15 de março de 2018

Marvin.


   Ontem, fui ver um filme francês, Marvin, que descobri ao navegar pelo site do UCI. Interessou-me a sinopse. Não sou muito de atentar nas cotagens dos espectadores. Explorou um universo já por nós conhecido: o bullying homofóbico, na escola, no meio social e no seio da família, com as repercussões negativas, a longo prazo, que acarreta no equilíbrio do indivíduo. No caso de Marvin, acrescia a disfuncionalidade em casa: uma mãe que trabalhava como acompanhante (não tinha manifestamente figura para tal; o filho defini-la-ia, mais tarde, como uma puta), um pai, alcoólico, que tinha dificuldade em impor-se enquanto figura masculina, em adoptar um comportamento tradicional no homem, falhando e sentindo-se frustrado por isso, e um irmão mais velho que, apercebendo-se de que Marvin não era um rapaz comum, também o confrontou, ainda em criança, com a sua condição mais feminina - e em itálico porque Marvin, como verão, era um garoto absolutamente normal, que gostava de teatro, mas que não preenchia o estereótipo que a sociedade impõe num rapaz: agressividade, a prática de desporto, nomeadamente de futebol, entre outros.

  Já adulto, Marvin procura exorcizar esse passado doloroso através das artes, do teatro, no caso, frequentando a sociedade artística, e a alta sociedade parisiense, que lhe abre algumas portas, inclusive ao relacionar-se brevemente com um homem mais velho, que lhe serve quase de tutor.
  Marvin não desliga da família. Percebe-se essa preocupação com o seu bem-estar. Há amor, no fundo, que foi recíproco. Chegamos ao final da narrativa e percebemos que houve amor. Não souberam expressá-lo. Há essa carência, essa debilidade na forma como expressaram o afecto. Uma carência que se juntou a tantas outras, num estrato social baixo, de parcos recursos e insuficiente escolaridade.

  Marvin é um retrato cru da vivência de tantos jovens. É provável que muitos se identifiquem.

2 comentários:

  1. desengane-se quem acha que nos dias de hoje, um filho assume e os pais fazem uma festa de aceitão

    abraço amigo

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Um pouco da vossa magia... :)