O semestre está a terminar. Contrastando com a maioria das licenciaturas, podemos falar apenas do final de uma etapa. A etapa das aulas e das primeiras avaliações. No modelo adoptado na minha faculdade, necessitamos de fazer a frequência final a todas as disciplinas de modo a concluirmos as cadeiras, o que redobra a exigência e a dificuldade. Não há dispensa de exame seja qual fora a nota. Evidentemente, o mercado de trabalho não é alheio a tudo isto, preferindo os licenciados naquela casa. É comum dizer-se que um mero catorze equivale a muitos dezoitos noutras paragens... Assim o é, posso assegurá-lo.
Temos recebido os últimos testes. Já não sinto - como sentia - as "borboletas" no estômago. Torna-se uma rotina. Se ganhamos alguma coisa, uma dou como garantida: controlo das emoções. Ficamos mais fortes ou pelo menos dissimulamos melhor a fraqueza. As mãos não tremem mais como dantes.
Notas. As minhas notas têm sido bem melhores do que esperava, num ano de si difícil, o famoso ano dos cadeirões. Num raciocínio anatómico, este ano poderá ser considerado a espinal medula do curso. Inevitavelmente, descemos, e descemos até comparativamente ao primeiro e segundo anos.
Hoje aconteceu-me algo insólito desde que estou na faculdade. Um professor, neste caso, uma professora, elogiou a minha nota publicamente, realçando que se destacou, a nota, da quantidade «absurda», nas suas palavras, de negativas. Muitos ficariam eufóricos; eu fiquei incomodado. De repente, fui alvo de todos os olhares, até de colegas que raramente reparam em mim. A turma em peso, um silêncio sufocante, alguma inveja que escapa entre sorrisos de circunstância... Enfim, horrível. Por vezes, questiono-me se os conhecimentos que aquelas pessoas adquirem - refiro-me aos professores - ocupam o lugar do bom senso e da discrição. Eu não faria isto a um aluno; provavelmente elogiá-lo-ia a sós, numa conversa no final da aula. Algo particular. Cá fora, foi a vez dos elogios dos meus colegas. Senti-me um extraterrestre.
Além das provas que se aproximam, terei de entregar um trabalho expositivo e de investigação à célebre cadeira de Mercados, lembram-se? Pois é, uma dor de cabeça.
I will survive.