16 de outubro de 2017

iPhone.


   Pensei em se deveria ou não escrever sobre uma compra. Fazia-o com frequência nos anos iniciais do blogue. Entretanto, cresci, progressivamente comecei a falar menos e menos de mim, da minha vida pessoal, e achei que falar em compras seria demasiado fútil. A futilidade pode ser benéfica. Ajuda-nos a descomprimir.

   Há muito tempo que queria fazer a transição para a Apple. Gosto da marca, gosto da forma como se publicita. Os produtos são bons. O pós-venda, dito por todos, é excelente. Apenas o preço desmotiva, e muito. No meu caso, queria começar por, gradualmente, adquirir o telefone, o tablet, o portátil e, sendo caso disso, o fixo. Ontem, finalmente, dei o primeiro passo. Adquiri, no El Corte Inglés, o último iPhone 8 Plus. Sim, foi caro. Muito caro. Nunca tinha dado tanto por um equipamento. O meu Surface, que gosto da linha da Microsoft, ainda assim, foi mais barato.

   Estive indeciso entre o 7 Plus e o 8 Plus - o modelo mais recente. Pelo preço a que estava disposto a pagar, tinha o 7 Plus com 128 GB e o 8 Plus com 64 GB. O 7 saiu há um ano, é um óptimo telefone, e com 128 GB permite armazenar muito. O 8, aquele pelo qual me decidi, e embora sendo mais caro - pouco mais - tem menos memória. O que ponderou na minha decisão foi o facto de não querer gastar tanto dinheiro num equipamento que saiu há um ano, havendo um mais recente. E conseguirei gerir perfeitamente os 64 GB, que, a bem ver, é espaço mais do que suficiente. Do Plus não prescindiria. Queria um aparelho razoavelmente grande.

    Para completar o pack, comprei uma capa da Apple para o telemóvel. Caríssima. Para terem uma ideia, porque é deselegantíssimo falar em números, paguei três vezes mais o preço de uma capa normal. É a capa oficial, digamos assim, em couro preto. E o telemóvel, claro, adquiri-o na tonalidade clássica. Também já tratei do Nano SIM.

     Foi uma compra cara. A primeira de outras, que o próximo passo será um iPad. Deixo-vos a foto.


11 de outubro de 2017

Al Berto.


    Dirigi-me à sala de cinema com grande expectativa. Al Berto é uma figura relativamente desconhecida e obscura fora dos circuitos culturais. Um poeta maldito, como todos os que afrontaram as convenções, numa época particularmente conturbada da história portuguesa contemporânea.
    Al Berto, e aqui fazendo um paralelismo com António Variações, na música, autoexilou-se nos anos da ditadura, tendo residido em Bruxelas, embebendo no seu espírito novas correntes. Regressado a Sines, deparou-se com uma terriola parada no período pós-revolucionário, com uma sociedade fortemente patriarcal, onde tudo o que transpirava a modernidade era sumariamente rejeitado. E Al Berto ousou nos costumes, junto ao seu pouco convencional grupo de amigos, suscitando todo o tipo de reacções de desaprovação, desde o insulto barato ao mais vil vandalismo.

     O filme é quase iconoclasta, se bem que não senti um esforço sobre-humano, da parte de Vicente Alves do Ó, para retratar um Al Berto diferente e amoral. Era-o. Havia, nele, um misto de modernidade e de apego às raízes, uma vontade de que tudo funcionasse no processo custoso de reconciliação com o passado. Um passado associado às tradições locais, ao palácio devoluto, à actividade piscatória da terra, àquelas gentes que desprezava e que, simultaneamente, o seduziam.

     O que para mim também releva, e digo-o despretensiosamente e sem pudor, é o facto de o filme se inserir em cinema português sem aparentar ser cinema português. Há um jeito novo de realizar, de fazer discorrer a narrativa, sem aborrecer o espectador. Convém que assim seja, porque atrai o público que desconfia das fórmulas antigas de se fazer cinema. Al Berto é, nesse sentido, um filme novo sobre uma realidade de há quarenta anos, e bem conseguido. Houve uma preocupação claríssima em não descurar os pormenores. O maço de cigarros de Al Berto e de João Maria era um SG dos setenta. Detalhes aparentemente ínfimos mas que podem elevar uma obra ao prestígio ou arrasá-la na crítica.

     Pelo meio, temos uma visão política bem demarcada. Sines, reduto comunista, na era das expropriações - que visaram também a burguesia local, entre a qual cresceu Al Berto. Um desejo de mudança, que tardava em chegar. Depressa Al Berto percebeu que a pequena localidade alentejana não estava preparada para os planos que traçara: a livraria - um sonho - a relação com um cantor libertino - que o amava - os saraus e as festas hippies. Sines não sonhou consigo, como fez chegar a uma das suas amigas.

     Gostei realmente muito, e aconselho. A interpretação de Ricardo Teixeira, o actor principal, seguramente ajudará a recuperar a memória e o legado de Al Berto junto do grande público.

9 de outubro de 2017

Da direita.


   Pedro Passos Coelho anunciou a sua não-recandidatura à liderança do PSD. Bem como referi no artigo atinente às autárquicas, não há muitas individualidades no seio do partido dispostas a tirá-lo do lamaçal em que o ainda presidente o jogou. Ouvimos falar de Rui Rio, de Luís Montenegro, de Paulo Rangel e, curioso, de Pedro Santana Lopes.

   O PSD é um dos partidos do centrão. Numa democracia como a portuguesa, exige-se que haja uma alternativa credível ao poder instalado. É saudável que assim seja. O PSD pós-2015 insistiu, muito por culpa do seu líder, num discurso derrotista que não encontrou correspondência com os factos, com a realidade do país. A natural consequência foi a do descrédito do partido, e da sua orientação manifestamente neoliberal, junto do eleitorado. A pesada derrota de 1 de Outubro e o anúncio da não-recandidatura de Pedro Passos Coelho darão um outro fôlego ao PSD, no momento em que Rui Rio se prepara para comunicar aos sociais-democratas e ao país as suas intenções de se apresentar como candidato à presidência.

    Rui Rio é um homem moderado, interessado em encontrar consensos, adepto dos pactos de regime. O bloco central, que assusta o Presidente da República e determinada ala no PSD. Eu, entretanto, defendo que quer o PS, quer o PSD devem assumir-se como diferentes, muito embora, em matérias sensíveis e de superior interesse nacional, saibam convergir quando é necessário. O PSD afastou-se sobremodo do seu ideário fundador, perdeu votos entre os jovens, entre os moderados. Extremou posições. Importa recolocá-lo ao centro sem medos, porque é ao centro que se ganham as eleições.

     Santana Lopes, com a decisão conjunta, mas não combinada, suponho, de Paulo Rangel e de Luís Montenegro de afastarem qualquer intenção de se candidatar, surge como segundo nome. Santana Lopes dispensa apresentações. O currículo político e pessoal fala por si. O período, curto, felizmente, em que governou não deixa saudades. Em sua defesa, devo dizer que não governou em circunstâncias favoráveis. Grosso modo, como Passos Coelho.
    Para liderar um partido com aspirações de poder, convém ter certa envergadura, credibilidade pública, inspirar confiança nas pessoas. Pedro Santana Lopes não reúne estas condições. Acredito que aceite o desafio; é um homem que não teme comprometer-se - verdade seja dita, tem pouco a perder.

     Há muito que se fala em Rui Rio. O ex-autarca nunca quis avançar, talvez por sentido de estratégia, talvez por não estar preparado para embates nacionais. Liderar o PSD é distinto de liderar a Câmara Municipal do Porto. É bem provável que o faça agora, dado que nenhum adversário de peso se lhe pode opor. Fala-se em cerca de sessenta por cento do partido favorável à sua candidatura.


     A direita portuguesa deve reestruturar-se. O CDS, pela deriva a que assistimos no PSD, tem sabido capitalizar os votos e o apoio daquela direita que não cede ao centro. Passos Coelho deixa, a Rui Rio, uma herança bafienta que cabe ao próximo líder repudiar. Recuperar um pouco do PPD, reconquistar aqueles que acreditam na afirmação do sector privado face ao público, na diminuição do Estado na vida dos cidadãos, particularmente do Estado português, pouco amigo, pesado. Incentivar ao investimento. Mais importante ainda, ter outro discurso. Não apresentar ao eleitorado um caminho obstinado e surdo de contenção. Não vai ser fácil. Compreendo as reticências de Rio.

6 de outubro de 2017

Outono.


   Eis que é chegada a estação de que mais gosto, o Outono. Em adulto, pois em criança adorava o Verão. Associava-o às férias grandes, à praia, ao descanso. Não há, todavia, melhor do que o Outono. O Outono, ao contrário da Primavera, diminui-nos os dias, que se tornam progressivamente mais frios, em contagem decrescente para o solstício de Inverno e para o Natal. É, portanto, no Outono que desço as avenidas para ver a iluminação; é no Outono que como as castanhas assadas; é no Outono que organizo as ideias para a minha lista de presentes, que me divirto com as decorações de Halloween - muito embora não ligue nada a essa festividade importada; prefiro as nossas tradições nortenhas. Também é no Outono que visito os meus mortos, que os tenho espalhados por três cemitérios da capital.

   Nos últimos anos, infortúnio meu, pelo aquecimento global ou pelo raio que nos valha, o Verão tem-se prolongado. Chegamos a Outubro com temperaturas de Verão, exageradamente elevadas, roubando-nos, pelo menos quanto a mim, o encanto da época, a ponto de nem se dar a queda atempada da folha, tão conotada ao Outono; talvez, diria eu, a primeira imagem que nos ocorre quando nos lembramos destes meses.

   Neste Outono, entretanto, pelo evento que irei realizar, terei, a par da faculdade - que ainda lhe devo algumas palavras - o tempo preenchido. Mais à frente, no início do mês que vem, adiantarei mais detalhes. Posso apenas desvendar que, tratando-se o Natal da minha quadra predilecta, é um período que convida à confraternização. Fico-me por aqui. Está em fase de maturação.

    Por ora, aguardo pelo fim da época quente. Este período de transição Verão-Outono / ócio-aulas está a ser particularmente turbulento e conturbado. Aguardo a acalmia.