito triste com a morte desta senhora. Lembro-me de a ver na televisão. Era tão culta e educada. Podia ser minha avó. Partiu com 77 anos. Fico com a sensação de vazio. Até sempre, Rosinha.

2 de fevereiro de 2010

D. Afonso VI - Amizade Homoerótica




Que D. Afonso VI foi um rei com características que o diferenciaram de todos os outros monarcas não é um facto novo. Em todas as épocas, vários historiadores se debateram e tentaram investigar ao pormenor detalhes que pudessem desvendar mais sobre a vida deste rei.
Sempre foi público que D. Afonso VI não teve capacidades governativas; uma febre hemiplégica (provavelmente meningite) deixou-o física e mentalmente incapaz. Tornou-se um jovem rebelde, arruaceiro e diminuído. Gostava de sair à noite pelas ruas de Lisboa com o seu grupo de amigos. Com eles, provocava desacatos e confusões que muitas vezes só eram solucionados graças ao seu estatuto.
No entanto, o facto de ter sido vítima de uma conspiração pelo seu irmão Pedro (futuro D. Pedro II), com vista à usurpação do trono, levou-me a criar um interesse pela vida deste rei. Tenho comprado vários livros sobre D. Afonso VI, e todos eles se referem a uma amizade entre o monarca e um genovês de seu nome António Conti. Este homem era amigo íntimo do jovem rei e são bem conhecidos vários relatos de discussões (algumas públicas) entre D. Afonso VI e a sua mãe, D. Luísa de Gusmão. D. Luísa reprovava esta amizade, considerando-a nefasta para o seu filho. A verdade é que António Conti passou a ser moço da câmara do rei, tendo pleno acesso ao quarto deste, bem como ao ritual do vestir e despir. São conhecidas aventuras do rei e do senhor Conti com prostitutas de rua, mas D. Afonso VI, devido à sua hemiplegia, dificilmente conseguiria concretizar o acto sexual na sua plenitude. Em bom português e correcto, não deveria ter erecção. Também são conhecidos relatos desta amizade algo homoerótica entre o jovem Afonso e o genovês, para além de frequentes encontros do jovem rei com alguns mulatos que, por esta altura, acompanhavam o rei, para desgosto de D. Luísa. Não será difícil imaginar que provavelmente D. Afonso VI tenha tido algum relacionamento com António Conti e com esses amigos mulatos. As suas incapacidades tê-lo-ão levado a exorcizar estes problemas nos braços do seu bom amigo de Génova.
D. Afonso VI casou com D. Maria Francisca Isabel de Sabóia em 1666, mas pouco tempo depois a Rainha pedia a anulação do casamento por este não ter sido «consumado», ou seja, não tiveram relações que permitissem assegurar a sucessão ao trono. Parecem existir documentos suficientes que atestam a incapacidade do monarca em ter relações de cariz sexual. Mais tarde, D. Maria Francisca casaria com o próprio D. Pedro II, irmão do rei.
D. Afonso foi afastado do trono por D. Pedro, que assumiu a regência, exilado para a ilha Terceira (Açores) e mais tarde para Sintra, onde faleceu em Setembro de 1683.
Da sua vida atribulada e misteriosa, restam as certezas de um reinado injusto e de uma vida pessoal estranha e duvidosa.