9 de janeiro de 2018

Cultural Sunday.


   Primeiro domingo do mês, primeiro domingo do ano. A decisão já estava tomada. Iria aproveitar o dia para visitar alguns museus grátis apenas ao primeiro domingo. A maioria dos museus está aberta, gratuitamente, a todos os domingos. Entretanto, alguns há que só admitem entradas gratuitas ao primeiro de cada mês. Passos Coelho, na altura, alterou a regra. Todos os museus só admitiriam, a partir de então, entradas gratuitas ao primeiro domingo. António Costa, e bem, repristinou a medida anterior, devolvendo os museus aos domingos.

   Sendo sincero, levantar cedo, ao fim-de-semana, não me custa. E nem o frio ou a chuva me desmotivam. No domingo, esteve um dia maravilhoso, com um sol cheio. Frio, sim, mas estamos em Janeiro. Nada que um bom casaco, quentinho, não resolva. Depressa me meti no 28 e cheguei ao meu destino: Belém.

    Belém é um bairro que adoro. Por razões familiares. Em pequeno, todos os sábados ia, com os pais, aos pastéis de Belém. Eu não me recordo, mas eles assim mo contam. É um bairro agradável, muito histórico. Estive lá, pela última vez, em Dezembro, com o M., quando andámos a passear pelos Jerónimos, pela Torre e pelo Museu dos Coches. Eu conheço grande parte dos museus da cidade. Repito alguns amiudadas vezes. Há outros que, todavia, não conheço. É, ou era, o caso do Museu da Marinha. Grande lacuna, que colmatei.

    O Museu da Marinha figura, até ver, como o meu favorito. É lindíssimo. Histórico, muito, como se adivinha, pelo nosso papel ligado ao mar e aos descobrimentos. Está bem coordenado, bem documentado, com toda a informação bem colocada. É extenso, com um piso superior apreciável. Começamos logo com as primeiras embarcações portuguesas para terminarmos com os paquetes do século XX. Tem centenas de maquetes de embarcações, das primeiras naus ao navios recentes. Encontramos, também, quadros e utensílios ligados à actividade piscatória, numa das salas do museu, bem como dados relativos às missões em que participa a marinha portuguesa, na actualidade. Temos acesso, ainda, a informação histórica sobre a nossa participação na I Guerra Mundial, sempre na óptica da marinha. Vale muito a pena visitar o museu. Fica situado no encantador conjunto arquitectónico dos Jerónimos. Deixo-vos algumas das (muitas) fotos que tirei.







   Na primeira foto, uma caravela portuguesa quatrocentista.
   Na segunda foto, uma das salas do museu, no piso intermédio, com maquetes.
   Na terceira foto, uma escultura indiana de D. Isabel de Aragão, também conhecida como Rainha Santa Isabel, do século XVII.
   Na quarta e última foto, um óleo retratando uma embarcação portuguesa enfrentando um mar alvoroçado.
  

   Demorei-me cerca de duas horas. Quis ver tudo com calma e atenção. À saída, e como não encontrei nenhum estabelecimento calmo para almoçar, fui ao MAAT, o mais recente museu da capital. Foi a minha segunda vez no MAAT. Fui à inauguração. Compreendo o conceito do museu, mas não é, de longe, o que me enche o olho. Aproveitei a gratuitidade do primeiro domingo também. Tem umas exposições curiosas. Destaco esta, de Bill Fontana: Shadow Soundings, na qual se reproduzem os sons do tráfego na ponte 25 de Abril.



    Antes que anoitecesse, e como estava com fome, apanhei o autocarro em direcção à Praça do Comércio. Almocei na Portugália, seguindo para casa.
    Foi um domingo diferente, que repetirei, na minha exclusiva companhia. Passeei pela avenida junto ao rio, em frente ao MAAT, tirando mais fotos para o meu acervo pessoal. Gosto imenso de sair sozinho, de ir para onde quero, como quero e à hora que quero. Sabe tão bem.

     No próximo domingo, e nos que virão, tenho outros museus e monumentos para visitar. Ficam comigo, com a certeza de que os partilharei, e aos meus passeios, convosco.


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.

8 comentários:

  1. Belo Domingo :)

    Para a próxima vez, lembra.te de mim ;)

    Abraço amigo

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    1. Não te convidei porque sei que não irias. Não te levantarias cedo, com frio, para ires a museus. E muito menos com alguma ameaça de chuva. Não faz o teu género, amigo, e sabes bem disso. :)

      Um abraço.

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  2. Um museu que não conheço, o de Marinha, e tenho todo o interesse em ir, pois julgo haver ali peças de mobiliário que me interessam de sobremaneira, pois creio que possuo algumas feitas pelo mesmo marceneiro e necessito de comparar.
    Claro que irei num destes dias (já tinha programado para Dezembro passado, mas depois ... não consegui), e quando me predispuser e vencer a inércia.
    Quanto ao MAAT, acho-o muito bem conseguido exteriormente, e localiza-se num sítio que me dá prazer passear em tardes de sol, quando fico por Lisboa, espreguiçando-me e sentindo o cheiro a maresia (o mar que ainda é rio e o rio que já parece mar), e admiro-lhe as linhas, quanto ao conteúdo ... nem por isso.
    Os pastéis de Belém ... bem ... é uma estória!!!! fui obcecado por eles durante anos, comendo-os, deglutindo-os, engolindo-os às dúzias, até ficar quase nauseado, e depois ... acabou. Compro-os quando me visitam amigos de fora, mas raro toco. O mesmo me aconteceu com os Travesseiros da Piriquita.

    Gostei muito do seu périplo, muito bem desenhado, e que me traz sempre as melhores recordações.
    Espero que continue.
    Também é a melhor forma para visitar um museu ... sozinho, pois fica-se naquele espaço quanto tempo nos apetecer e a instituição nos deixar. E eu fico meeeesmo muito tempo.
    Gosto de saborear, verificar, situar no tempo e no espaço (eu que raro ando com telemóvel, acabo sempre por levar um para consultar a net no sentido de esclarecimento dúvidas), ver por vários ângulos, quase ultrapassando as barreiras de segurança, aliás devo ser o terror dos vigilantes das salas - estes olham-me de soslaio, quase me ameaçando de expulsão (são cuidadosos, não se atrevem, mas adivinho-lhes a vontade na expressão do rosto - "Ai se pudesse!") ... não creio que tenha pessoas em meu redor que consigam suportar este meu tipo de comportamento ... hum, estou a ser injusto, talvez uma única pessoa, mas é necessário apanhá-la "de maré".
    Quando vou para o MNAA ou para a Gulbenkian é para passar o dia todo, refeições incluídas.
    Continue, pois é um dos prazeres de se viver na capital
    Manel

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    1. Olá, Manel.

      De mobiliário, só vi uns assentos dos barcos, coisa muito pouca. O espólio anda em torno de maquetes de navios, quadros, vestimentas dos marinheiros, artefactos de navegação, etc.

      É, exacto. O MAAT vale pelo exterior, pela área envolvente. Olhe, pelo terraço na parte superior, tendo-se uma vista desafogada sobre o Tejo e a ponte.

      Eu gosto muito de passear sozinho. Não aborreço ninguém e nem a mim. Vejo as coisas com o meu tempo e não me distraio. Sou meticuloso. Vejo, revejo, volto para trás para ler um detalhe qualquer.

      Um abraço para si, e obrigado pelas palavras. Perdoe no atraso da resposta.

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  3. Admiro pessoas q são a sua melhor companhia! E q venham muitas visitas a museus em 2018.

    Abraços

    Alê
    https://nossoconfessionariopublico.blogspot.com.br/

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    1. Obrigado. Passarei no seu blogue.

      Um abraço.

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