9 de abril de 2018

Cultural Sunday [take 13].


   Hesitei entre escolher o sábado ou o domingo para sair. Em boa verdade, já explorei quase tudo o que há para ver aos domingos no que respeita a museus e a exposições. Ainda assim, o Museu da Farmácia, que há muito queria conhecer, e o Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras foram as escolhas.



   O Museu da Farmácia fica situado nas traseiras do miradouro de Santa Catarina. Já há uns anos que não ia para aqueles lados. Não é dos melhores miradouros, quanto a mim, que Lisboa tem. E também tem certa afluência bastante duvidosa.
   Gosto de ser surpreendido pela positiva, e o Museu da Farmácia superou todas as expectativas. Ia eu à espera de ver potes e mais potes sobre farmácia, medicamentos e tudo mais e fui convidado a conhecer a história da farmacologia desde os seus primórdios, com os egípcios, passando pelos gregos, árabes, civilizações americanas, japoneses, chineses, enfim. O museu tem um núcleo arqueológico impressionante. Quando chegamos ao piso 1, não julgamos que podemos encontrar o que eu encontrei. Visitem-no. Constará entre os meus favoritos de todos os que venho conhecendo desde Janeiro. Deixo-vos algumas fotos.



   Na segunda foto, a cabeça do demónio Pazuzu, uma entidade suméria, causador de tempestades e outros infortúnios. Pazuzu tornou-se popular com a saga O Exorcista. Creio que constará por lá porque (e a informação não está disponibilizada no museu) as mulheres sumérias utilizavam amuletos com o Pazuzu acreditando que o demónio, sendo inimigo de Lamashtu, que afligia as grávidas, as protegia durante a gestação. Não é algo que esperemos encontrar num museu de farmácia, não é? Pois bem, encontrarão até sarcófagos, vasos greco-romanos, almofarizes árabes, tudo enquadrado na perspectiva da evolução dos tratamentos medicinais. Um luxo de museu, que não é gratuito, e que temos na nossa bela Lisboa. Para minha sorte, estive sozinho no piso superior, podendo ver tudo com calma e em silêncio - o preço da entrada demove as pessoas. Quem me segue noutras redes sociais terá acesso às fotos que, periodicamente, irei publicando.

    Saindo do museu, aproveitei e fui um pouco até ao miradouro, que, repito, não é dos melhores. Pouco me demorei.

    Na primeira foto, as traseiras do Museu da Farmácia.
   Decidi passar à segunda visita do dia, o Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras. Se bem estão recordados, estive nas Amoreiras pela semana passada. A passagem não foi meramente incidental; aproveitei que vinha da Estrela, sim, mas quis ir ao reservatório porque julguei que o encontraria aberto. Erro meu. Era Sábado de Aleluia, e o país é extremamente católico...

    O Reservatório é um encanto. Ora vejam.


    Maravilhoso. Tem uma exposição de fotos, afixadas às paredes, que vale a pena ver. No terraço, a magnífica vista sobre uma parcela da cidade.



   Vi tudo aquilo a que me propus sem chuva, que decidiu aparecer já no meu regresso, após o merecido almoço no Chiado. Para a semana que vem, já decidi por onde andarei.
   Por curiosidade, tenho um leque de pessoas que me acompanha nestas visitas. Há dias, numa rede social, um espanhol enviou-me uma mensagem, inbox, informando-me de que me segue todos os domingos, de que está sempre expectante com as minhas visitas (isto porque disponibilizo toda a informação in loco). É a sociedade big brother, que estimulo, evidentemente. Sujeito-me a isso, e até gosto. É um roteiro que determino e que deixo em aberto a quem queira estar comigo. Já são algumas pessoas.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

6 comentários:

  1. Fartei-me de rir com a sua frase "potes e mais potes" ... eu, um apaixonado pela faiança e sempre com um olho nos belos potes de farmácia, que, quando encontrados no mercado (não é muito comum), valem autênticas fortunas, e cuja beleza me faz admirá-los durante horas (eu tenho alguns, mas a maioria são réplicas), fico egoisticamente satisfeito quando encontro gente que não os aprecia da mesma forma. Sinto que é menos um concorrente no mercado ... :-)
    ainda assim continua a haver tantos!!!! ... infelizmente para a minha bolsa :-(
    Bons passeios. É uma boa forma dos seus leitores irem conhecendo Lisboa, uma cidade que vai perdendo o seu ar misterioso para, cada vez mais, se parecer com todas as outras. Ainda assim, continuo a gostar dela, apesar de haver outras cidades onde preferiria viver, e talvez o faça num futuro relativamente próximo, será uma questão de tempo.
    Uma boa semana
    Manel

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    1. Hahah, eu também gosto de faiança, Manel, mas não de farmácia, assumo. Não vejo grande encanto nos potes. Há-de ter lido os meus elogios à faiança que encontrei no Centro de Macau, por exemplo. :)

      Sim, os meus roteiros começam a ganhar seguidores, e ainda nem saí de Lisboa (cidade). Talvez, um dia, o faça. Por enquanto, já tenho planos para os arredores, quando o tempo melhorar e se puder.

      Uma boa semana, e obrigado por ser um seguidor fiel do que escrevo.

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    2. Creio que se deve referir à porcelana proveniente de Macau, pois faiança é algo totalmente diferente, quer na técnica de produção quer na de aspeto e textura.
      E faiança não a recebemos do oriente, pois era produzida aqui na Europa, e, em certos casos, foi levada a qualidades impressionantes, como foi o caso da dita "Porcelana dos Medici" (temos alguns exemplares no MNAA) do séc. XVI, na tentativa de imitar as porcelanas orientais, cujo fabrico no oriente era mantido como um segredo bem guardado, e, como tal, desconhecido neste nosso continente.
      Só no início do século XVIII a sua técnica foi desenvolvida na Europa, em Meissen e, mesmo assim, creio que ainda não era a verdadeira porcelana, mas sim algo que estava mais próximo do grés; posteriormente, o seu fabrico estendeu-se a França, e, gradualmente, ao resto do continente, melhorando substancialmente a sua qualidade.
      Gosto muito de porcelana, sobretudo a proveniente do oriente durante os séculos XVI, XVII e XVIII (entre esta destaco a do período Ming, a minha favorita, dos reinados de Hongzhi e Wanli - neste último destaca-se a porcelana Kraak dos séculos XVI e XVII; e temos uma quantidade fabulosa deste tipo no teto do Palácio de Santos, hoje Embaixada de França), difundida desde há muitos séculos pelas caravanas provenientes do oriente, mas em quantidades quase industriais com as naus portuguesas, que acabaram por a usar como lastro para os navios; não obstante (e há quem me chame nomes feios por causa disso) a esta porcelana, prefiro a faiança, em que a portuguesa, desse mesmo período, soe muitas vezes em ser muito rara de aparecer no mercado, e quando aparece vem a preços incomportáveis para a comum bolsa do português de classe média.
      Peço desculpa por todo este arrazoado. Não necessita de publicar tudo isto, pois extravasa o domínio do post, nada tendo a ver com ele.
      Um bom final de semana
      Manel

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    3. Tem toda a razão. O meu comentário é que foi errado num sentido: queria ter-me referido à faiança das Caldas, do Bordalo Pinheiro, e equivoquei-me. Não há faianças na Ásia. Há, sim, porcelanas. Foi isso que vi no Centro de Macau. Não faça caso. Era muito tarde quando lhe respondi.

      Um bom final de semana, e obrigado, Manel.

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  2. Qualquer dia podes ser guia turístico ;)

    Abraço amigo

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    1. É, já há quem me chame o "papa-museus". Interpreto-o com ternurento agrado.

      um abraço, Francisco.

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Um pouco da vossa magia... :)