30 de abril de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 16].


   Este fim-de-semana, por dois motivos - porque o meu aniversário seria no domingo e porque os locais que queria visitar estão fechados aos domingos - decidi-me por programar o meu dia cultural para sábado. Um sábado extraordinário, com aguaceiros só da parte da tarde, quando já estava tudo visitado. E por onde andei? Aqueduto das Águas Livres, logo pela manhã, seguido do Museu da GNR (revisita) e do Museu Arqueológico do Carmo, ambos no Largo do Carmo. De salientar que revisitei o Museu da GNR apenas porque teria, inevitavelmente, de lhe passar à porta.

   A visita ao Aqueduto das Águas Livres encerra, por assim dizer, o meu ciclo dedicado a visitas a todo o património associado à EPAL, que este ano comemora os seus 150 anos. Fui ao Museu da Água, ao Reservatório da Mãe de Água das Amoreiras e ainda ao Reservatório da Patriarcal. O Aqueduto situa-se em Campolide. Não tem nada de especial, a par de percorrermos o troço de 1 km permitido, podendo desfrutar de uma vista privilegiada sobre Lisboa. Tem interesse. Mandado construir por Dom João V para resolver os problemas de abastecimento de água na capital, resistiu incólume ao terramoto de 1755, constituindo, portanto, um dos monumentos mais antigos de Lisboa.




   Tudo visto por aquelas bandas, fui ao célebre Largo do Carmo, onde ocorreram momentos decisivos no golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, que assinalámos há poucos dias. Inicialmente, o meu plano era o de ir, de imediato, ao Museu Arqueológico do Carmo, que visitara pela primeira e última vez em 2001. Ao passar pelo Museu da GNR, que fica no Quartel do Carmo, pensei « Porque não? » E decidi bem. Da vez em que lá estive, algures no início de 2017, havia uma parte, que desconhecia, fechada ao público, parte essa de salutar importância no contexto histórico que se viveu na Revolução de Abril: a sala em que Marcello Caetano, após catorze horas de incerteza, se rendeu, e entregou o poder, ao General Spínola. Na sala, ainda há marcas da rajada disparada pelo MFA contra o quartel, por forma a pressionar o então Presidente do Conselho à demissão. No museu propriamente dito, disponibilizam-nos informações sobre a Guarda Nacional Republicana, dos seus primórdios à actualidade. Não tirei fotos ao acervo do museu uma vez que o fiz no ano passado.










Icónicos momentos, com o retirar da foto de Salazar da parede. Ao lado, a sala que viu expirar o regime.

   Rigorosamente ao lado, temos o Convento do Carmo, ou melhor, as suas ruínas. Se o Aqueduto resistiu ao terramoto, menos sorte teve o Convento do Carmo. Podemos, entretanto, apreciar o que resta dele. Pombal ainda teve planos de o reconstruir, adiados sucessivamente, até que julgámos pertinente preservar o que restava, tornando o núcleo num museu ao ar livre. Nem só de despojos do sismo vive o Museu Arqueológico do Carmo. No seu interior, e numa área coberta, encontramos o iconográfico e altamente histórico túmulo de Dom Fernando I, uma das principais atracções do museu. Numa sala paralela, há uma exposição bastante interessante sobre os primeiros complexos populacionais em território nacional, da Idade do Bronze, com vestígios arqueológicos recolhidos da zona da Azambuja, no Ribatejo.




   Deslumbrante. A entrada não é gratuita. Os turistas atrapalham um pouco, devo dizer, contudo é compreensível que uma cidade como Lisboa lhes exerça todo o fascínio.


   Começou a pingar à saída. Vi tudo com a calma que o museu exige. Sentimo-nos entre a História. Aquelas ruínas são um testemunho da catástrofe que arrasou uma Lisboa, permitindo, porém, que outra nascesse, mais moderna - efectivamente, a primeira cidade moderna da Europa, preparada para o mundo, para os novos tempos. No meu Instagram, terão mais fotos, que não as poupei.


    Neste próximo sábado - porque terá de ser no sábado - já sei por onde andarei. E sei que vocês estão aí, desse lado, expectantes. Até lá!

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

4 comentários:

  1. Extraordinário mesmo. Quanta inveja de te com toda esta riqueza cultural para explorar. Definitivamente Lisboa encanta. Até a próxima viagem. e
    Estão aqui, desse lado, expectante.

    Beijão

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    1. Tenho amigos brasileiros que me dizem que o Brasil tem pouquíssimos museus, e que os que tem não têm um conteúdo rico e interessante. :/

      Um beijinho, amigo, e obrigado!

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  2. Qualquer dia, podes trabalhar como Guia de Lisboa :)

    abraço amigo

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    1. E dizias tu, e não apenas tu, que o meu circuito era El Corte Inglês - Campo Pequeno - Cidade Universitária. Quem diria, hm? ;)

      Um abraço, amigo.

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