17 de setembro de 2010

Jaime I de Inglaterra



Se em Portugal residem dúvidas em relação à suposta homossexualidade dos reis D. Sebastião e D. Afonso VI (sendo que do último existem provas, a meu ver, inequívocas), o mesmo não sucede em Inglaterra, onde é por todos conhecida a homossexualidade de um dos seus monarcas, o rei Jaime I.
Jaime I era filho de Maria Stuart, rainha da Escócia, sucedendo à sua mãe na coroa escocesa. Por sua vez, por morte de Isabel I, rainha de Inglaterra, que não deixou descendentes, Jaime VI da Escócia herdou também o trono de Inglaterra, unindo este último à Escócia. Ambos os reinos eram independentes à epoca, apesar da união na pessoa do mesmo monarca. Ao subir ao trono, e com a extinção da Casa Tudor, a Casa Stuart começou a reinar em Inglaterra.
Desde muito cedo, Jaime sempre demonstrou interesse por pessoas do sexo masculino. Apesar disso, um monarca tinhas as suas responsabilidades e a mais importante de todas era assegurar descendência, preferivelmente um herdeiro varão para assumir o trono. Dessa forma, Jaime I casou com Ana da Dinamarca. Ao todo tiveram sete filhos, incluindo o futuro monarca Carlos I. Todavia, isso não o impediu de ter as suas preferências. Era um costume real ter favoritas, as chamadas concubinas. Este rei não foi excepção, não obstante as suas preferências terem sido outras. Entre vários favoritos, houve um que marcou o seu nome na História de Inglaterra. Era ele George Villiers, mais tarde Duque de Buckingham. George era conhecido por ser muito elegante e atraente. É evidente que o rei ficou encantado com os dotes de George e adoptou-o como favorito. Há registos de uma declaração pública do rei, em que o mesmo diz que: « Se Cristo teve o seu João, eu tenho o meu George. » O rei favoreceu muito George, atribuindo-lhe cargos e honras, muitíssimos títulos de nobreza e o lugar de Cavaleiro de Câmara do rei, ou seja, privava com este na mais profunda intimidade... O amor do rei foi correspondido e ambos amaram-se loucamente.
Jaime I era um monarca bastante culto, de uma erudição invejável, porém, tinha um comportamento irascível. Era demasiado propenso à vaidade e ao orgulho. Morreu, de várias complicações de sáude, em 1625. George Villiers não tardou em acompanhá-lo, em 1628.
Jaime I de Inglaterra não é dos monarcas ingleses mais célebres, mas vale a pena atentar um pouco na sua vida e nos factos que a envolvem. Fundou uma dinastia, preparou parte do quadro político que hoje vemos no Reino Unido (unindo a Escócia à Inglaterra) e herdou um reino glorioso (período isabelino) que lhe coube a função de manter. No meio de tudo, e como faits divers, é o primeiro monarca cujos registos demonstram preferências manifestas pelo sexo masculino.

4 comentários:

  1. Eu amo as tuas lições de História, que infelizmente já não tenho. (In)felizmente não segui Humanidades, mas eu adoro História, gostaria de seguir Arqueologia, mas optei por outra área.

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  2. Eu adoro História. É daquelas paixões arrebatadoras. Também queria muito ter seguido História no Ensino Superior, mas em Portugal já se sabe como é... :S
    No entanto, vou sempre comprando livros e mais livros. :)

    Tenho esperanças de, um dia, tirar uma segunda licenciatura em História... ... :)

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  3. "Em Portugal sabe como é..." Explique Mark! Aí os professores e historiadores não são muito valorizados?

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    1. Acertou! Aqui, a profissão "professor" é mal paga, remunerada, além de perigosa. A par disso, uma licenciatura em História não dá futuro algum. Termina-se no ensino, uma vez que a investigação em Portugal é nula nesta área, ou quase.

      Os historiadores, enfim, há alguns, poucos, de renome, que são respeitados.

      Obrigado pela visita. :)

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